Sami Sharaf (; 20 de abril de 1929 – 23 de janeiro de 2023) foi um oficial militar egípcio que ocupou diversos cargos durante a presidência de Gamal Abdel Nasser. Sua atuação pública chegou ao fim em maio de 1971, quando foi detido e posteriormente preso pelas autoridades egípcias sob a presidência de Anwar Sadat.

Primeiros anos e formação Sharaf nasceu em Heliópolis, no Cairo, em 20 de abril de 1929. Seu pai, Mohamed Abdel Aziz Sharaf, era médico — formado em Edimburgo, no Reino Unido — e atuou como diretor da província de Beni Suef. Sami tinha cinco irmãos.

Sharaf formou-se na Academia Militar em fevereiro de 1949. Um de seus professores na academia foi Gamal Abdel Nasser.

Carreira e atividades Após se formar, Sharaf ingressou no exército. Em janeiro de 1953, foi preso durante a repressão contra a artilharia e encarcerado. Depois de ser libertado, passou a trabalhar na unidade de inteligência militar. Ele integrava a ala de esquerda do Movimento dos Oficiais Livres.

Sharaf era o chefe do Gabinete da Presidência. Ele era o principal responsável pela segurança do presidente Gamal Abdel Nasser, integrando a equipe de apoio pessoal do líder.

Em 28 de setembro de 1961, Sharaf foi nomeado Ministro de Estado para Assuntos Presidenciais. Quando o Movimento Nacionalista Árabe entrou em conflito com os sírios e a República Árabe Unida foi dissolvida em 1961, o MNA estabeleceu laços diretos com o Egito sob a coordenação de Sharaf. Ele era membro da União Socialista Árabe e integrava sua unidade secreta, a Vanguarda Socialista (), também conhecida como Organização de Vanguarda. A unidade foi criada em 1963 e era liderada por Sharaf e Sharawi Gomaa. O rei Faisal, da Arábia Saudita, alegou que Sharaf estava envolvido em uma conspiração contra ele em junho de 1969. Em 1971, Sharaf era um dos dez membros do secretariado da Vanguarda.

Sharaf atuou como Ministro de Estado durante a presidência de Anwar Sadat. Seu mandato terminou em 13 de maio de 1971, quando renunciou ao cargo. Ele foi sucedido por Muhammad Ahmad Muhammad como Ministro de Estado em 14 de maio.

Pouco depois de sua renúncia, Sharaf foi preso devido ao seu suposto envolvimento em um plano de golpe para derrubar Anwar Sadat. O motivo da prisão de Sharaf e de outras autoridades, como Sharawi Gomaa, foi o fato de contarem com o apoio da União Socialista Árabe, de figuras de esquerda ligadas à revista Al Tali'a e das elites empresariais. Sharaf foi condenado à morte, mas, em dezembro de 1971, sua pena foi comutada para prisão perpétua. Ele foi libertado da prisão em 15 de maio de 1981. Sharaf foi um dos cofundadores do Partido Democrático Nasserista Árabe, mas posteriormente deixou a legenda.

Sharaf era anticomunista e apoiava o estabelecimento de um Estado capitalista. No entanto, ele foi considerado um agente soviético a partir de 1955. Após sua destituição do cargo em 1971, Ashraf Marwan — genro de Nasser e oficial de inteligência que trabalhava sob as ordens de Sharaf — foi encarregado de coordenar as atividades de inteligência. Em 2011, Sharaf integrava o Comitê Egípcio da Organização de Solidariedade dos Povos Afro-Asiáticos.

Sharaf publicou um livro de memórias, Sanawat wa ayam ma‘ Jamal ‘Abd al Nasir: Shahadat Sami Sharaf, em 2006. Ele colaborou com os jornais egípcios Al-Ahram e Al-Masry Al-Youm, e seu último artigo foi publicado em 8 de abril de 2021.

Vida pessoal e morte Sharaf era casado e tinha quatro filhos. Ele faleceu no Cairo em 23 de janeiro de 2023, aos 93 anos. As orações fúnebres foram realizadas no Cairo e contaram com a presença de Abdel Hakim Abdel Nasser, filho de Gamal Abdel Nasser.

Na cultura popular Sami Sharaf foi personagem nos filmes egípcios Nasser 56 (1996) e Dias de Sadat (2001). Ele foi interpretado por Slimane Dazi em O Anjo, filme israelense da Netflix de 2018.

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