miniaturadaimagem|408x408px|Mapas da vegetação do Níger. Acima, julho de 2004; abaixo, julho de 2005. O verde representa excedente de vegetação, marrom, déficit. NASA A crise alimentar de 2005-2006 no Níger foi uma grave, porém localizada, crise de segurança alimentar nas regiões do norte de Maradi, de Tahoua, de Tillabéri e em Zinder, no Níger, entre 2005 e 2006. Foi causada pelo fim precoce das chuvas de 2004, pelos danos causados por gafanhotos-do-deserto em algumas pastagens, pela alta nos preços dos alimentos e pela pobreza crônica.
Contexto A crise já era prevista depois que enxames de gafanhotos consumiram quase todas as plantações em partes do Níger durante a safra agrícola de 2004. Em outras áreas, a insuficiência de chuvas resultou em colheitas excepcionalmente ruins e pastagens secas, afetando tanto os agricultores quanto os produtores pecuários. Uma avaliação realizada pelo governo do Níger, pelas Nações Unidas e por organizações não governamentais internacionais chegou a um consenso geral de que a crise, embora localmente grave, não havia atingido o nível de fome de acordo com as escalas de fome.
Causas demográficas A população do Níger mais do que quintuplicou entre 1950 e 2005, passando de 2,5 milhões para 13,5 milhões. A taxa de fertilidade no Níger é a mais alta do mundo, com 7,6 filhos por mulher, e a população do país deverá aumentar dez vezes no século XXI, para mais de 200 milhões de pessoas em 2100.
Crise esquerda|miniaturadaimagem|Crianças desnutridas no Níger, durante a fome de 2005. A região do Sahel como um todo registrou um excedente de grãos de 85.000 toneladas. No entanto, o Níger e o Chade sofreram déficits de grãos de cerca de 224.000 e 217.000 toneladas, respectivamente. Um aumento dos preços dos alimentos agravou a crise alimentar, especialmente no Níger, que foi a área mais afetada.
O acesso a alimentos básicos tornou-se cada vez mais difícil e foram registrados casos graves de desnutrição infantil. A escassez de água e forragem também afetou negativamente a saúde do gado, camelos, ovelhas e cabras, que constituem praticamente a única fonte de alimento e renda para as comunidades nômades. A competição por recursos limitados também resultou em alguns conflitos locais. Segundo o UNICEF, as taxas de desnutrição aguda subiram para 13,4% nos departamentos de Maradi e Zinder, no sul do Níger, com 2,5% desse grupo identificado como crianças menores de cinco anos gravemente desnutridas.
A escassez de alimentos afetou 3,3 milhões de pessoas — incluindo 800 mil crianças menores de cinco anos — em 3.815 aldeias. As autoridades estimaram o déficit de cereais em 223.448 toneladas e o déficit de ração animal em 4.642.219 toneladas.
Resposta Embora a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura já tivesse alertado para uma crise iminente no final de 2004, o apoio dos doadores chegou lentamente durante o primeiro semestre de 2005. No final de agosto de 2005, a crise ganhou maior visibilidade após a visita do Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan. ao Presidente Mamadou Tandja em Zinder. A visita foi vista como uma tentativa de atrair a atenção para a crise e também de responder às acusações de que a ONU havia reagido com demasiada lentidão. Os doadores haviam contribuído com menos da metade dos US$ 81 milhões solicitados pela ONU.
Em 16 de janeiro de 2006, a ONU lançou um apelo para 240 milhões de dólares americanos em ajuda alimentar para a África Ocidental, para sustentar pelo menos 10 milhões de pessoas afetadas pela crise alimentícia, sendo o Níger o país mais afetado.
Controvérsia sobre a cobertura midiática Diversas autoridades, incluindo o então presidente do Níger, questionaram a veracidade das alegações feitas pela mídia internacional. Argumentaram que, embora a desnutrição crônica fosse um problema para a população do Níger, a mídia retratou, de forma errônea e deliberada, hábitos nutricionais locais comuns como sinais de fome generalizada, visando obter a simpatia de doadores. Em 3 de março de 2008, a TV2 da Noruega exibiu o documentário "Sultbløffen" (A Fraude da Fome), que expressarava a opinião de que não houve fome no Níger em 2005-2006, mas desnutrição crônica, semelhante à dos anos anteriores. Hilary Andersson, da BBC, Jan Egeland, coordenador de ajuda humanitária da ONU, bem como a mídia internacional e organizações de ajuda humanitária em geral, foram acusados de exagerar e mentir sobre a situação alimentar no país, deturpando os fatos. As fontes, entre elas uma fundação norueguesa-sueca de desenvolvimento agrícola e seus assistentes locais, apresentaram uma versão que retratava a mídia ocidental e as agências de ajuda humanitária como ignorantes em relação à agricultura e à flora locais, bem como aos hábitos nutricionais comuns. Citaram o chamado "racismo alimentar": a percepção de que os alimentos e plantas alimentícias locais e tradicionais são inúteis e venenosos, embora os habitantes locais os consumam há milênios. Também denunciaram a percepção de que o povo do Níger é incapaz de viver sem o apoio do Ocidente e argumentaram que as grandes doações de alimentos sobrecarregaram o abastecimento local, dificultando a competição da agricultura local. Egeland beskyldes for å bløffe om sultkatastrofe. . Sultbløffen (The Famine Scam) awarded third place Monte Carlo TV festival of 2008 O filme recebeu o 3.º prêmio no Festival de Televisão de Monte Carlo de 2008 e ganhou o Prêmio Den Store de Jornalismo na Noruega em 2009. A BBC afirmou ter refutado as alegações da TV2 de forma inequívoca e tentou impedir o lançamento internacional do documentário, revogando a licença da TV2 para imagens jornalísticas a partir do verão de 2005.
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