O septo orbitário é uma membrana fibrosa e bilaminada de tecido conjuntivo denso que atua como a principal barreira anatómica, mecânica e imunológica da região periocular, delimitando com precisão a fronteira entre as estruturas superficiais da pálpebra (espaço pré-septal) e o conteúdo neurovascular profundo da cavidade ocular (espaço pós-septal). Esta estrutura contínua estende-se a partir do arco marginal — a linha de fusão onde o periósteo dos ossos da órbita se espessa na margem orbital —, projetando-se verticalmente para se fundir com a aponeurose do músculo elevador na pálpebra superior e com a fáscia capsulopalpebral na pálpebra inferior, ancorando-se firmemente nas respetivas placas tarsais. A sua integridade é vital para reter os tecidos moles intraorbitários, funcionando como uma cinta de contenção que impede a herniação das bolsas de gordura orbitária anterior, um fenómeno cujo relaxamento natural devido ao envelhecimento resulta no aspeto clínico de «bolsas nos olhos». Na medicina de emergência e na oftalmologia, o septo assume um papel crítico no diagnóstico diferencial e no prognóstico de infeções faciais: a celulite pré-septal, localizada anteriormente à membrana, apresenta um curso clínico geralmente benigno e responsivo a cuidados ambulatórios; em contraste, a celulite orbitária (pós-septal) representa uma emergência médica severa que transpõe esta barreira, ameaçando a visão por compressão do nervo ótico e com risco de disseminação intracraniana fatal, como a trombose do seio cavernoso ou meningite. Adicionalmente, devido à sua posição estratégica e à sua relação íntima com os feixes vasculares e os músculos oculomotores, o septo orbitário serve como o mapa de navegação cirúrgica mais importante para cirurgiões plásticos e oculoplásticos durante a realização de blefaroplastias estéticas, correções de ptose palpebral e descompressões orbitárias na orbitopatia de Graves.https://revanatomie.ro/pdf/2019_3_1.pdf

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