Ori é o protagonista da série de jogos eletrônicos Ori and the Blind Forest (2015) e Ori and the Will of the Wisps (2020), desenvolvida pela Moon Studios e publicada pela Xbox Game Studios. A personagem é apresentada como um espírito que parte em uma jornada para restaurar o equilíbrio de seu mundo e descobrir seu destino.

A personagem foi criada durante o desenvolvimento de Ori and the Blind Forest. Thomas Mahler, diretor e cofundador da Moon Studios, afirmou posteriormente que a equipe não pretendia inicialmente produzir uma sequência e que a história de Ori and the Will of the Wisps foi desenvolvida posteriormente, incluindo a relação entre Ori e a coruja Ku.

Criação e desenvolvimento

Ori surgiu durante o desenvolvimento de Ori and the Blind Forest, primeiro projeto de grande porte da Moon Studios. O estúdio iniciou o desenvolvimento em 2010 e trabalhou no jogo durante aproximadamente quatro anos.

Segundo Mahler, os primeiros protótipos de Ori and the Blind Forest foram produzidos utilizando o motor Construct. Posteriormente, a equipe decidiu migrar o projeto para a Unity, que oferecia ferramentas e recursos considerados mais adequados ao desenvolvimento do jogo.

A equipe também decidiu utilizar uma abordagem baseada em sprites para os personagens. A técnica permitiu combinar personagens tridimensionais com os cenários bidimensionais pintados utilizados no jogo. O tamanho dos personagens e a quantidade de animações, entretanto, criaram desafios técnicos relacionados ao consumo de memória, especialmente durante o desenvolvimento inicial para o Xbox 360.

O projeto foi inicialmente planejado para o Xbox 360, mas posteriormente passou a ser desenvolvido para o Xbox One. A mudança permitiu à equipe trabalhar com mais memória, embora também tenha exigido aumento na resolução e novas otimizações.

Mahler afirmou que o controle e a movimentação de Ori foram elementos importantes do desenvolvimento. A equipe passou meses ajustando os controles porque considerava que a sensação de movimentação seria fundamental para um jogo de plataforma.

O prólogo de Ori and the Blind Forest levou aproximadamente oito meses para ser desenvolvido, sendo submetido a diversas iterações até que a equipe considerasse que a experiência havia alcançado o resultado desejado.

Caracterização

Ori é representado visualmente como uma pequena criatura branca e luminosa, com grandes olhos escuros e orelhas alongadas. A personagem possui movimentos ágeis e é apresentada como um espírito ligado à natureza e à luz.

A Xbox descreve Ori como um espírito cuja jornada em Ori and the Will of the Wisps envolve descobrir seu verdadeiro destino.

Ori não possui diálogos convencionais como os demais personagens humanos de jogos eletrônicos. A narrativa é transmitida principalmente por meio de animações, expressões corporais, cenas, música e diálogos de outros personagens.

História

Ori and the Blind Forest

Ori é separado de sua árvore espiritual durante uma tempestade e acaba sendo encontrado por Naru, que passa a criá-lo na floresta de Nibel.

Posteriormente, uma série de acontecimentos provoca o enfraquecimento da floresta. Ori parte em uma jornada para restaurar a luz e o equilíbrio de Nibel.

Durante a jornada, Ori encontra Sein, uma entidade associada à luz da árvore espiritual. Sein passa a acompanhá-lo e auxilia Ori na restauração da floresta.

A jornada também coloca Ori em conflito com Kuro, uma grande coruja. Ao longo da história, são reveladas as circunstâncias que motivaram as ações de Kuro e sua relação com a floresta.

A narrativa do jogo aborda temas como perda, família, sacrifício, pertencimento e renovação.

Ori and the Will of the Wisps

Ori and the Will of the Wisps se passa após os acontecimentos de Ori and the Blind Forest. No início da história, Ori vive com Naru e Gumo, enquanto Ku, uma jovem coruja, é criada pelo grupo.

Depois que uma tempestade separa Ori e Ku, Ori chega à terra de Niwen. A partir desse momento, a personagem inicia uma nova jornada, inicialmente em busca de Ku e posteriormente relacionada ao destino da própria terra.

