Broken Sword: The Shadow of the Templars (também conhecido como Circle of Blood nos Estados Unidos) é um jogo de aventura point-and-click de 1996 desenvolvido pela Revolution Software. É o primeiro da série , coescrito e dirigido por Charles Cecil. O jogador assume o papel de George Stobbart (dublado por Rolf Saxon), um turista americano em Paris, enquanto ele tenta desvendar uma profunda conspiração envolvendo um culto sinistro e um tesouro escondido, viajando por vários locais da Europa e do Oriente Médio. A história do jogo foi concebida para ter um tom sério e fortemente influenciada pela pesquisa sobre os Cavaleiros Templários feita por Cecil, mas também foi permeada com humor e gráficos no estilo de filmes de animação clássicos.
O desenvolvimento do jogo exigiu um trabalho considerável para alcançar sua apresentação final. A arte foi concebida por Eoghan Cahill e Neil Breen, que desenharam os cenários a lápis e os coloriram digitalmente no Photoshop. O design do jogo ficou a cargo de Tony Warriner e David Sykes, enquanto a trilha sonora foi composta por Barrington Pheloung. O jogo foi desenvolvido com o motor gráfico Virtual Theatre da Revolution, que já havia sido utilizado pela empresa em dois jogos anteriores: e Beneath a Steel Sky.
Broken Sword foi um sucesso de crítica e público após seu lançamento em 30 de setembro de 1996. Os críticos elogiaram a história, os quebra-cabeças, a dublagem, o roteiro, a jogabilidade e a música do jogo, o que lhe rendeu diversas indicações e prêmios. As vendas superaram as expectativas da empresa, com cerca de um milhão de unidades vendidas até 2001. O jogo figurou em diversas listas dos melhores jogos de aventura, e muitos desenvolvedores citam Broken Sword como uma influência em futuros jogos do gênero.
Após seu lançamento inicial para Microsoft Windows, Mac OS e PlayStation entre 1996 e 1998, o jogo foi lançado para Game Boy Advance e, posteriormente, recebeu versões para Palm OS e Windows Mobile em 2006. O jogo deu origem a diversas sequências que, juntas, formariam a série Broken Sword: em 1997; em 2003; em 2006; e em formato episódico, entre 2013 e 2014. Uma versão estendida do jogo, , foi lançada entre 2009 e 2012 para Wii, Nintendo DS, Microsoft Windows, OS X, iOS, Android e Linux. Uma remasterização do jogo foi anunciada na Gamescom 2023, intitulada Broken Sword - Shadow of the Templars: Reforged. Foi anunciado em 16 de agosto de 2024 que o jogo seria lançado em 19 de setembro de 2024. É baseado na versão original, não no Director's Cut.
Jogabilidade Broken Sword é um jogo de aventura 2D jogado em terceira pessoa. O jogador usa uma interface de apontar e clicar para interagir com o ambiente e guiar o protagonista George Stobbart pelo mundo do jogo. Para resolver quebra-cabeças e progredir no jogo, o jogador coleta itens que podem ser combinados entre si, usados no ambiente ou dados a personagens não jogáveis (NPCs). O protagonista conversa com NPCs por meio de árvores de diálogo apresentadas através de "ícones de conversa" para aprender sobre os quebra-cabeças e o enredo do jogo. Pistas e outras informações são obtidas clicando em itens no inventário e em objetos no ambiente. O jogador navega com um mapa, ao qual novos locais são adicionados à medida que a história se desenrola. Ao contrário da maioria dos jogos de aventura da época, a morte do protagonista é possível, após a qual o jogador recomeça do último ponto de salvamento.
