Um fundo de investimento é uma forma de aplicação financeira, formada pela união de vários investidores que se juntam para a realização de um investimento financeiro, não possuindo personalidade jurídica, e sendo constituído tal qual um condomínio, visando um determinado objetivo ou retorno esperado, dividindo as receitas geradas e as despesas necessárias para o empreendimento. A administração e a gestão do fundo são realizadas por especialistas contratados. Os administradores tratam dos aspectos jurídicos e legais do fundo, os gestores da estratégia de montagem da carteira de ativos do fundo, visando o maior lucro possível com o menor nível de risco.

Dependendo do tipo de fundo, as carteiras geralmente podem ser mais diversificadas ou menos diversificadas, podendo conter ativos de diversos tipos tais como ações, títulos de renda fixa (CDBs), títulos cambiais, derivativos ou commodities negociadas em bolsas de mercadorias e futuros, títulos públicos, entre outros. Todo o dinheiro aplicado nos fundos é convertido em cotas, que são distribuídas entre os aplicadores ou cotistas, que passam a ser proprietários de partes da carteira, proporcionais ao capital investido. O valor da cota é atualizado diariamente e o cálculo do saldo do cotista é feito multiplicando o número de cotas adquiridas pelo valor da cota no dia. No Brasil, o primeiro fundo de investimento foi o Valéria Primeira, um fundo fechado criado em 1952 e administrado pelo banco Deltec.

Vantagens de investir em fundos Geralmente, tenta-se disseminar a crença de que uma das principais vantagens de se investir em fundos é a comodidade para o investidor, que prefere deixar sob os cuidados de especialistas a gestão de seus recursos. Entretanto há numerosos estudos que colocam em dúvida a tese de que os gestores profissionais sejam capazes de produzir resultados melhores do que a escolha aleatória de ativos. Uma das investigações mais dramáticas e cômicas foi publicada no Guinness Book, sobre um chimpanzé que obteve performance superior a 6.000 gestores profissionais de Wall Street durante a bolha de 1999. E há outros casos envolvendo animais que compuseram portifolios tão lucrativos quanto a média dos gestores profissionais. Um estudo publicado no Wall Street Journal mostrou que um chimpanzé com olhos vendados, lançando dardos sobre um quadro com os nomes de ações, e comprando-se as ações atingidas pelos dardos, obteve-se lucro só um pouco menor do que a média de 100 gestores profissionais de Wall Street, no entanto, ao considerar a relação entre lucro e risco, verificou-se que o chimpanzé tinha menor exposição ao risco, e ao calcular as proporções utilizando o índice de Sharpe, constatou-se que que a performance ajustada ao risco foi melhor para o chimpanzé do que para a média dos 100 gestores considerados.http://www.saturnov.com/artigos/324-chimpanzes-podem-operar-melhor-que-gestores-profissionais http://www.saturnov.com/artigos/334-importante-esclarecimento-sobre-o-chimpanze-e-os-gestores Isso não significa que o chimpanzé seja um gênio nem tampouco que seja mais competente que os gestores profissionais. Significa apenas que a grande maioria dos gestores profissionais, de acordo com este e outros estudos, não consegue obter resultados melhores do que se comprassem e vendessem aleatoriamente, ou se escolhessem por sorteio os ativos para compor seus portfólios. Também não significa que não existam gestores capazes de obter performances consistentemente superiores ao índice, mas estes são raríssimos. No Brasil, alguns dos gestores mais bem sucedidos de fundos tiverem rendimento nos últimos 15 anos não superior a 1% ao ano, descontada inflação e impostos. Os melhores gestores do mundo, com exceção de James Simons, que excede 30% ao ano desde 1982, os demais (inclusive os lendários George Soros e Warren Buffett) não excedem em muito os 15% ao ano, depois de descontar inflação e impostos.

