Um Verão de Lenço Vermelho () é o primeiro livro de uma série de romances de formação escrita pela dupla russo-ucraniana Katerina Silvánova e Elena Malíssova. A série ganhou ampla notoriedade por sua narrativa envolvente e pela representação de temas LGBTQ+ no contexto da União Soviética. Desde sua publicação pela editora independente Popcorn Books, as obras receberam tanto aclamação da crítica quanto controvérsia. miniatura|Ensaio da orquestra no acampamento pioneiro "Vostok", em 1982. Os pioneiros soviéticos usavam o característico lenço vermelho da Movimento dos Pioneiros, conforme retratado na série de romances.|300x300px

Antecedentes A série começou como uma publicação online no site de fanfiction Ficbook.net, voltado para a Comunidade dos Estados Independentes. Inicialmente, o romance possuía uma base pequena, porém fiel, de leitores, até ser descoberto e publicado pela Popcorn Books, uma editora independente especializada em literatura queer. A obra rapidamente conquistou popularidade entre adolescentes e jovens adultos, alcançando posteriormente um público adulto expressivo. Nos seis primeiros meses após seu lançamento, no final de 2021, o romance vendeu mais de 200 mil exemplares.

Livros da série Um Verão de Lenço Vermelho (em russo: Лето в пионерском галстуке): primeiro livro da série, narra a história de Yura (Yury Ilyich Konev), um tímido adolescente de 16 anos que participa de um acampamento pioneiro na República Socialista Soviética da Ucrânia durante o verão de 1986, e Volodya (Vladimir Lvovich Davydov), um universitário de 18 anos que atua como líder de seu grupo. À medida que os dois jovens se apaixonam e descobrem sua sexualidade, enfrentam o risco de serem denunciados e condenados a até cinco anos de prisão caso o relacionamento seja descoberto. O romance aborda temas como amor, perda e identidade em uma sociedade em transformação. Em 2022, tornou-se o livro de ficção mais vendido da Rússia.

O Silêncio da Andorinha (em russo: О чём молчит Ласточка): é a sequência de Verão de Lenço Vermelho. A obra acompanha Yura e Volodya vinte anos após os acontecimentos do primeiro romance. O livro foi um sucesso de crítica e de vendas, comercializando mais de 100 mil exemplares em apenas dois meses. Entretanto, em dezembro de 2022, tanto este romance quanto o primeiro foram proibidos pelo Parlamento da Rússia em decorrência da adoção de uma nova lei que ampliou a proibição da chamada "propaganda gay", passando a abranger também adultos. Posteriormente, por meio do Patreon, as autoras lançaram uma versão revisada da sequência dividida em dois livros: O Silêncio da Andorinha e Sinfonia de Águas Negras.

Sinfonia de Águas Negras (em russo: Симфония чёрной воды): é a continuação de O Silêncio da Andorinha, publicada em formato de livro eletrônico e distribuída por meio do Patreon.

Recepção Um Verão de Lenço Vermelho e sua sequência conquistaram muitos seguidores em plataformas de redes sociais, como o TikTok (em especial a comunidade ''BookTok''), onde fãs produziram conteúdos para demonstrar sua admiração pela história e pelos personagens. A plataforma registrou um aumento de vídeos criados por fãs, incluindo reações emocionadas ao desfecho do livro e diversas homenagens criativas. O romance foi descrito como uma obra "direta" e "escrita com sensibilidade", retratando de forma delicada o relacionamento entre Yura e Volodya, bem como a experiência de se apaixonar pela primeira vez.

Controvérsia A popularidade dos livros chamou a atenção de parlamentares russos e de ativistas contrários aos direitos LGBTQ+, que iniciaram uma campanha para proibir as obras devido ao seu conteúdo. As autoras passaram a receber ameaças de morte e foram forçadas a deixar a Rússia. A controvérsia em torno da série desencadeou um debate contínuo sobre a liberdade de expressão e a representação LGBTQ+ na literatura. Críticos afirmam que a recente repressão legislativa aos direitos LGBTQ+ e à liberdade de expressão na Rússia, como o artigo 6.21, produziu um efeito intimidatório sobre o mercado editorial e ameaça os poucos direitos que ainda permanecem no país.

Como resposta à repressão, algumas editoras e livrarias passaram a praticar autocensura, retirando de circulação conteúdos considerados potencialmente arriscados e livros como Um Verão de Lenço Vermelho. A natureza ampla e ambígua da legislação deixou muitos profissionais do setor editorial incertos quanto às obras que poderiam ser alvo das restrições.

Apesar dessas dificuldades, Silvánova e Malíssova. permanecem comprometidas em compartilhar seu trabalho com os leitores. As autoras acreditam que seu público encontrará maneiras de acessar os livros, apesar da legislação restritiva.

Em novembro de 2024, o regime de Lukashenko incluiu o livro na "lista de publicações impressas que contêm mensagens e materiais informativos cuja distribuição pode prejudicar os interesses nacionais da Bielorrússia".

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