Enredo Durante suas férias em Paris, o turista americano George Stobbart testemunha um assassino vestido de palhaço roubar a pasta de um senhor idoso dentro de um café e matá-lo com uma bomba. George então conhece e se junta à fotojornalista Nicole Collard; ela deveria se encontrar com o senhor Plantard e está investigando uma série de assassinatos envolvendo a mesma pessoa em diferentes disfarces. George rastreia o assassino até um hotel na cidade, graças a evidências deixadas perto do café, e recupera um antigo manuscrito do cofre do hotel que o assassino, conhecido como Khan, havia roubado do senhor. George contrabandeia o documento para dois bandidos que também o procuram. George e Nicole descobrem que o manuscrito está relacionado aos Cavaleiros Templários e contém pistas sobre lugares na Europa e no Oriente Médio.
Ao descobrir que um tripé mencionado no manuscrito está exposto em um museu local, George visita o local de onde ele veio, em Lochmarne, na Irlanda. Ele descobre que o arqueólogo que o encontrou, Peagram, desapareceu, deixando um pacote aos cuidados de seu assistente. O assistente é sequestrado por Khan do lado de fora de um bar local, deixando cair o pacote. George o rastreia; ele contém uma joia mencionada no manuscrito. No local da escavação, ele encontra um mural que o leva até o Montfauçon, em Paris. Em Paris, George investiga um homem hospitalizado chamado Marquet, que queria a joia, e descobre que o tripé está prestes a ser roubado, momentos antes de Marquet ser assassinado. George e Nicole impedem o roubo e ficam com o tripé.
George encontra uma câmara secreta sob Montfauçon, nos esgotos da cidade. Ele espiona um grupo que se diz sucessor dos Templários e planeja sua ascensão, entre eles o assassino de Marquet; Marquet (que eles dizem ser "um estorvo"), Peagram e Plantard também são revelados como neotemplários. Depois que eles saem, George investiga a câmara, descobre, através da gema e do tripé, outra pista que aponta para a vila de Marib, na Síria, e viaja para lá. George descobre uma formação rochosa próxima chamada Cabeça de Touro, detalhada no manuscrito. Ele encontra, em uma caverna escondida, uma lente de vidro que os neotemplários procuravam, um ídolo do ser chamado Baphomet e um mapa de pedra da Grã-Bretanha. Khan, que estava procurando por George, chega e o encurrala, mas George engana o assassino e escapa.
De volta à casa de Nicole, George descobre, por meio dela, que um amigo, André Lobineau, descobriu seu próximo destino: uma vila na Espanha de propriedade da família De Vasconcellos. Com a permissão do único membro sobrevivente da família, George examina os jardins e o mausoléu da família e descobre o cálice da família, escondido há séculos. De volta a Paris, George localiza o túmulo de um antepassado dos De Vasconcellos em Montfauçon — onde a lente também revela, em um vitral, um templário em chamas e a data de 1314 — e investiga um local de escavação onde havia sido desenterrado outro ídolo de Baphomet, usando o cálice para encontrar outra pista que retrata uma igreja com uma torre quadrada. George investiga mais a fundo o local na Espanha e encontra um poço escondido com base em referências bíblicas retiradas do túmulo. Lá dentro, ele descobre um mural retratando um rio que atravessa um tabuleiro de xadrez.
George e Nicole reúnem pistas com a ajuda de André e descobrem que os Neo-Templários estão viajando para um local sob as ruínas de uma igreja em Bannockburn, na Escócia. O casal pega o trem noturno para chegar lá, mas Nicole é sequestrada pelos Neo-Templários. Uma senhora idosa em seu vagão se revela como Khan disfarçado, que ajuda George a derrotar os sequestradores e resgatar Nicole. Antes de morrer devido aos ferimentos, Khan, que supostamente pertence à seita Hashshashin, oposta aos Templários, explica que ele e George estavam do mesmo lado. O casal chega à igreja, onde descobre que os Neo-Templários buscam adquirir o poder de Baphomet e reforjar sua espada, a Espada Quebrada. Para impedi-los, George e Nicole destroem o local com explosivos obtidos de Khan, soterrando os Neo-Templários e destruindo as ruínas acima. Quando a explosão termina, eles se beijam.