Como a grande maioria dos gestores profissionais não consegue superar o índice, a prática de Buy & Hold (comprar e segurar) mostra-se uma alternativa mais lucrativa do que aplicar em fundos, tanto pela performance em si quanto pela ausência das taxas de performance, taxas de administração e outras que o investidor teria que pagar se aplicasse em um fundo.

Além da menor rentabilidade, há diversas outras desvantagens ao se aplicar nos fundos de varejo, bem como na maioria dos fundos prime e private. Uma destas desvantagens é a liquidez e a inflexibilidade. Se o investidor aplica por conta própria, simplesmente compondo uma carteira que represente aproximadamente os componentes principais do índice, ou mesmo comprando o mini-índice, ele pode resgatar a qualquer momento, sem taxas nem multas, ao passo que em muitos fundos o investidor está sujeito a um limite de resgates por ano, precisa cumprir determinada carência antes de fazer o primeiro resgate, ficando sujeito a pesadas multas no caso de não cumprir a carência, entre outras complicações burocráticas que são suprimidas se o investidor operar diretamente, sem a intermediação de um fundo.

Há fundos nos quais, após pagar as taxas, o investidor consegue resultados um pouco melhores do que buy & hold do índice, mas são bastante raros e geralmente estão inacessíveis ao investidor de varejo. É recomendável que o investidor procure se instruir o melhor que puder sobre critérios adequados para decidir onde aplicar seu dinheiro. Existem índices para medir a relação entre lucro e risco que proporcionam uma ideia satisfatória sobre a qualidade de um fundo. Alguns dos índices mais amplamente utilizados são o índice de Sharpe, índice de Treynor, Calmar ratio, Modigliani RAP, Omega ratio e Sortino ratio.

As equipes de gestores acompanham e analisam o mercado diariamente em busca de boas oportunidades de investimento, e tentam selecionar os ativos que acreditam que tenham melhores perspectivas de valorização, porém os resultados práticos se mostram, na maioria das vezes, inferiores à pura e simples compra do índice, e não há diferença estatisticamente significativa de compras e vendas aleatórias.

Alguns fundos mútuos oferecem alta liquidez, aproximadamente comparável à liquidez que o investidor teria se aplicasse individualmente, o que permite resgates em 3 dias úteis, a contar da data de solicitação. A exceção mais importante é no caso dos fundos fechados, os quais não admitem resgate de cotas, apenas a venda das cotas no mercado secundário.

Nos casos de fundos de previdência, há algumas vantagens concretas, porque os valores aplicados podem ser abatidos do imposto de renda, nos casos de PGBL.É importante ler com atenção os contratos, porque em alguns casos (VGBL) não há abatimento, mas apenas a postergação do pagamento do IR, que é feito na ocasião do resgate.

Harry Markowitz Em 1952, escreveu um artigo que despertou o interesse para a prática comum da diversificação das carteiras, explicando como pode um investidor reduzir o desvio-padrão da rentabilidade da carteira escolhendo ações cujas oscilações sejam exatamente paralelas, desenvolvendo, assim, os princípios básicos da formação de uma carteira. São esses princípios que constituem a base de quase tudo o que se pode referir acerca da relação entre o risco e o retorno.

No entanto, vale destacar que uma carteira diversificada pode ser um problema para o investidor. Muitos dizem que não se deve botar todos os ovos em apenas uma cesta, porém, utilizando a mesma analogia, tente pensar da seguinte forma: e se uma raposa vier roubar todos os ovos que eu distribuí pelas cestas? Terei que cuidar de muitas cestas e correrei um risco grande de ser roubado. Ou seja, com uma carteira diversificada, a atenção fica distribuída e o foco se perde. Deve-se concentrar a carteira e tomar conta das ações, colocar todos os ovos numa única cesta e não deixar que a raposa os leve, concentrando seus esforços nessa cesta.GUNTHER, M. Os Axiomas de Zurique.

