40 Espontâneos, em Lisboa, foi um espetáculo de dança contemporânea, da coreógrafa María José Ribot Manzano, conhecida como “La Ribot”, ocorrido, no palco do Teatro Camões, no dia 22 de novembro de 2006, protagonizado por quarenta intérpretes, com idade superior a 40 anos, sem experiência performativa, tendo por tema os espontâneos das touradas, ou seja aquelas pessoas que do público inopinadamente saltam para a arena das praças de touros, transgredindo todas as regras, ofuscando a lide dos profissionais que se estão a exibir e colocando em risco a segurança e vida dos próprios e de terceiros . Ficha técnica Teve a participação de: Concepção e direção: La Ribot Interpretação: Os Espontâneos Assistentes de direção: Juan Dominguez, Corinne Garcia, Tania Arias Winogradow Desenho de luz: Daniel Demont Cenário e figurinos: Karine Vintache e La Ribot Diretor técnico: Erik Houllier Produção: La Ribot, 36 Gazelles, Londres Coprodução: Suíça (La Bâtie-Festival de Genève) e francesa (Le Quartz de Brest, e, em Paris: Festival d’Automne, Thêatre de la Ville e Centre Pompidou) Gabinete de produção: Parano Fondation, Genebra Management: Maria-Carmela Mini Local: Teatro Camões (Diretora Ana Pereira Caldas e programador Mark Deputter) Patrocinadores: Fondation suisse pour la culture Prohelvetia e Fundação EDP Elenco Os intérpretes dos 40 Espontâneos de Lisboa foram escolhidos em audições, entre indivíduos sem experiência cénico-performativa e com mais de 40 anos de idade – pela circunstância da coreógrafa La Ribot considerar que a partir dessa fasquia etária as pessoas são mais maduras, livres e responsáveis, bem como tendem a ter uma abordagem menos formal e mais conceitual em relação aos seus corpos, não se interessando em copiar os outros e sendo os seus gestos mais autênticos, – e o elenco foi integrado por Luísa Alegre (professora), Carlota Amorim, Alexandra Andrade (Maria Alexandra Raimundo Chaves da Silva Moreira de Andrade) (técnica superior assessora principal e chefe da Divisão de relações externas e protocolo, do departamento de apoio à presidência, da Câmara Municipal de Lisboa), Clara Agapito (gestora), Helena Almeida, Ana Azevedo, Esmeralda (professora), Paula Bárcia (professora de História e produtora de espetáculos cénicos), Elsa Maria Bidarra (estatísticas e tecnologias da informação, pintora e artesã), Maria Bragança, Ana Contumélias (socióloga, jornalista e dirigente associativa), Maria João Fonseca (técnica de informática), Teresa Goes, Manuela Goucha Gomes (p. 12) (produtora da RDP/RTP), Teresa Gonçalves (técnica oficial de contas), Lígia Lima, Maria Miguel Lucas, Isabel Martins, Ana Oliveira, Teresa Palma (professora de educação física), Teresa Joana, Beatriz Sousa Pereira, Mafalda Pinto (socióloga, pós-graduada em gestão cultural, técnica de estudos de mercado), Ana Paula Sobral (secretária), Maria Amélia Ramos, Manuela Rodrigues, Manuela Rosado, Maria Soares, Sónia Doutel Vaz (socióloga), Constança Violinha, António Adão (professor de eletrónica), Miguel Colaço d’Aguiar (professor de português para estrangeiros e guia cultural), Carlos Cordeiro, Sérgio Gama (juiz de Direito no tribunal de família), Rui da Rosa (professor de artes plásticas, ceramista e pintor), Raul Pinheiro Henriques (economista, empresário, designer, artesão e tradutor), Francisco Reis, José Miguel Sequeira (gestor) e Miguel ViegasCONTUMÉLIAS, Ana, "Cinco dias com La Ribot – A história do «espontâneos»", Notícias magazine, suplemento do Jornal de Notícias, Diário de Notícias e Diário de Notícias (Madeira) de 14 de janeiro de 2007. Consultado em 5 de julho de 2026. Contexto O espetáculo “40 Espontâneos”, de Lisboa, inseriu-se no «Ciclo Como Tu e Eu» (10 a 26 de novembro de 2006), da programação do Teatro Camões, também integrada pelas representações cénicas Nightshade, Trio Multiplicado (ou Trio X), Natural, Nus Meios e Projecto(R)Existir, tendo os seis em comum serem executados por não profissionais do mundo da dança, sendo, por isso, os seus interpretes, todos voluntários, pessoas não familiarizadas com os mecanismos da produção da dança contemporânea.

