Like a Prayer é o quarto álbum de estúdio da artista musical estadunidense Madonna. O seu lançamento ocorreu em 21 de março de 1989, através das gravadoras Sire e Warner Bros.. Depois de atuar no filme Who's That Girl (1987) e na peça Speed-the-Plow, da Broadway — ambos os quais não foram bem recebidos criticamente —, a cantora deu início à concepção do disco; entretanto, ela passou por um distúrbio emocional devido à má recepção de seus projetos como atriz, seu divórcio do ator Sean Penn e seu aniversário de 30 anos, idade com a qual sua mãe morreu. Ela tinha algumas questões em sua mente que ainda não haviam sido compartilhadas ao público, incluindo sua conturbada relação com Penn, sua família, a perda de sua mãe e até mesmo a sua crença em Deus, e decidiu que esses tópicos poderiam servir como inspiração para a direção musical do projeto. Após procurar suas anotações pessoais, Madonna começou a considerar suas opções, decidindo utilizar uma abordagem mais adulta e sofisticada para o trabalho, percebendo que ao passo em que ela amadurecia, seu público aumentava.

Gravado entre setembro de 1988 e janeiro de 1989 em estúdios situados em Nova Iorque, Califórnia e Minneapolis, Like a Prayer é um álbum de música pop que incorpora elementos de gêneros como dance, rock, funk, gospel e soul, e utiliza instrumentação ao vivo e inclui outros como bateria, baixo, guitarra, percussão, trompa e cordas. Produzido pela própria cantora em conjunto com Stephen Bray, Patrick Leonard e Prince — com este último participando de "Love Song" —, o disco foi descrito por ela como uma coleção de canções sobre sua mãe, seu pai e os laços com sua família. Liricamente, suas faixas tratam de temas como a infância e a adolescência da intérprete, sua relação com seu pai, a morte de sua mãe, sua educação católica, a importância da família e a capacitação feminina.

Like a Prayer foi recebido com análises predominantemente favoráveis por críticos musicais, que elogiaram os vocais de Madonna, suas habilidades como compositora, a instrumentação contida no trabalho, e sua natureza introspectiva. Alguns resenhistas elogiaram sua variedade musical, sua produção e as questões pessoais da artista refletidas nas faixas, e descreveram-no como o seu melhor trabalho até então. Comercialmente, o disco também obteve uma recepção positiva. Atingiu o topo das tabelas musicais de diversas nações, como Alemanha, França, Itália, Noruega e Reino Unido, listando-se nas dez primeiras colocações em todas onde entrou. Em território estadunidense, converteu-se no terceiro álbum de Madonna a culminar na Billboard 200, permanecendo no topo da tabela por seis semanas consecutivas e obtendo o maior período em que um trabalho seu permaneceu no cume do periódico. Foi certificado como platina quádrupla pela Recording Industry Association of America (RIAA), denotando vendas de quatro milhões de unidades no país, comercializado um adicional de 575 mil cópias na nação após o advento da Nielsen SoundScan. Mundialmente, vendeu mais de 15 milhões de unidades.

Seis singles foram lançados a partir do álbum, dos quais a faixa homônima, "Express Yourself" e "Cherish" obtiveram melhor desempenho, com destaque para o primeiro que culminou na Billboard Hot 100. A divulgação do disco contou com uma performance nos MTV Video Music Awards de 1989, o lançamento do extended play (EP) Remixed Prayers no Japão e a turnê Blond Ambition World Tour (1990). Com o lançamento dos vídeos musicais das faixas trabalho de Like a Prayer promoveu sua criatividade e tornou-se conhecida como uma figura de destaque no formato. A gravação audiovisual da canção título causou grande controversa religiosa por utilizar iconografia católica como estigmas e cruzes em chamas, bem como um sonho sobre fazer amor com um santo, e fez com que o Vaticano condenasse o projeto e levou a Pepsi a cancelar o contrato de patrocínio de 5 milhões de dólares com a cantora. O vídeo de "Express Yourself", por sua vez, foi o mais mais caro feito até então. Ao final da década de 1980, ela foi nomeada a "Artista da Década" por diversos meios de comunicação, incluindo as revistas musicais Billboard e Musician, e o canal televisivo MTV. Anos mais tarde, Like a Prayer foi reconhecido pela revista musical Rolling Stone como um dos 500 melhores álbuns de todos os tempos.

Antecedentes thumb|left|upright|Madonna durante a turnê Who's That Girl World Tour, 1987. 1988 foi um ano tranquilo nos projetos fonográficos de Madonna. Após a falta de sucesso crítico e comercial de seu filme Who's That Girl (1987), ela atuou na peça Speed-the-Low da Broadway. Entretanto, a má recepção crítica causaram seu desconforto novamente. Seu casamento com o ator Sean Penn terminou, e o casal concluiu o processo de divórcio em janeiro de 1989. A cantora completou 30 anos, idade em que sua mãe havia falecido, e por essa razão, ela passou por um distúrbio mais emocional. Em entrevista para a Interview publicada em maio de 1989, a artista comentou que sua educação católica lhe deu um sentimento de culpa o tempo todo:

Entretanto, Madonna percebeu que conforme ela amadurecia, seu público aumentava. Sentido a necessidade de tentar algo diferente, a musicista queria que o som de seu novo álbum indicasse o que poderia ser popular no mundo da música. Para ideias líricas de "Like a Prayer", ela escolheu tópico que, até então, eram apenas mediações pessoais que nunca deveriam ser compartilhadas com o público. Cuidadosamente, ela pesquisou suas anotações pessoais e seus diários, e começou a considerar suas opções. A intérprete lembrou: "O que eu queria dizer? Eu queria que o álbum e canção falassem coisas [que estavam] na minha mente. Foi uma época complexa na minha vida". A artista decidiu utilizar uma abordagem mais adulta e contemporânea. Ela tinha alguns pensamentos em mente, incluindo sua conturbada relação com Penn, sua família, a perda de sua mãe e até mesmo sua crença em Deus, e achou que estas questões poderiam servir como inspiração para a direção musical do projeto. Para a revista SongTalk, Madonna comentou: "No passado, eu escrevi um monte de canções [que revelaram o meu eu interior], mas eu senti que elas eram muito honestas, muito demasiadas ou muito assustadoras, e decidi não gravá-las". Ela também percebeu que conforme ela e seus fãs estavam amadurecendo, era a hora de se afastar do apelo adolescente e ir para um público mais vasto, e encaixar isso na longevidade do mercado do álbum.

