A Igreja Anglicana do Quênia (Anglican Church of Kenya, ACK) é uma província da Comunhão Anglicana e é composta por 41 dioceses. A igreja afirma ter quase 6 milhões de membros no total. De acordo com um estudo publicado no Journal of Anglican Studies e pela Cambridge University Press, a ACK afirma ter 5 milhões de fiéis, sem uma definição oficial de membresia, com quase 2 milhões de membros oficialmente afiliados e entre 310.000 e 400.000 membros ativos. A igreja tornou-se parte da Província da África Oriental em 1960, mas o Quênia e a Tanzânia se tornaram províncias separadas em 1970.

História Em 1844, o primeiro missionário da Church Missionary Society (CMS), Dr. Johann Ludwig Krapf, chegou a Mombaça. Dois anos depois, juntou-se a ele Johann Rebman. Eles estudaram línguas africanas para se comunicar e evangelizar. Isso resultou na tradução, por Krapf, dos capítulos 1 a 3 do livro de Gênesis para o suaíli em 1847, seguido pelo Evangelho de Lucas para Nyika em 1848 e o Evangelho de Marcos para Kamba em 1850.

Três anos depois, um paralítico à beira da morte tornou-se o primeiro batizado. Mais tarde, uma colônia foi estabelecida pela CMS em Free Town para escravos libertos, onde também foram batizados os primeiros convertidos Giriama. A Diocese da África Equatorial Oriental foi formada em 1884 e incluía Uganda, Quênia e Tanganica, tendo James Hannington como o primeiro bispo. Um ano depois, os ex-escravos Ishmael Semler e William Jones tornaram-se os primeiros africanos a serem ordenados ao ministério anglicano. Em outubro do mesmo ano, o bispo Hannington foi martirizado a caminho de Uganda.

O treinamento em teologia para evangelistas começou em 1889 na CMS, em Freetown. Nove anos depois, a Diocese de Mombaça foi formada, abrangendo o Quênia e o norte de Tanganica. As primeiras escrituras em luo foram entregues em 1900, enquanto em quicuio foram publicadas em 1903. O Novo Testamento em suaíli foi concluído em 1909 e a Bíblia completa, em 1914.

Em 1921, a Igreja de São João de Nairóbi mudou-se para Pumwani. Para substituí-la, foram iniciadas a construção da Catedral das Terras Altas e da Igreja de Santo Estêvão. O Centro de Tradução de Idiomas mudou-se para Peel Gardens, que se desenvolveu na Escola de Línguas e Orientação da Igreja Anglicana do Quênia e na Casa de Hóspedes da ACK em Nairóbi. A Alliance High School, uma das principais escolas do país, foi inaugurada em 1926 em Kikuyu pela Aliança das Missões Protestantes. Nesse mesmo ano, o Novo Testamento foi concluído em quicuio e luo.

No ano seguinte, o norte de Tanganica foi separado da Diocese de Mombaça, que então abrangia apenas o Quênia. Em 1930, a escola de teologia da CMS foi transferida de Freetown para Limuru, onde hoje se encontra a St. Paul’s United Theological University. Um ano após a inauguração da Catedral das Terras Altas e da Igreja de Santo Estêvão na Jogoo Road, iniciou-se o trabalho entre comunidades Pocotes e Borana, e as primeiras escrituras em suas línguas foram concluídas na década de 1930.

Em 1937, ocorreu a primeira visita da equipe do Avivamento de Ruanda, com reuniões em vários lugares, enquanto no ano seguinte a Convenção Africana de Keswick, no Quênia, foi realizada em Kikuyu. Em 1943, o Conselho Missionário do Quênia foi votado para se tornar o Conselho Cristão do Quênia (CCK). A Convenção de Kahuhia, que seria a primeira convenção de avivamento organizada por africanos na África Oriental, foi realizada em 1947, espalhando-se por toda a África Central.

Em 1952, a Catedral de Todos os Santos (antes, das Terras Altas), em Nairóbi, foi concluída e consagrada. No ano seguinte, foi inaugurada a Casa da Igreja, enquanto a Bíblia em língua luo era publicada. Em 1954, anglicanos, presbiterianos e metodistas fundaram conjuntamente o St. Paul’s United Theological College, em Limuru (atualmente United Theological University). Os primeiros bispos africanos da Igreja Anglicana no Quênia, Festo Olang' e Obadiah Kariuki, foram consagrados pelo Arcebispo de Canterbury, em Uganda, no ano seguinte. miniaturadaimagem|Catedral Memorial de Mombaça Em 1956, o Church Army, braço evangelístico e de assistência social da Igreja Anglicana em todo o mundo, iniciou suas atividades no Quênia. As primeiras integrantes da união de mães foram admitidas na igreja de Kabete. Para administrar as finanças e os bens da igreja, foi criado o Church Trust em 1957, que hoje corresponde à Comissão de Igrejas do Quênia (CCK). Também no mesmo ano, foi fundada a Associação Educacional das Igrejas Cristãs (CCEA).

O primeiro Centro Cristão de Treinamento Industrial (CITC), um centro de treinamento profissional para graduados do ensino médio, foi inaugurado em Pumwani, Nairóbi, em 1959. No ano seguinte, foi formada a Província Anglicana da África Oriental, composta pelo Quênia e Tanganica, tendo L. J. Beecher como seu primeiro arcebispo. Em 1961, foram criadas as dioceses de Fort Hall, Maseno e Nakuru, a partir da grande Diocese de Mombaça. Em 1962, formou-se a Associação Missionária Diocesana nas Dioceses de Fort Hall e Nakuru. Em 1964, a Diocese de Nairóbi separou-se de Mombaça. A Bíblia em quicuio foi publicada em um único volume dois anos depois.

O primeiro arcebispo africano da igreja, o Reverendíssimo Festo Olang', foi eleito em 1970. No ano seguinte, o Conselho Consultivo Anglicano realizou sua reunião inaugural em Limuru. No mesmo ano, foram criadas as dioceses de Maseno Norte e Sul. Em 1974, foi inaugurada a Casa Imani, então sede da Igreja Anglicana do Quênia e da Diocese de Nairóbi. Hoje, a sede da igreja fica no segundo andar da ACK Garden House. No ano seguinte, a Conferência de Arcebispos Anglicanos (Mundiais) foi realizada no Trinity College, antes da 5.ª Assembleia do Conselho Mundial de Igrejas em Nairóbi. Dois anos depois, os Parceiros em Missão da Igreja Anglicana realizaram consultas em Nairóbi. Em 1975, foram criadas as dioceses do Monte Quênia Leste e Sul, a partir da diocese do Monte Quênia.

Em 1977, após o martírio do arcebispo ugandense Janani Luwum, a Igreja da Província do Quênia (CPK) solicitou ajuda internacional para refugiados. A conferência dos arcebispos das províncias anglicanas na África foi realizada em Nairóbi. A Conferência da Província Anglicana na África (CAPA) foi inaugurada em julho do mesmo ano. Em 1981, a 2.ª Consulta de Parceiros em Missão da CPK foi realizada em Mombaça, enquanto a 3.ª ocorreu em Kabare, em 1988.

Em 1990, em meio a denúncias contra o governo de Daniel Toroitich arap Moi, após ameaças, o bispo Alexander Muge foi morto em um acidente suspeito, no que se acredita ter sido orquestrado pelo governo. A sua morte levou alguns e outros líderes anglicanos a assumirem um papel público ainda mais ativo, apoiando abertamente a transição para a democracia multipartidária, especialmente com um desses bispo, David Gitari, sendo alçado a arcebispo da igreja.

Em 1994, a Igreja da Província do Quênia celebrou o 150º aniversário da chegada do primeiro missionário da CMS em Mombaça, Dr. Johann Ludwig. O Arcebispo de Canterbury, George Carey, juntou-se às comemorações. Em 1998, o nome da igreja foi alterado de Igreja da Província do Quênia para Igreja Anglicana do Quênia (ACK).

A igreja desenvolveu um plano estratégico de dez anos com foco principal em evangelização e transformação social.

Em 2025, o presidente do Quênia, William Ruto, anunciou seus planos de construir uma capela anglicana nos jardins da Casa do Estado, em Nairóbi. Ele foi criticado por vários segmentos, inclusive pelo próprio primaz da Igreja Anglicana. O presidente se defendeu, dizendo que as notícias exageravam, pois a capela não teria capacidade para 8 mil pessoas, nem custaria 1 bilhão de xelins quenianos; segundo ele, a reforma de uma capela pré-existente seria paga por ele, com dimensões e valores muito menores do que o propagado. O arcebispo Ole Sapit, considerando o local da construção, questiona o projeto por confundir a separação entre Igreja e Estado.

Membresia Em 2008, havia 4.500.000 anglicanos em uma população estimada de 43.000.000, o que representava 10,6% da população do Quênia. Em 2017, uma pesquisa quantitativa revisada por pares constatou que a ACK relatava mais de 5,86 milhões de membros no total, enquanto as estatísticas fornecidas pelas igrejas relatavam 1.565.056 membros ativos e 3.711.890 adeptos.

Segundo a igreja, em 2016, ela era formada por 256 arquidiaconias, 1.024 decanatos e 4.148 paróquias.

Arcebispos O primaz da igreja é o Arcebispo de Todo o Quênia, sediado em Nairóbi. Desde 1970, ele era o Arcebispo da Província do Quênia e o bispo de Nairóbi; mas, em 2000, foi aprovada uma resolução para a divisão da Diocese de Nairobi, o que efetivamente aconteceu em setembro de 2002, quando foi criada a Diocese de Todos os Santos, centrada na Catedral de Todos os Santos, em Nairobi, que passou a chefiada pelo primaz, então David Gitari. O título do primaz é agora "Primaz e Arcebispo de Todo o Quênia".

O atual arcebispo é o sexto desde que a Província da África Oriental foi dividida nas Províncias do Quênia e da Tanzânia:

Festo Olang', 1970 – 1980 Manasses Kuria, 1980 – 1994 David Gitari, 1997 – 2002 Benjamin Nzimbi, 2002 – 2009 Eliud Wabukala, 2009 – 2016 Jackson Ole Sapit, 2016 – presente

Ordenação de mulheres Em 1980, a Igreja Anglicana do Quênia concordou com o princípio de que as mulheres poderiam ser ordenadas, liberando cada diocese para deliberar sobre o assunto. Henry Okullu, bispo da diocese de Maseno Sul, ordenou Lucia Okuthe como a primeira reverenda do Quênia.

A Igreja Anglicana do Quênia aprovou a ordenação de mulheres ao sacerdócio na década de 1990, mas o número de mulheres sacerdotisas ainda é pequeno, considerando a natureza patriarcal da ACK. Quanto às mulheres bispas, a igreja queniana se dividia sobre a questão; o sínodo provincial de 2014 decretou uma moratória de cinco anos na consagração de mulheres bispas, a fim de dar tempo para discussões e chegar a um consenso na denominação. Mudanças no cânone, ao fim, permitiram a possibilidade.

Quando, em 2018, os primazes da Fraternidade Global de Anglicanos Confessantes (GAFCON) decretaram uma moratória sobre a consagração de mulheres ao episcopado, as igrejas do Quênia e Uganda decidiram permanecer sem consagrar mulheres bispas, apesar de defender a possibilidade, em respeito às demais igrejas do grupo.

A ACK se tornou a segunda igreja membro da GAFCON a ordenar mulheres ao episcopado: a primeira mulher nomeada bispo na Igreja Anglicana do Quênia é Emily Onyango, que foi eleita bispa assistente de Bondo em janeiro de 2021; Rose Okeno tornou-se a segunda bispa e a primeira bispa titular na história da ACK em 12 de setembro de 2021.

Relações ecumênicas Como muitas outras igrejas anglicanas, a Igreja Anglicana do Quênia é membro do Conselho Mundial de Igrejas, desde 1948, além de fazer parte da Conferência de Igrejas de Toda a África e do Conselho Nacional de Igrejas do Quênia.

Em outubro de 2009, enquanto parte do Sul Global, a liderança da igreja queniana reagiu à proposta do Vaticano de criação de ordinariatos pessoais para anglicanos descontentes, afirmando que, embora acolhesse o diálogo ecumênico e partilhasse a teologia moral com a Igreja Católica, as estruturas atuais da GAFCON já satisfaziam as necessidades espirituais e pastorais dos anglicanos conservadores na África.

Após a morte do papa Francisco, em 2025, o arcebispo Ole Sapit divulgou uma declaração lamentando o falecimento, homenageando o papa por suas ações, recordando o encontro com ele e reconhecendo-o como "um verdadeiro servo de Cristo".

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