Pons de Melgueil O.S.B.Clun. (c. 1075 – 1126) foi o sétimo abade de Cluny e cardeal-diácono do século XII.

Biografia Pons nasceu por volta de 1075, em Melgueil (atual Mauguio), Languedoc. Conde de Marguliès, Auvergne e Toulouse. Segundo filho de Pierre I de Melgueil e Almodis de Toulouse. Sobrinho do Papa Pascoal II. Seu primeiro nome também aparece como Ponzio, Ponce e Pôncio; e seu sobrenome como Margogliensi, Mergueil e Marguliès.

Ingressou na Ordem de São Bento em Cluny, onde foi ordenado. Foi monge no mosteiro cluniacense de Saint-Pons-de-Thomières e sétimo abade do mosteiro de Cluny, de 9 de maio de 1109 até 1122. Durante a maior parte do seu abaciado, continuou as políticas de seu antecessor, São Hugo: a construção da terceira grande igreja da abadia de Cluny ("Cluny III"), a expansão da ordem cluniacense para o norte da França e Inglaterra e a mediação da Questão das Investiduras entre o Imperador e o Papa. Em 1119, Guy de Faucigny, Bispo de Genebra, confirmou a Pons a doação da igreja de Contamine-sur-Arve (Saboia) que este havia feito a Cluny em 1083.

O Papa Gelásio II morreu em Cluny, em 1119, onde havia buscado refúgio dos partidários do antipapa Gregório VIII. Antes de morrer, o papa havia indicado que Guy, arcebispo de Vienne, ou Pons de Cluny deveriam sucedê-lo como pontífice; Guy foi eleito em Cluny por seis cardeais e adotou o nome de Calisto II. O abade Pons não apoiou nem condenou sua eleição; apoiado por vários bispos franceses, ele propôs que a eleição fosse confirmada pelos cardeais que estavam em Roma e pelo povo da cidade, como veio a acontecer. Seguiu-se um período de relações difíceis entre o novo papa e o abade. Mas o Papa Calisto II voltou a Cluny para a canonização do Abade Hugo em dezembro e janeiro de 1120, e aproveitou a oportunidade para sanar a ruptura com o Abade Pons e declarar seu apoio contínuo a Cluny. O pontífice também promoveu o abade ao cardinalato. Como legado papal, Pons ajudou a resolver uma disputa em 1120 entre a Igreja de Basileia e a Abadia de Saint-Blaise (Floresta Negra), relativa aos direitos do bispo sobre este mosteiro.

Criado cardeal-diácono no consistório de janeiro de 1120; seu diaconato é desconhecido. As dificuldades financeiras que afetavam o mosteiro de Cluny, mais a personalidade difícil do abade, fizeram com que os monges se queixassem a Roma, acusando-o de conduta violenta e extravagante e de desperdício negligente dos recursos do mosteiro. Em 1122, o Papa Calisto II o chamou a Roma para participar do Primeiro Concílio Ecumênico de Latrão e o abade renunciou ao seu cargo. Pons então foi para Jerusalém e, um ano depois, retornou à Itália e fundou um pequeno mosteiro perto de Vicenza. Nesse mesmo ano, participou da Dieta de Worms.

Em 1126, o Cardeal Pons retornou a Cluny e, à força, recuperou sua mitra abacial; ele foi apoiado por numerosos monges da abadia, pela nobreza da região e por outros mosteiros da ordem. Contudo, o abade rebelde foi excomungado pelo arcebispo de Lyon, cuja sentença foi confirmada pelo Papa Honório II. Pons foi transferido para Lyon e, posteriormente, confinado em Roma. Recusou-se a retratar-se de seus erros e pecados, afirmando que só respondia a São Pedro no céu, tornando-se também um cismático; foi deposto de todas as honras e privilégios eclesiásticos e morreu pouco depois. Os historiadores geralmente rejeitaram a justificativa oficial para a remoção de Pons. Pietro Zerbi argumentou que ele foi vítima da oposição dos bispos prejudicados pelos muitos privilégios que sua ordem recebeu sob sua administração e a de Hugo. Adriaan Bredero acreditava que ele foi derrubado por uma facção de monges reformistas que desejavam aproximar Cluny do ideal de Cîteaux. Dificuldades financeiras também surgiram para Cluny durante o abaciado de Pons, depois que Afonso VI de Leão deixou de cumprir suas promessas de doações anuais (o chamado "censo alfonsino") em 1111. Elas não foram retomadas, pois a fonte dos fundos, os parias que Leão vinha coletando, secou por volta de 1100.

Pons de Melgueil faleceu em 28 de dezembro de 1125 ou em 29 de dezembro de 1126, de malária (ou febre romana "Romanus ille pestifer morbus"), turre Septem Salas, Roma. Sepultado quasi pauper apud S. Andream, Roma; o papa escreveu ao Abade Pedro, o Venerável dizendo-lhe que, apesar da morte impenitente de Pons, ele o havia sepultado honrosamente por respeito ao mosteiro de Cluny. Mais tarde, a pedido do Abade Pedro, seus restos mortais foram transferidos para Cluny, onde seu túmulo o representa com os pés atados, uma mão cortada e seu cajado quebrado.

Contudo, segundo Klaus Ganzer, "Não há qualquer menção ao seu cardinalato em documentos oficiais. Ele não assinou nenhuma bula papal e nunca é mencionado como cardeal nos documentos papais emitidos para ele e seu mosteiro. Tampouco é mencionado em seus documentos particulares."

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