The Sound of Music é um filme norte-americano de 1965, dos gêneros drama, musical, romance e comédia, dirigido e produzido por Robert Wise, com roteiro de Ernest Lehman baseado no livro de memórias The Story of the Trapp Family Singers, de Maria von Trapp. É uma adaptação do musical homônimo de 1959, escrito por Howard Lindsay e Russel Crouse, com canções de Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II, sendo que Irwin Kostal encarregou-se das passagens instrumentais. Protagonizado por Julie Andrews e Christopher Plummer — que interpretam respetivamente Maria e Capitão von Trapp —, o filme narra as aventuras de uma jovem mulher austríaca que estuda para se tornar uma freira em Salzburgo no ano de 1938 e acaba sendo enviada para a casa de campo de um oficial da marinha viúvo e aposentado, para ser a governanta de seus sete filhos. Depois de trazer música e amor para as vidas das crianças através da bondade e paciência, ela se casa com o Capitão e, juntamente com as crianças, descobre uma maneira de sobreviver à perda sua terra natal através da coragem e da fé.

Pouco após The Story of the Trapp Family Singers ser transformado em filme na Alemanha Ocidental, a Paramount Pictures comprou os direitos da adaptação cinematográfica do livro nos Estados Unidos, tendo como objetivo produzi-la em língua inglesa, com Audrey Hepburn interpretado Maria. A empresa eventualmente descartou a opção, porém um de seus diretores Vincent J. Donehue propôs transformar a história em um musical; o produto final, The Sound of Music, estreou em 16 de novembro de 1959 no teatro Lunt-Fontanne e conquistou enorme sucesso crítico e comercial. Como resultado, a 20th Century Fox comprou os direitos da adaptação cinematográfica do musical por US$ 1,25 milhões. O então presidente da empresa Richard D. Zanuck contratou Ernest Lehman para adaptar o musical em filme, que selecionou William Wyler como diretor; contudo, Wyler queria dirigir The Collector, e foi substituído por Robert Wise como diretor do trabalho. Lehman desenvolveu uma versão diferente do musical, eliminando algumas canções, e sua primeira opção para interpretar Maria foi Julie Andrews. Grande parte dos atores escolhidos para os papéis haviam experiência em atuação, canto ou dança. As filmagens de The Sound of Music tiveram início em 26 de março de 1964 e terminaram em 1º de setembro do mesmo ano; os locais de filmagens incluem o estado da Baviera, na Alemanha, a cidade de Salzburgo, na Áustria, e os estúdios da 20th Century Fox, em Los Angeles, Califórnia. Um total de 83 cenas foram filmadas em pouco mais de cinco meses.

Lançado em 2 de março de 1965 nos Estados Unidos, The Sound of Music foi inicialmente recebido de forma mista por críticos de cinema, porém conseguiu ser universalmente aclamado; como resultado, obteve diversos prêmios, como cinco Oscar em 1966, incluindo o de Best Picture. Em termos comerciais, obteve um resultado bastante positivo, substituindo Gone with the Wind como o filme com maior bilheteria na época de seu lançamento, arrecadando mais de US$ 286 milhões em âmbito global e tornando-se um dos filmes mais populares de todos os tempos, sendo selecionado em 1998 pela American Film Institute (AFI) como o 55º melhor filme norte-americano de todos os tempos e o quinto melhor filme musical da história, além de ter sido preservado na National Film Registry pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos em 2001 por ser "culturalmente, historicamente ou esteticamente significativo". Sua trilha sonora correspondente, produzida por Neely Plumb e relançada diversas vezes, converteu-se no álbum mais vendido no Reino Unido nos anos de 1965, 1966 e 1968, e no segundo mais vendido no país durante a década de 1960, e popularizou músicas como a faixa-título, "My Favorite Things", "Climb Ev'ry Mountain" e "Do-Re-Mi". Além de ter sido transmitido diversas vezes nos Estados Unidos, através da National Broadcasting Company (NBC) e lançado comercialmente nos formatos de VHS, DVD e laserdisc, o projeto voltou aos cinemas em 2015 com uma versão restaurada, como parte das comemorações do 50º aniversário de seu lançamento.