Antecedentes Precedendo o espetáculo “40 Espontâneos” realizado em Lisboa, em novembro de 2006, tinham ocorrido em Espanha, Áustria, Reino Unido, França, Portugal e Brasil, mais as seguintes representações desta peça de dança contemporâneaFolha de sala, do Teatro Camões”, «Ciclo Como Tu e Eu 10 a 26 Nov 2006 40 Espontâneos Novembro 22 às 21:00». Consultada em 5 de julho de 2026: Em 22 de outubro de 2006, Festival de Otoño, Madrid; Em 16 de setembro de 2006, Tanzquartier, Viena; Em 29 de abril de 2006, Nott Dance, Nottingham; Em 18 de fevereiro de 2006, New Moves International, Glasgow; Em 29 de outubro de 2006, Dance Umbrella, Londres; Em 18 de junho de 2006, CDC, Toulouse; Em 18 de junho de 2005, Marseille Objectif Danse, Marselha; Em 21 de novembro de 2004, Festival d’Automne / Thêatre de la Ville – Centre Pompidou, Paris ; Em 7 de novembro de 2004, Festival Panorama, Rio de Janeiro; Em 10 de junho de 2004, Teatro Carlos Alberto, Porto; Em 23 de abril de 2004, Le Quartz, Brest.

Depois deles apenas teve lugar, em 21 de março de 2007, o espetáculo levado à cena no Bonlieu scène nationale, em Annecy (França).

Antes dos acima assinalados espetáculos ocorreram os seguintes workshops preparatórios: em 2002 no Centre Choréographique Montpellier, em 2003 no La Bâtie-Festival de Genève e na Casa Hoffman, em Curitiba e, em 2004, na École Supérieure des Beaux-Arts, Genève, na Artsadmin, Londres e no Centro Cultural de España, Santo Domingo. Sinopse O espetáculo, que tem uma hora de duração, começa com a maioria dos intérpretes em palco, mas também com alguns deles infiltrados na plateia sentados entre o público e aí permanecendo anónimos, como se público fossem, nos primeiros instantes da performance, mantendo as suas roupas da representação escondidas debaixo das poltronas. Entretanto, no palco os intérpretes que aí se encontram vão recolhendo objetos dispersos, organizando-os em uma pilha e vestindo-se com as roupas que estavam caídas no chão reunidas em uma colcha de retalhos colorida. A dada altura os intérpretes infiltrados na plateia levantam-se, recolhem e vestem as suas roupas cénicas e encaminham-se para o palco, que invadem como o fazem os “espontâneos” na tourada –, fonte de inspiração deste espetáculo – saltando inesperadamente para a arena, como um toureiro “não treinado”, infringindo as regras oficiais do espetáculo tauromáquico, apesar do perigo, acrescentando-lhe uma dose desnecessária de risco e exasperando os aficionados, tentando assim roubar a atenção do público do toureiro profissional e perturbando a lide deste em curso, num gesto transgressor em que o espectador, rompendo a com a formalidade instituída, de súbito se torna performer. Aliás, na peça é importante a presença da luz, sempre acesa e da cor vermelha em objetos, roupas e tecidos, remetendo-nos, a cada passo, para a “festa brava” e ao sangue nela presente. Os intérpretes deambulam, atuando sem marcação, seguindo o impulso do momento, sobem a móveis, observando ostensivamente a reação do público na sala, sempre rindo a bom rir, abraçam-se, seguram-se e derretem os seus corpos, quer sentados em cadeiras, quer uns nos outros, tal como depois o fazem no final deslizando lentamente até se fundirem no chão do palco e ficarem estáticos, depois de, previamente, numa corrida sentida como uma urgência, terem desfeito as pilhas de cartões que se encontram nas fronteiras do espaço de atuação e com eles taparem todo o chão do palco até aí coberto de tecidos coloridos. O movimento, e metaforicamente a vida do grupo, esvai-se, à medida que a cor vai desaparecendo. Tudo termina, sem risos, e com o palco, em silêncio, coberto de corpos, só corpos, tal como sucede numa fotografia do set do filme «Spartacus» (1960), realizado por Stanley Kubrick e ganhador de quatro Oscars, parcialmente rodado em Espanha com intérpretes espanhóis, que La Ribot admite a ter inspirado, “que mostra centenas de falsos ‘escravos rebeldes’ salpicados de sangue, deitados num campo, todos fingindo-se de mortos – mas ao mesmo tempo, brandindo grandes cartas numeradas para a câmara”. Ao longo do espetáculo o riso assume papel primordial. Os intérpretes dão desde pequenas risadas até risadas altas e quase maníacas, sem motivo aparente, por vezes mesmo gargalhadas algo violentas, trágicas, aterradoras e angustiantemente sinistras e grotescas, mas criando, essa hilaridade desenfreada, cumplicidade entre si, bem como divertindo e contagiando o público, algo confuso, e nalguns casos chocado, sobre a sua dimensão e sentido, perante um estado de riso contínuo e inexplicável. Explorar o ato físico de rir e chorar (deixando de lado o aspeto emocional) fez parte da formação que os 40 espontâneos (performers não profissionais) receberam durante os quatro dias de ensaios com La Ribot.

Ligações externas 40 Espontâneos de Lisboa (vídeo/fotos) Cinco dias com La Ribot – 40 Espontâneos – Lisboa 40 espontaneos brest 04 fotos do espetáculo 40 Espontâneos Espontâneo em praça de touros Espontâneo em praça de touros

Categoria:Dança de Portugal Categoria:Peças de teatro Categoria:Peças de teatro de Portugal Categoria:2006 em Portugal