O Verticillium alboatrum é um fungo fitopatogénico vascular pertencente à divisão Ascomycota que desempenha um papel devastador na agricultura à escala mundial, sendo o agente causal da verticiliose ou murchidão do verticílio. Descrito originalmente em 1879 pelos cientistas alemães Johannes Reinke e Gottfried Berthold, este organismo coloniza o xilema de uma vasta gama de hospedeiros economicamente cruciais a nível global, tais como a batateira, o tomateiro, a alfafa e o lúpulo, bloqueando de forma progressiva o fluxo interno de água e nutrientes minerais. Diferentemente de outros patógenos do solo semelhantes, o V. alboatrum caracteriza-se por não formar microescleródios reais, sobrevivendo nos resíduos orgânicos das culturas através de um micélio de repouso escuro ou de conídios de resistência, fator que torna a sua erradicação dos campos infetados uma tarefa extremamente complexa para os produtores agrícolas. Os sintomas macroscópicos incluem a murchidão foliar tipicamente assimétrica, a clorose marginal, a necrose precoce dos tecidos vegetais e um característico descoloramento castanho-escuro nos feixes vasculares do caule central. A infeção fúngica ocorre geralmente pelas raízes subterrâneas através de microferidas ou por penetração celular direta, progredindo com grande rapidez em regiões de climas temperados e frescos, onde o patógeno encontra a seu temperatura ideal fixada estritamente entre os 20 e os 24 °C. Ao longo das últimas décadas, a taxonomia molecular e os dados filogenéticos redefiniram profundamente este táxon micológico, separando linhagens historicamente associadas a hospedeiros específicos em novas espécies totalmente independentes, como o V. alfalfae e o V. nonalfalfae. Atualmente, o maneio preventivo da verticiliose baseia-se numa abordagem integrada e precoce, dada a total ausência de tratamentos químicos ou fungicidas curativos que sejam verdadeiramente eficazes após a ocorrência da colonização vascular profunda.

Categoria:Ascomycota Categoria:Fungos descritos em 1879