Resumo O filme conta a história verídica da família de cantores Von Trapp, mostrando desde os dias da então noviça 'Maria' (que antes de se tornar 'Von Trapp' tinha como sobrenome 'Kutscher') num convento em Salzburgo, Áustria, até o momento em que a família foge do país quando este é ocupado pelos nazistas, que estão prestes a prepararem o Anschluss.

Maria, que não consegue seguir as rígidas normas de conduta das religiosas, é enviada para trabalhar como governanta dos 7 filhos do 'Capitão Georg von Trapp'; este é viúvo, e desde a morte de sua esposa educa as crianças com rigor militar.

A chegada de Maria modifica drasticamente a vida da família ao trazer alegria e conquistar o carinho e o respeito das crianças. No início ela enfrenta alguns problemas com o Capitão, mas este acaba desenvolvendo um grande afeto pela jovem ao ver que ela conseguiu fazer o que nenhuma outra governanta havia antes feito pelas crianças. Eles acabam se apaixonando, e o capitão, antes comprometido com 'Elsa Schraeder', uma rica baronesa de Viena, rompe o noivado para poder se casar com Maria.

Porém, daí para frente, nem tudo na vida da família será tão fácil assim, pois quando os nazistas dominam a Áustria, o capitão é convocado para servir na marinha alemã. A família decide, então, fugir de carro através da fronteira. Mas as fronteiras são fechadas e eles se veem obrigados a caminharem pelas montanhas. Numa das mais emocionantes sequências do cinema, embalada pela canção Climb Ev'ry Mountain, o filme termina com a família nas montanhas, mostrando a importância de viver em família, um ajudando ao outro.

Antecedentes A história de The Sound of Music é baseada no livro de memórias escrito por Maria von Trapp The Story of the Trapp Family Singers, publicado em 1949 para ajudar a promover o grupo de canto de sua família após a morte de seu marido Georg dois anos antes. Produtores de Hollywood expressaram interesse em comprar apenas o título, porém Maria recusou-se, querendo que sua história completa fosse retratada. Em 1956, o diretor alemão Wolfgang Liebeneiner comprou os direitos da adaptação cinematográfica do livro por US$ 9 mil, contratando George Hurdalek e Herbert Reinecker para roteirizarem o projeto, e Franz Grothe para supervisar a trilha sonora, que consistiu em tradicionais canções folk da Áustria. O produto final, The Trapp Family, foi lançado na Alemanha Ocidental em 9 de outubro de 1956 e tornou-se um grande sucesso. Dois anos depois, Liebeneiner dirigiu a sequência do trabalho, The Trapp Family in America, e ambos os filmes tornaram-se os mais bem sucedidos na Alemanha Ocidental durante os anos pós-guerra. A popularidade de ambas as obras estenderam-se na Europa e na América do Sul.

Em 1956, a Paramount Pictures comprou os diretos da adaptação cinematográfica nos Estados Unidos, querendo produzir uma versão em língua inglesa com Audrey Hepburn interpretando Maria. O estúdio eventualmente descartou a opção, mas um de seus diretores, Vincent J. Donehue, propôs que a história fosse adaptada como um musical, no qual Mary Martin interpretaria Maria. Os produtores Richard Halliday e Leland Heyward garantiram os direitos e contrataram os dramaturgos Howard Lindsay e Russel Crouse, que venceram o Prêmio Pulitzer por State of the Union. Eles contataram Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II para comporem as canções para o musical, porém ambos sentiram que os dois estilos — as tradicionais canções folk austríacas e suas composições — não se encaixariam no trabalho. Rodgers e Hammerstein II ofereceram a composição de novas passagens instrumentais para a produção inteira se os produtores estivessem dispostos a esperar eles terminarem seus trabalhos em Flower Drum Song. Os produtores rapidamente responderam que poderiam esperar o tempo necessário. Intitulado The Sound of Music, o musical estreou em 16 de novembro de 1959 no teatro Lun-Fontanne em Nova Iorque e obteve sucesso crítico e comercial, vencendo seis Tony Awards — incluindo o de Best Musical — e totalizando 1443 apresentações na Broadway. Em junho de 1960, a 20th Century Fox comprou os direitos da adaptação cinematográfica do musical por US$ 1,25 milhões, contra 10% da receita bruta obtida pelo musical.

