Nos primeiros textos da Teoria dos germes, a palavra Vibrião aparece com o mesmo significado que microorganismo, especialmente se esse fosse identificado como patogénico. O termo referia-se especificamente a microorganismos móveis, e o nome do género Vibrio deriva deste termo. O termo está intimamente ligado à história do estudo da cólera., tendo sido utilizado na literatura biológica entre o final do século XIX e a década de 1920.
Primeiras identificações Bactérias com as mesmas características que as do género Vibrio foram identificadas de forma independente em várias ocasiões, mas apenas investigações posteriores conseguiram associar estes microrganismos à cólera, ao tétano e a outras doenças.
Leeuwenhoek poderá ter observado bactérias Vibrio após a sua descoberta de "animálculos" descritos nas suas cartas à Royal Society, já que as características e comportamentos relatados são semelhantes.Kent, W. Saville (William Saville). A Manual of the Infusoria: Including a Description of All Known Flagellate, Ciliate, and Tentaculiferous Protozoa, British and Foreign, and an Account of the Organization and the Affinities of the Sponges. London: D. Bogue, 1880. Estas bactérias foram mais tarde descritas, devido ao seu aspeto fino e vermiforme, como "Enguias Capilares" na edição de 1703 da Philosophical Transactions por um autor cuja identificação se limita a "Sir C. H." O naturalista O. F. Müller documentou também oito espécies do género Vibrio na sua obra sobre infusórios.Pot, B., Gillis, M., and De Ley, J., The genus Aquaspirillum. In: Balows, A., Trüper, H.G., Dworkin, M., et al. (Eds.). The prokaryotes, 2nd ed, vol. 3. Springer-Verlag. New York. 1991
Evolução do Termo In 1854, o anatomista italiano Filippo Pacini cunhou o termo "vibriones" (vibriões) num artigo que publicou durante a terceira pandemia de cólera, apresentando-os como os principais agentes causadores da cólera. Pacini chegou a essa conclusão a partir da observação de bactérias finas e vermiformes presentes no sangue e nas fezes dos pacientes com cólera, especialmente características das fases avançadas da infeção. O Vibrio cholerae identificado por Pacini foi mais tarde redescoberto por Robert Koch em 1884, que desconhecia o trabalho de Pacini. Koch chamou-lhe "Bacilo vírgula" e recebeu fama mundial em resultado da sua descoberta.
O termo "vibrião" foi subsequentemente utilizado por Louis Pasteur em 1861 ao nomear uma bactéria que havia descoberto, o Vibryon butyrique, capaz de sobreviver num ambiente sem oxigénio. Esta bactéria foi depois identificada como sendo a mesma que as descritas por Pacini e Koch , tendo sido renomeada para Clostridium butyricum.
No início do século XX, o termo "vibrião" passou a designar, de forma genérica, microorganismos móveis com forma alongada e vermiforme, associados a doenças patogénicas como a cólera e o tétano. Também foi incorporado nos nomes criados para várias bactérias por microbiologistas da época, como em "Vibrion septique" num artigo de 1922 do The Journal of Medical Research. Numa edição de 1893 da revista Modern Medicine, o termo "vibrião da cólera" era utilizado para se referir ao Vibrio cholerae. Na mesma revista de 1893, é mencionado que o termo "vibrião" já se encontrava datado, o que realça a brevidade do período em que a palavra foi utilizada.
O termo "vibrião" entrou em desuso no final da década de 1920 e não surge de forma isolada na literatura biológica subsequente. Isto deveu-se em grande parte ao desenvolvimento mais aprofundado da taxonomia bacteriana em direção à viragem do século XIX, o que deu aos bacteriologistas uma forma mais específica de classificar os microorganismos. O termo "vibrião" acabou por ser adaptado no nome do género procariótico Vibrio.
Referências
Categoria:Microrganismos