Jorge Amado é um coquetel brasileiro originário de Paraty, no litoral sul do estado do Rio de Janeiro. Tem como base a aguardente Gabriela, uma cachaça saborizada com cravo e canela típica da região, à qual se acrescentam maracujá, limão e, conforme a versão, açúcar.
Preparado de maneira semelhante à caipirinha, por vezes é descrito como uma variação dela. O nome homenageia o escritor Jorge Amado, autor do romance Gabriela, Cravo e Canela, obra ligada à cidade e à própria aguardente que dá base à bebida. A criação do coquetel é atribuída à bartender Camila Paiva, que o consagrou ao vencer um concurso de coquetéis com cachaça de Paraty em 2014. A partir de Paraty, o drinque difundiu-se por bares do Rio de Janeiro e de outras regiões do país, sendo lembrado como o único coquetel popular brasileiro idealizado por uma mulher.
Origem A bebida tem raízes na tradição da cachaça de Paraty, um dos polos históricos de produção do destilado no Brasil. Na década de 1980, durante as filmagens na cidade do longa-metragem baseado em Gabriela, Cravo e Canela, produtores locais elaboraram uma aguardente composta de cravo e canela batizada de Gabriela, em referência à personagem vivida por Sônia Braga. Pela legislação brasileira, esse tipo de produto é classificado como aguardente composta, e não como cachaça propriamente dita. Com o passar dos anos, diferentes destilarias da região passaram a fabricar suas próprias versões da Gabriela.
O coquetel Jorge Amado surgiu como desdobramento dessa tradição. Sua autoria é atribuída a Camila Paiva, bartender de Paraty, que partiu de receitas locais já existentes, entre elas a caiçarinha, feita com limão, maracujá e cachaça branca, e a caipirela, uma caipirinha de limão preparada com a aguardente Gabriela. Combinando elementos das duas e trocando a cachaça branca pela Gabriela, chegou à receita que ganhou notoriedade em 2014, ao vencer um concurso de coquetéis com cachaça realizado na cidade. Desde então, passou a ser divulgado como coquetel símbolo de Paraty.
Preparo
O preparo aproxima-se do da caipirinha. Macera-se o limão cortado, juntam-se a polpa de maracujá e doses da aguardente Gabriela e, em parte das versões, açúcar, xarope ou outros edulcorantes; a mistura é batida com gelo e servida sem coar, em copo baixo. A receita original dispensa o açúcar, havendo variações com e sem o adoçante conforme o grau de doçura da Gabriela utilizada. O resultado é uma bebida cítrica e aromática, na qual o cravo e a canela da aguardente se somam à acidez do limão e do maracujá.
Difusão Apesar da forte identificação com Paraty, onde é apontado como bebida característica, o Jorge Amado passou a ser reproduzido em bares e restaurantes de outras cidades do Rio de Janeiro e, em menor medida, de outras regiões do país. Em textos sobre a coquetelaria nacional, é recorrentemente citado como o único drinque popular brasileiro criado por uma mulher, traço associado à trajetória de sua idealizadora. A difusão da receita acompanhou a expansão da própria aguardente Gabriela, cuja produção se espalhou entre as destilarias paratienses.
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