Desenvolvimento

Grande parte do aspecto "sombrio" de Like a Prayer surgiu a partir do que estava acontecendo ao redor de Madonna enquanto ela apresentava Speed-the-Plow em Nova Iorque. Ela considerava seu personagem "incrivelmente desgastante e espiritualmente deprimente", assim como o cenário. Sentimentos como introspecção, frustração e desespero começaram a nascer nela. A artista confessou que devido ao estado de espírito em que se encontrava na época, lidava com muita tristeza, o que não enfrentava há muito tempo e que se refletia a cada noite. Juntamente com isso, o papel que a igreja desempenhou em sua vida tornou-se um problema subjacente que ela decidiu refletir em sua composição. Em seu próximo disco, Madonna partiu para curar musicalmente suas feridas emocionais e religiosas; para isso, ela trabalhou com os produtores Stephen Bray e Patrick Leonard, com quem já havia colaborado em seu álbum de estúdio anterior True Blue (1986) e na trilha sonora de Who's That Girl (1987), enquanto ela considerava suas alternativas, os produtores criaram individualmente faixas instrumentais e ideias musicais para apresentar a ela. Embora se conhecessem e já tivessem trabalhado com a cantora, havia uma certa competição entre eles para ver quem conseguia mais músicas em um de seus álbuns. Ambos trouxeram seu próprio estilo ao projeto; Bray tinha predileção por faixas dance pop, enquanto Leonard tinha um estilo mais melódico. Madonna estava ciente da dinâmica de relacionamento entre os dois e notou que a tensão era boa para a exercitar a criatividade, opinando: "Gosto quando as pessoas se enfrentam. Eu até gosto quando eles me encaram. Se você quer criatividade, você deve ter faíscas. Eu sou a favor disso."

Eventualmente, a vocalista sentiu que a música apresentada a ela por Leonard parecia ser mais interessante, e então começou a trabalhar mais intensamente com ele. Segundo ela, Leonard também enfrentava turbulências emocionais. Em 6 de janeiro de 1989, após um pedido de divórcio anulado no final de 1987 e várias brigas divulgadas, uma das quais levou a uma pena de prisão de 60 dias, Madonna e Penn se divorciaram. Este incidente inspirou a música "Till Death Do Us Part". O resto das canções foram escritas em duas semanas, com "Like a Prayer", "Cherish" e "Spanish Eyes" sendo escritas na primeira semana. De acordo com Leonard, "nós escrevíamos uma música por dia, e não as mudávamos. E muitas vezes o vocal que ela fazia era o vocal principal, nós nem mesmo fazíamos correções vocais. Era isso. Ela cantou. Estava pronto". O cantor Prince tocou guitarra em três canções do álbum, "Like a Prayer", "Keep It Together" e "Act of Contrition", embora não tenha sido creditado em nenhuma delas. Ele e Madonna também trabalharam juntos na faixa "Love Song", que foi gravada no Prince's Studio em Paisley Park; "Nós éramos amigos e conversamos sobre trabalhar juntos, então fui para Minneapolis para escrever algumas coisas com ele, mas a única coisa que realmente gostei foi 'Love Song' [...] Acabamos escrevendo à distância, porque eu tinha que estar em Los Angeles e ele não podia sair de Minneapolis e, francamente, eu não suportava Minneapolis. Quando fui lá, estava 20 graus abaixo de zero e eu e senti-me desolada. Eu estava infeliz e não podia escrever ou trabalhar nessas circunstâncias", lembrou Madonna.

O trabalho com Bray foi semelhante; assim, ele mandava para ela uma fita cassete com algumas ideias e então eles se encontravam e trabalhavam nos arranjos daquelas demos que ela havia escolhido. Ele compunha um verso ou um refrão e depois com Madonna acrescentavam a ponte. Assim como Leonard, este se encarregou das letras e interveio nos retoques finais; De forma metafórica, Bray comentou: "Sempre fiz a caixa torácica e o esqueleto das canções, ela está lá para as últimas coisas como as sobrancelhas e o corte de cabelo, suponho". Somado a isso, ele indicou que as canções eram muito sinceras e, enquanto True Blue focava em abordar o amor, Like a Prayer marcou o início de outro capítulo mais "introspectivo". Os dois criaram "Express Yourself", "Keep It Together", "First Is a Kiss" e "Love Attack", embora os dois últimos não tenham sido incluídos no álbum, pois não se encaixavam na vibração "denominacional" do restante das músicas e por Madonna sentir que elas não eram "sinceras" o suficiente na época. Trabalhando de perto com a cantora, Bray chegou à conclusão de que "eu precisava fazer esse disco, tenho certeza. Acho que foi meio catártico para ela". Dentro de semanas, Madonna sentiu que havia material suficiente para um álbum inteiro. Ela afirmou que havia alguns poucos temas que estavam presentes em todas as canções desenvolvidas — catolicismo, família, infância e relacionamentos —, então ela descartou aquelas que não seguiam esses assuntos.

Estrutura musical Temas e influências na composição