A sequência introduz novos personagens, criaturas e regiões, expandindo o universo apresentado no primeiro jogo.

Uma das principais antagonistas da história é Shriek, uma coruja cuja trajetória é marcada por rejeição e isolamento.

No final do jogo, Ori se sacrifica para restaurar a luz de Niwen e passa a fazer parte da nova árvore espiritual.

Thomas Mahler explicou que o encerramento foi concebido como uma representação do ciclo da vida. Segundo o diretor, Ori and the Blind Forest representa a primeira metade da vida de Ori, enquanto Ori and the Will of the Wisps representa a segunda metade, culminando na transformação da personagem em uma árvore espiritual.

Mahler comparou a transformação de Ori ao ciclo de crescimento de uma pessoa: infância, amadurecimento e, posteriormente, a transmissão da vida para uma nova geração.

Relações

Naru

Naru é a principal figura materna de Ori. Ela encontra a personagem quando ainda é jovem e passa a criá-la.

A relação entre Ori e Naru constitui um dos elementos centrais da narrativa de Ori and the Blind Forest e permanece importante na sequência.

Gumo

Gumo é um dos principais aliados de Ori. Ele pertence ao povo Gumon e estabelece uma relação de amizade com Ori e Naru.

Sein

Sein é uma entidade associada à luz da árvore espiritual de Nibel. Em Ori and the Blind Forest, Sein acompanha Ori durante sua jornada e desempenha papel fundamental na restauração da floresta.

Ku

Ku é uma jovem coruja descendente de Kuro. Em Ori and the Will of the Wisps, Ku é criada por Ori, Naru e Gumo e desenvolve uma relação próxima com Ori.

Mahler afirmou que a história de Ori e Ku passou por diversas versões durante o desenvolvimento de Ori and the Will of the Wisps, uma vez que a sequência não havia sido planejada originalmente durante a produção do primeiro jogo.

Kuro

Kuro é uma grande coruja que atua como antagonista de Ori em parte de Ori and the Blind Forest. Sua história e suas motivações são posteriormente reveladas durante a narrativa.

Shriek

Shriek é a principal antagonista de Ori and the Will of the Wisps. Sua história está relacionada à rejeição e ao isolamento que sofreu em Niwen.

Habilidades

Ori possui habilidades de movimentação e combate que são adquiridas ou aprimoradas ao longo dos jogos.

Em Ori and the Blind Forest, entre as habilidades utilizadas por Ori estão:

Salto duplo; Escalada; Bash; Stomp; Dash; Habilidades relacionadas à luz de Sein.

Em Ori and the Will of the Wisps, o sistema de habilidades foi ampliado, incluindo armas, habilidades especiais e fragmentos espirituais.

A movimentação de Ori foi um dos principais focos do desenvolvimento da série. Mahler afirmou que a equipe passou um período significativo ajustando os controles para obter uma experiência de plataforma fluida.

Desenvolvimento narrativo

A história de Ori foi desenvolvida de maneira progressiva ao longo da produção dos jogos. Mahler afirmou que a equipe não havia planejado inicialmente uma sequência para Ori and the Blind Forest e que o universo e os personagens de Ori and the Will of the Wisps foram desenvolvidos posteriormente.

A equipe também buscou levar para a sequência os elementos narrativos que haviam provocado maior impacto emocional nos jogadores do primeiro jogo. Em entrevista à GameSpot, Mahler e o compositor Gareth Coker discutiram a maneira como a equipe procurou manter o espírito do primeiro jogo enquanto conduzia a história em uma direção diferente.

Recepção

Ori tornou-se um dos personagens associados à identidade da Moon Studios por meio da recepção de Ori and the Blind Forest e Ori and the Will of the Wisps.

O primeiro jogo foi recebido positivamente pela crítica, com destaque para sua direção artística, animação, música, narrativa e jogabilidade. A Xbox informa que Ori and the Blind Forest recebeu mais de 50 prêmios e indicações.

A recepção positiva do primeiro jogo contribuiu para a produção de Ori and the Will of the Wisps. A própria Moon Studios posteriormente descreveu os dois jogos como grandes sucessos para o estúdio.

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