O Retrato de Jean-Baptiste Belley é um retrato a óleo sobre tela da artista francesa Anne-Louis Girodet de Roussy-Trioson, datado de 1797. A obra retrata Jean-Baptiste Belley, um ex-escravizado da colônia francesa de Saint-Domingue que foi eleito para atuar na Convenção Nacional após a Revolução Francesa. Na tela, o retratado está ao lado de um busto do abolicionista francês Guillaume Thomas François Raynal. A composição assemelha-se ao Retrato de Chateaubriand, obra posterior do mesmo artista.

Descrição e análise Na pintura, Girodet evoca as tensões político-sociais do período. Belley, de pé, veste o uniforme de um membro da Convenção, com uma paisagem tropical ao fundo, e exibe uma pose elegante e descontraída, como é comum em muitos retratos políticos franceses de políticos revolucionários. Seu cotovelo repousa sobre um busto do filósofo Guillaume Thomas François Raynal (1713–1796), autor de Uma História Filosófica e Política dos Assentamentos e Comércio dos Europeus nas Índias Orientais e Ocidentais (em francês: L'histoire philosophique et politique des établissements et du commerce des Européens dans les deux Inde) (1770). Raynal, que há época era recém falecido, havia sido um notório defensor da abolição da escravatura.

Estudiosos observaram que a pintura destaca o corpo de Belley, particularmente a área da virilha, de maneiras que reforçam um estereótipo racial francês do século XVIII que associa homens negros ao excesso sexual. Segundo a historiadora da arte Darcy Grigsby, Belley era "um objeto do desejo e da fantasia de Girodet". Ela observa que na pintura, “o grande pênis é tocado de forma fantástica pela mão cujos dedos abertos evocam sua largura e assim permitem imaginar a notável virilidade de Belley”. Grigsby argumenta ainda que a sexualização é inseparável do projeto político do retrato: a pintura de Girodet "acumula não só liberdade e autonomia individual (...) mas também a carga erótica geralmente omitida nas gravuras abolicionistas", que tipicamente retratavam homens negros como "assexuados ou infantilizados".

Proveniência Originalmente, o retrato foi exibido no Salão de 1798 no Louvre em Paris. Após várias décadas em exposição em Toulon, foi adquirida pelo Louvre em 1828 por 3.000 francos, sendo confundido a época com um retrato de Toussaint Louverture. Hoje está na coleção do Palácio de Versalhes.

Um estudo de Girodet para o retrato, feito a tinta e giz preto, encontra-se no Instituto de Arte de Chicago, e foi adquirido pela instituição com fundos da Fundação Joseph e Helen Regenstein em 1973.

Representações na cultura O retrato foi usado na capa do livro de Christopher Bayly, The Birth of the Modern World 1780–1914: Global Connections and Comparisons (Oxford: Blackwell, 2004).

Bibliografia

Grigsby, Darcy Grimaldo. Extremos: Pintando o Império na França Pós-Revolucionária . Yale University Press, 2002. Palmer, Allison Lee. Dicionário Histórico da Arte e Arquitetura Românticas . Rowman & Littlefield, 2019. Rosenblum, Robert e Janson, Horst Woldemar. Arte do século XIX . Prentice Hall, 2005. Categoria:Pinturas a óleo sobre tela Categoria:Páginas que usam Info/Mapa interativo sem coordenadas Categoria:Retratos de políticos