thumb|upright=1.2|alt=Uma charge política intitulada "Reunião de Gabinete — Se Al Fosse Presidente", retratando o Papa presidindo uma reunião de gabinete dos EUA de orientação católica e Al Smith como um servidor do Papa|Uma charge política no Fellowship Forum — publicação aliada à Ku Klux Klan — que ridicularizava o catolicismo do candidato à presidência Al Smith, retratando o Papa como uma eminência parda em um cenário de possível vitória de Smith thumb|alt=Uma fotografia em sépia de um grupo de homens de terno e chapéus de palha do tipo palheta posando no Túnel Holland; os dois governadores estão de pé, na parte superior, junto a um mosaico que mostra onde "Nova York" encontra "Nova Jérsei".|O governador de Nova Iorque, Al Smith (ao centro, à esquerda), na inauguração do Túnel Holland. Diz-se que uma fotografia como esta — com uma legenda incorreta que sugeria a existência de um túnel até o Vaticano — circulou durante a eleição presidencial de 1928. A teoria da conspiração sobre a transferência do Papa para a Casa Branca foi uma crença marginal anticatólica nos Estados Unidos, surgida em meio ao pânico em relação ao romanismo no final do século XIX e início do século XX. Ela teve origem em um fato histórico real: o "Prisioneiro no Vaticano" — tendo perdido o poder temporal em Roma após 1870 — chegou a cogitar brevemente mudar-se para outra cidade europeia em busca de refúgio; contudo, a teoria da conspiração imaginou, em vez disso, um plano para estabelecer um papado em Washington que exerceria uma influência nefasta sobre todos os Estados Unidos. Durante a onda de nativismo que se seguiu à Primeira Guerra Mundial, variações dessa crença foram manifestadas por Sidney Johnston Catts, então governador da Flórida, que alegou uma tentativa do Vaticano de tomar o controle da cidade de San Antonio, na Flórida; por líderes da Ku Klux Klan em El Paso, Texas, no contexto de uma eleição contestada; e pela Klan de Indiana, que temia a construção de um "palácio de um milhão de dólares" em Washington, D.C., citando como prova uma fotografia da Catedral Nacional de Washington, uma construção da Igreja Episcopal.
Uma campanha nacional de difamação liderada pela Ku Klux Klan durante a eleição presidencial de 1928 utilizou esse conceito para atacar o governador de Nova Iorque, Al Smith — o candidato democrata e o primeiro grande candidato católico. O boato mais extremo que teria circulado — e que foi muito ridicularizado tanto na época quanto posteriormente — afirmava que uma passagem secreta, ou talvez até mesmo um túnel transatlântico, estava sendo escavada para trazer o Papa. Relatos posteriores indicam que essa história foi disseminada por meio de cartões impressos que traziam uma fotografia de Smith na inauguração do Túnel Holland, porém com uma legenda incorreta.
Após Smith perder a eleição, circulou uma piada popular de que ele teria enviado um telegrama de uma única palavra ao Papa Pio XI: "Unpack" (). Independentemente disso, a posição do Papa em Roma foi consolidada no ano seguinte com o Tratado de Latrão. No entanto, a ideia permaneceu no imaginário americano e foi objeto de muitos comentários durante a campanha presidencial de John F. Kennedy em 1960 e sua eleição como o primeiro presidente católico. O próprio Kennedy havia feito referência a esse mito no jantar do Gridiron Club em 1958, prometendo em tom de brincadeira nomear o bispo metodista Garfield Bromley Oxnam como "enviado pessoal ao Vaticano e incumbi-lo de iniciar imediatamente as negociações para um túnel transatlântico".
Durante a eleição de 1960, Louis Harris, o especialista em pesquisas de Kennedy, indagou especificamente sobre a questão do "túnel" na disputa da Virgínia Ocidental; como um grande número de eleitores considerava verossímil essa história — assim como outros boatos anticatólicos —, Kennedy viu-se levado a abordar a questão religiosa de maneira mais direta. Uma pesquisa realizada por Harris em janeiro de 1960 revelou que 19% dos prováveis eleitores da Virgínia Ocidental encaravam o catolicismo de Kennedy como um ponto negativo. Após Kennedy abordar publicamente o tema de sua religião, Harris entrevistou novamente vários eleitores e "constatou que muitos agora pretendiam votar em Kennedy para demonstrar que os habitantes da Virgínia Ocidental não eram intolerantes".
A comparação histórica foi levantada novamente na eleição de 2008 devido a teorias da conspiração de cunho religioso envolvendo Barack Obama.
Ver também Lista de presidentes dos Estados Unidos por afiliação religiosa
Referências
Categoria:Eleição presidencial nos Estados Unidos em 1928 Categoria:Eleição presidencial nos Estados Unidos em 1960 Categoria:Eleição presidencial estadunidense de 2008 Categoria:Anticatolicismo nos Estados Unidos Categoria:Teorias da conspiração relacionadas ao papado Categoria:Teorias da conspiração nos Estados Unidos Categoria:Relações entre Estados Unidos e Santa Sé Categoria:História do papado Categoria:História do transporte no Oceano Atlântico Categoria:Túneis propostos