Rentabilidade A rentabilidade de cada fundo é determinada pela estratégia de investimento adotada pelo gestor, que deve respeitar as características definidas no seu regulamento. Existem fundos conservadores e fundos mais agressivos com diferentes graus de risco definidos de acordo com seu objetivo.

Se um fundo conseguir rentabilidade de 3% em um mês, todos os cotistas terão a mesma valorização percentual, independentemente do valor aplicado. As taxas e impostos têm grande importância na rentabilidade do fundo, portanto, vale a pena ficar atento às taxas cobradas, que variam de acordo com o fundo, a jurisdição e a instituição.

Na maioria dos fundos brasileiros de varejo, é adotado o esquema 2/20. Tal esquema consiste na cobrança de uma taxa de administração de 2% do valor depositado por ano e 20% do lucro nominal que exceder o benchmark (de modo geral o CDI). Quando o fundo opera num país cuja inflação produz efeitos sensíveis de desvalorização da moeda, isso tem grande impacto sobre a rentabilidade real, pois a tributação é calculada com base no lucro nominal. Nos fundos prime e private, as taxas de administração e de performance vão se tornando menores à medida que a exigência de aplicação mínima se torna maior.  Risco A carteira de ativos de um fundo de investimento é geralmente formada por ativos de diversos tipos, com diferentes graus de risco. O risco total da carteira do fundo é repassado ao aplicador ou cotista do fundo. O risco não deve ser tido em conta apenas no tempo presente mas também em função do tempo crescente. A contribuição de um título (ação, obrigação, títulos de tesouro etc.) para o risco de uma carteira bastante diversificada depende da sua própria sensibilidade às possíveis variações de mercado. A esta sensibilidade, chama-se habitualmente de "beta". Um valor mobiliário com um beta de 1,0 apresenta um risco de mercado médio (uma carteira bem diversificada desses valores tem o mesmo desvio-padrão do índice de mercado). Das carteiras com um beta de 0,5%, dizemos que têm um risco de mercado inferior à média (uma carteira bem diversificada desses valores tende a oscilar de um meio em relação aos movimentos de mercado, para além de apresentar-se com metade do desvio-padrão do mercado. O risco de um fundo de investimento pode ser definido como o grau de incerteza na obtenção do retorno esperado investindo em um determinado fundo. Dessa forma, os fundos podem ser classificados como de baixo, médio e alto risco. Geralmente, fundos de baixo risco apresentam um maior nível de segurança ao investidor, mas, em contrapartida, costumam ter um retorno menor. Fundos de alto risco, por outro lado, podem trazer um retorno mais alto, mas com um grau muito maior de incerteza, podendo até mesmo trazer prejuízos aos investidores.

Análise de risco na avaliação de projetos

As decisões de investimento são decisões sobre situações que se verificaram no futuro. Em relação a questões futuras ninguém pode ter a pretensão de possuir a certeza que determinado acontecimento se verificará.

O cash-flow provisional do projeto é um acontecimento futuro, que tanto pode assumir o valor previsto como pode não variar. Face à ignorância sobre qual será o resultado futuro do cash-flow, o analista do projeto deve atender ao risco/incerteza associado ao cash-flow previsto. Para falar dos métodos de medida de risco/incerteza na avaliação de projeto, é necessário distinguir os dois conceitos.

Numa situação de risco, o resultado futuro é desconhecido, mas pode-se-lhe atribuir probabilidades, sendo possível recorrer à teoria estatística.

Numa situação de incerteza, o resultado futuro é desconhecido e não é possível atribuir-lhe probabilidades.

O posicionamento da avaliação de projetos de investimentos face ao risco e à incerteza das situações futuras consiste em adotar um dos seguintes procedimentos:

1 - Utilizar os métodos empíricos.

2 - Utilizar os métodos da teoria da decisão e da simulação para avaliar a incerteza.

3 - Recorrer aos métodos probabilísticos para análise de risco.

Métodos empíricos