Alcátibe Atabrizi (), nome completo Abu Zacaria Iáia ibne Ali ibne Maomé Atabrizi (; Tabriz, – Baguedade, ), foi um filólogo, gramático, homem de letras e poeta árabe de origem persa. Formado por meio de extensas viagens pelos principais centros intelectuais do Oriente islâmico, estudou com figuras como Almaarri, e , especializando-se sobretudo em língua e literatura árabes. Estabelecido em Baguedade, ensinou língua e literatura na , onde também foi responsável pela biblioteca, e formou numerosos estudiosos, entre eles , e Abu Becre ibne Alarabi.

Embora não seja associado de maneira inequívoca a uma única escola gramatical e adotasse posições diversas conforme os problemas discutidos, demonstrou maior inclinação pela tradição filológica de Baçorá. Sua produção abrangeu gramática, lexicografia, métrica, estudos corânicos e, sobretudo, comentários a textos clássicos da poesia árabe. Entre as obras que comentou encontram-se as Mu'allaqat, a Hamasa de Abu Tamame, divãs de poetas antigos e a Lāmiyyat al-ʿArab de . Seus comentários e trabalhos filológicos alcançaram ampla utilização no ensino do adabe e contribuíram para a transmissão e interpretação da poesia e da tradição linguística árabes.

Vida

Alcátibe Atabrizi nasceu em Tabriz em 421 A.H. (1030), onde também passou os primeiros anos e recebeu sua formação inicial. Seu nome completo era Abu Zacaria Iáia ibne Ali ibne Maomé Atabrizi. O elemento Alcátibe pelo qual ficou conhecido é interpretado de maneiras diferentes pelas fontes: Iacute Alhamaui e sustentaram que não era ele, mas seu pai, quem exercera a função de cátibe, razão pela qual o denominaram Ibne Alcátibe, embora a maioria das fontes registre sua alcunha simplesmente como Alcátibe. Após os primeiros estudos, prosseguiu sua formação em cidades próximas de Tabriz e, posteriormente, empreendeu numerosas viagens pelos principais centros intelectuais de seu tempo, nas quais se dedicou sobretudo à língua e à literatura árabes. Entre 443 e 446 A.H. (1051–1054), permaneceu em Maarate Anumane, onde estudou com o célebre sábio cego Almaarri. Com ele leu o Tahḏīb al-luġa, de Alazari, obras do próprio Almaarri e outros textos fundamentais de língua e literatura; uma tradição transmitida por Iacute afirma que Atabrizi partira de Tabriz levando consigo uma cópia do Tahḏīb al-luġa. Posteriormente passou por Baguedade, onde frequentou Abu Alcácime Arraqui e Haçane ibne Maomé Ibne Adaane, e por Baçorá, onde estudou com Alfacal ibne Maomé Alcaçabani. Em 456 A.H. (1064), esteve em Damasco e recebeu ensinamentos do tradicionalista ; em Tiro, ouviu hádices de . Viajou ainda ao Cairo, onde se encontrou com , com quem trocou conhecimentos e a quem transmitiu informações sobre discussões recentes no campo da filologia árabe.

Provavelmente depois de realizar a haje, Atabrizi retornou a Baguedade. Sua formação abrangeu estudiosos de diferentes especialidades e centros intelectuais. Entre os mestres dos quais se beneficiou são mencionados , Ali ibne Mocine Atanuqui, Hilal ibne Mocine Assabi, Abu Alcácime Assaiari, Abu Ataíbe Atabari e Abu Becre Alalafe. Em Gurgã, encontrou ainda o linguista . A amplitude dessas viagens, que o levaram a quase todos os principais centros de estudos de seu tempo, contribuiu para que adquirisse reputação pela extensão de seus conhecimentos em léxico, gramática e literatura árabes. As viagens foram ocasionalmente dificultadas pelas condições políticas. Segundo uma informação transmitida por , as jornadas realizadas por volta de 486 A.H. (1093) tornaram-se perigosas em consequência das perturbações provocadas pela incursão dos ismaelitas na região de Damasco. Foi também nessa cidade, em 1388–1389 da Era Selêucida (1077–1078), que concluiu seu comentário às Iḫtiyārāt de Almufadal Adabi.

Estabelecido em Baguedade, Atabrizi conciliou a produção de obras filológicas com o ensino de língua e literatura na , onde também exerceu a função de responsável pela biblioteca. Entre seus numerosos discípulos estiveram , , , Abu Becre ibne Alarabi, , , e . Aljaualiqui estudou com ele durante dezessete anos e acompanhou-o em sua atividade na Nizamia; entre os demais alunos mencionados pela Encyclopaedia of Islam encontra-se ainda Sade Alcair Alançari. Atabrizi mantinha relações próximas com alguns de seus discípulos e, segundo Iacute, era habitualmente de tez escura, vestia roupas gastas e usava um turbante de brocado dourado; a mesma fonte registra uma observação sobre seu interesse por jovens. Era também poeta, embora sua poesia não tenha sido reunida em um Divã. Morreu em Baguedade em 28 de Jumada II de 502 A.H. (2 de fevereiro de 1109) e foi sepultado no cemitério de Babe Abrez.

As fontes clássicas não associam Atabrizi de maneira inequívoca a uma das escolas tradicionais da gramática árabe, circunstância relacionada à ausência de uma posição sistematicamente adotada em suas próprias obras. Conforme os problemas tratados, podia apoiar opiniões das escolas de Baçorá, Cufa ou Baguedade ou rejeitar as posições de todas elas e adotar uma solução independente. Demonstrou, contudo, maior inclinação pela escola de Baçorá. Essa tendência tem sido relacionada tanto à formação recebida de mestres ligados à tradição baçorense quanto à frequência com que se baseou nas opiniões de estudiosos associados a essa escola, entre os quais Abu Anre ibne Alalá, Alcalil ibne Amade Alfaraídi, Sibauai, Abu Ubaida, Alasmai, , Ibne Duraide, , e .

Bibliografia

Categoria:Naturais de Tabriz Categoria:Pessoas do Império Seljúcida