Georgy Alekseevich Dzidzaria (em russo: Георгий Алексеевич Дзидзария; Lykhny, 6 de maio de 1914 — Sukhumi, 1 de maio de 1988) foi um historiador, pesquisador, educador, professor, reitor e político soviético de origem abecásia. Especialista na história da Abecásia e do Cáucaso, foi diretor do Instituto de Língua, Literatura e História Dmitri Gulia, reitor do Instituto Pedagógico de Sukhumi e presidente do Soviete Supremo da República Socialista Soviética Autônoma da Abecásia. Também foi deputado do Soviete Supremo da União Soviética nas VI, VII e VIII legislaturas.

Dzidzaria é considerado uma das figuras importantes da historiografia abecásia do período soviético, especialmente por seus estudos sobre a sociedade abecásia do século XIX, a emigração muçulmana conhecida como Muhajirismo e a formação da intelectualidade abecásia.

Biografia

Infância e formação

Georgy Alekseevich Dzidzaria nasceu em 6 de maio de 1914, na aldeia de Lykhny, então parte do Império Russo. Seu pai, Aleksei Dzidzaria, era camponês e havia participado do grupo Kiaraz, organização camponesa associada a Nestor Lakoba. Sua mãe era Elizaveta Davidovna Ahuardan. Dzidzaria perdeu o pai ainda na infância e foi criado pela mãe.

A partir dos dez anos de idade, estudou em um internato para crianças em Gudauta. Em 1929, ingressou na escola secundária montanhosa de Sukhumi, instituição que levava o nome de Nestor Lakoba. Durante os estudos, demonstrou especial interesse pela história. Entre seus professores estava Aleksei Vsevolodovich Fadeev, que o teria incentivado a considerar a pesquisa documental como elemento fundamental do trabalho histórico.

Em 1934, Dzidzaria ingressou no Instituto de História, Filosofia e Literatura de Moscou. Entre seus professores estavam historiadores russos como Iuri Gotie, Eugene Kosminsky, