Cristina dos Santos Pereira Martins é uma linguista portuguesa e professora associada da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. A sua investigação incide sobre linguística aplicada, sociolinguística, bilinguismo, contacto de línguas, desenvolvimento metalinguístico, português como língua não materna, avaliação psicolinguística e neuropsicológica, e língua mirandesa. Nos estudos sobre o mirandês, trabalhou desde a década de 1990. Integrou a equipa de linguistas, falantes e representantes locais envolvida na preparação da escrita mirandesa e foi coautora da Convenção Ortográfica da Língua Mirandesa, publicada em 1999. Formação e carreira académica Martins licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses e Ingleses, pela Universidade de Coimbra, em 1989. Em 1994 concluiu, na mesma universidade, o mestrado em Linguística Portuguesa com a dissertação Estudo sociolinguístico do mirandês. Padrões de alternância de códigos e escolha de línguas numa comunidade trilingue. Doutorou-se em Linguística Aplicada em 2004, também pela Universidade de Coimbra, com a tese Línguas em contacto: "saber sobre" o que as distingue. Análise de competências metalinguísticas de crianças mirandesas em idade escolar, aprovada com distinção e louvor. Iniciou a docência universitária na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra em 1990, primeiro como assistente estagiária e depois como assistente. Foi professora auxiliar entre 2004 e 2019 e professora associada a partir de 11 de dezembro de 2019. No plano institucional, foi coordenadora científica do Centro de Estudos de Linguística Geral e Aplicada entre 2006 e 2009 e diretora do segundo ciclo em Português como Língua Estrangeira e Língua Segunda da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra entre 2007 e 2023. Foi ainda vice-presidente da Associação Portuguesa de Linguística entre 2020 e 2022. Investigação Estudos mirandeses O trabalho de Martins sobre a língua mirandesa começou com a sua investigação de mestrado, centrada na alternância de códigos e na escolha de línguas numa comunidade trilingue. Nos anos seguintes publicou estudos sobre vitalidade linguística, atitudes face ao mirandês, contacto entre mirandês, português e castelhano, ensino do mirandês e efeitos sociolinguísticos da Lei n.º 7/99. Martins participou na equipa responsável pela normalização gráfica do mirandês nos anos 1990. Segundo Manuela Barros Ferreira, que co-coordenou esse processo com Domingos Raposo, a equipa reunia linguistas, falantes de mirandês e um representante da Câmara Municipal de Miranda do Douro, e incluía Cristina Martins, Ivo Castro e Rita Marquilhas entre os linguistas. A convenção ortográfica publicada em 1999 teve lugar no mesmo ano em que a Assembleia da República aprovou a Lei n.º 7/99, que reconheceu oficialmente direitos linguísticos da comunidade mirandesa. As fontes disponíveis associam Martins ao trabalho técnico de apoio ao processo legislativo de 1999, sem a apresentar como autora única da iniciativa. Numa entrevista académica publicada em 2025, Martins afirmou que Júlio Meirinhos, então deputado e antigo presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro, lhe pediu um relatório técnico para enquadrar a iniciativa legislativa que viria a dar origem à Lei n.º 7/99. Numa entrevista de 2009, Meirinhos referiu que investigadores que trabalhavam sobre o mirandês, incluindo Cristina Martins, prepararam uma fundamentação técnica e linguística para sustentar a proposta de lei. Em 2023, proferiu a conferência plenária Mirandese, quo vadis? na 44.ª conferência anual da Association for Contemporary Iberian Studies, realizada na Universidade do Porto. Em 2024-2025, foi docente responsável pela unidade curricular Mirandês: Linguística e Didática, um curso não conferente de grau da Universidade de Coimbra dirigido ao desenvolvimento de conhecimento explícito sobre a língua mirandesa e à formação didática de falantes e docentes de mirandês. Em 2025, assinou o texto editorial de um número especial do International Journal of Iberian Studies dedicado aos estudos mirandeses. Português língua não materna e projetos digitais Outra vertente da investigação de Martins é o ensino e aprendizagem do português como língua estrangeira e língua segunda. No seu currículo académico são referidos projetos e recursos como o Corpus de Produções Escritas de Aprendentes de Português L2 (PEAPL2), E-LENGUA@UC, XCELING@UC, INCLUDEED@UC, COMMUNIKITE@UC e a série de manuais Em Português. O PEAPL2, disponibilizado através do PORTULAN CLARIN, reúne produções escritas de aprendentes de português língua não materna e inclui subcorpora de português língua estrangeira, de português de Timor-Leste e de português da Guiné-Bissau. O corpus é utilizado em estudos sobre interlíngua, análise de desvios e desenvolvimento linguístico de aprendentes tardios de português europeu como língua não materna. Na Universidade de Coimbra, Martins é também associada ao grupo de investigação Português em Contacto, do CELGA-ILTEC. O seu trabalho nesta área cruza a aquisição de línguas, a didática do português língua não materna, a produção de materiais pedagógicos e a inclusão linguística de migrantes. No projeto europeu INCLUDEED, coordenou a equipa da Universidade de Coimbra associada ao Guia para a inclusão linguística de migrantes, publicado em 2022 em acesso aberto e em seis línguas. Em 2025, o Jornal de Notícias identificou-a como coordenadora, pela Universidade de Coimbra, do projeto COMMUNIKITE, que desenvolveu a plataforma digital multilingue KITE para apoio à integração linguística e cultural de imigrantes e refugiados. Psicolinguística e avaliação neuropsicológica Martins publicou também em áreas de interface entre linguística, psicolinguística e avaliação neuropsicológica, incluindo trabalhos sobre leitura, processamento de palavras, consciência fonológica e adaptação de instrumentos de avaliação para o português europeu. Com Lara Alves e Mário R. Simões, desenvolveu o Teste de Leitura de Palavras Irregulares (TeLPI), instrumento destinado à estimação da inteligência pré-mórbida em falantes de português europeu. A versão experimental do TeLPI foi apresentada na revista Psychologica em 2010, e a obra recebeu o 11.º Prémio CEGOC em 2015. Publicações selecionadas Estudo sociolinguístico do mirandês. Padrões de alternância de códigos e escolha de línguas numa comunidade trilingue (1994), dissertação de mestrado. "A vitalidade de línguas minoritárias e atitudes linguísticas: o caso do mirandês" (1997), Lletres Asturianes. Convenção Ortográfica da Língua Mirandesa (1999), coautoria. Línguas em contacto: "saber sobre" o que as distingue. Análise de competências metalinguísticas de crianças mirandesas em idade escolar (2008), Imprensa da Universidade de Coimbra. "Mirandese in contact with Portuguese and Spanish" (2014), em Portuguese-Spanish Interfaces: Diachrony, Synchrony, and Contact. "Language loss and changing identities in the Mirandese community" (2017), em Multilingualism and third language acquisition: Learning and teaching trends. Teste de Leitura de Palavras Irregulares - TeLPI (2017), coautoria. "Padrões de formação de palavras em mirandês: processos derivacionais na formação de nomes eventivos e de qualidade na escrita de tipo académico" (2019), coautoria. [A1+] em Português: manual de português língua não materna (2022), coautoria. Guia para a inclusão linguística de migrantes (2022), coedição. "Contributions for a description of the interlinguistic development of learners of European Portuguese as a non-native language" (2024), coautoria. "Mirandese studies: Language, literature, landscape and pedagogy" (2025), International Journal of Iberian Studies. Ver também Língua mirandesa Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra Centro de Estudos de Linguística Geral e Aplicada Associação Portuguesa de Linguística

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