Produção Roteiro e pré-produção 220px|thumb|left|Originalmente, William Wyler havia sido selecionado como o diretor de The Sound of Music. Entretanto, ele afastou-se da produção devido as filmagens de The Collector e, em seu lugar, entrou Robert Wise (imagem). Em dezembro de 1962, o então presidente da 20th Century Fox Richard D. Zanuck contratou Ernest Lehman para escrever o roteiro da adaptação cinematográfica do musical. Lehman revisou o roteiro original do musical, rearranjou a sequência das canções, e começou a transformar um trabalho designado para o musical em um filme que poderia usar a câmera para enfatizar ações e humores, e abrir a história para os belos locais de Salzburgo e os alpes austríacos. A sequência "Do-Re-Mi" presente no musical, por exemplo, era originalmente um número estagnante; o roteirista transformou-a em uma montagem animada mostrando alguns dos belos lugares de Salzburgo, bem como retratando Maria e as crianças se aproximando com o tempo. Lehman também eliminou duas canções: "How Can Love Survive?" e "No Way to Stop It", interpretadas pelos personagens Elsa e Max, respetivamente. Em janeiro de 1963, ele assistiu a versão dublada em inglês dos dois filmes alemães, não ficou especialmente impressionado, e decidiu usar o musical e a memória de Maria em grande parte de seu material de referência. Enquanto Lehman estava desenvolvendo o roteiro, ele e Zanuck começaram a procurar por um diretor. O primeiro escolhido por eles foi Robert Wise, com quem o roteirista havia trabalhado na adaptação cinematográfica de West Side Story (1961), mas Wise estava ocupado com as filmagens de outro projeto, The Sand Pebbles (1966). Outros diretores foram escolhidos mas recusaram-se, como Stanley Donen, Vincent J. Donehue, George Roy Hill e Gene Kelly.

Em janeiro de 1963, Lehman convidou um de seus diretores favoritos, William Wyler, para viajar com ele a Nova Iorque para assistir ao musical The Sound of Music. Depois de assisti-lo, Wyler disse que odiou o musical, porém depois de duas semanas de persuasão de Lehman, Wyler relutantemente concordou em dirigir e produzir o filme. Depois de contratar o supervisor musical, Wyler, Lehman e Edens viajaram à Salzburgo para selecionarem os locais das filmagens. Em duas semanas, eles conseguiram ver aproximadamente 75 locações — uma experiência que ajudou Lehman a conceituar diversas sequências importantes. Durante a viagem, o roteirista começou a ter dúvidas do compromisso de Wyler com o projeto, e comunicou isso à Zanuck, que instruiu-o a finalizar o primeiro rascunho do roteiro o mais rápido possível. Ele completou o primeiro rascunho em 10 de setembro de 1963 e enviou-o para Wyler, que não fez sugestões ou mudanças. Na época, Lehman secretamente também entregou uma cópia do roteiro ao empresário de Wise, o qual Lehman ainda queria que fosse o diretor. Ao final daquele mês, o empresário de Wyler abordou Zanuck, pedindo que a produção do filme fosse adiada para que Wyler pudesse dirigir The Collector. Zanuck disse que Wyler pudesse fazer o outro filme, e que eles poderiam encontrar outro diretor, encerrando a participação de Wyler.