Desenvolvimento Em 1992, Cecil e Noirin Carmody se reuniram com Sean Brennan, então diretor editorial da Virgin Interactive, e conversaram sobre como os Cavaleiros Templários seriam um tema ideal para servir de base a um jogo. Posteriormente, a Virgin concordou em lançar o jogo. Em uma entrevista concedida em setembro à revista francesa Génération 4, Charles Cecil afirmou que havia começado a trabalhar em um cenário para o terceiro jogo da Revolution, após (1992) e Beneath a Steel Sky (1994), que seria lançado em breve. O jogo seria ambientado em Paris, com uma história sobre os Templários. No mês seguinte, Cecil visitou Paris para pesquisar sobre os Templários; após ler O Santo Graal e a Linhagem Sagrada, ele se convenceu de que havia informações suficientes sobre os Templários para torná-los um bom tema para um jogo. Cecil, Dave Cummins e Jonathan Howard começaram a trabalhar na história e no design. Cecil e Cummins participaram de um curso de roteiro cinematográfico, e seu roteiro foi lido por Alan Drury, um roteirista sênior da BBC e dramaturgo. O artista da Revolution, Steve Ince, criou os esboços iniciais dos cenários para o jogo antes de trabalhar em Beneath a Steel Sky. Ele foi promovido a produtor na metade do projeto.
Apesar de ter lançado a versão para PC, a Virgin não estava interessada em publicar o jogo para PlayStation, acreditando que apenas jogos em 3D venderiam bem para o console. Como resultado, Cecil contatou a Sony Computer Entertainment, que concordou em lançar o jogo para o console. Na América do Norte, Broken Sword foi renomeado para Circle of Blood. Cecil ficou desconfortável com a mudança de nome, sentindo que dava uma impressão errada sobre o tipo de jogo que era. Em 1998, no entanto, a THQ publicou o jogo para PlayStation com o título original Broken Sword: The Shadow of the Templars.
thumb|upright|Charles Cecil, criador e diretor da série Broken Sword|alt=Um homem de camisa branca
Um dos objetivos de Cecil era se distanciar dos jogos de aventura humorísticos mais populares na época, como a série Monkey Island da LucasArts, criando um jogo com bom ritmo e uma história complexa, razão pela qual ele achava que os Cavaleiros Templários seriam um tema ideal. Ao contrário dos jogos da LucasArts, que usavam um sistema de conversação de perguntas e respostas, Broken Sword oferecia "ícones de conversa" que não revelavam ao jogador o que o protagonista estava prestes a dizer; a intenção de Cecil era tornar o jogo mais cinematográfico, mas sem se assemelhar aos filmes interativos da época; ele achava que esses jogos estavam “imitando filmes”. Ele queria criar dois protagonistas que trocassem ideias, ajudando a conduzir o jogo. Ele fez de George um americano e de Nico uma francesa para atrair os mercados dos EUA e da Europa.
A equipe da Revolution tinha grandes expectativas para Broken Sword, mas havia uma concorrência significativa. A Revolution tinha uma equipe que havia criado jogos de aventura de sucesso, mas acreditava que precisava aproveitar o melhor de outras indústrias criativas. Eoghan Cahill e Neil Breen, dos estúdios de Don Bluth, em Dublin, desenharam os cenários a lápis e os coloriram digitalmente no Photoshop. A sequência introdutória e os personagens principais foram feitos pelo animador Mike Burgess, que trabalhava para o estúdio de animação Red Rover. Os gráficos do jogo foram animados em um estilo que lembra os filmes de animação clássicos.
Cecil contatou o compositor Barrington Pheloung, que concordou em criar a trilha sonora do jogo. Por volta da época do lançamento do jogo, Pheloung declarou: "A Virgin provavelmente teria ficado satisfeita com um tema principal e algumas faixas, mas eu pensei que, em vez de criar uma trilha sonora orquestral como a de um filme, eu poderia fazer uma que interagisse com o jogo. Então, compus mais de três horas de música, o que é único no gênero, e mais de 400 faixas." Ele compôs a música para orquestra e adicionou os elementos estruturais dividindo-a em trechos sampleados.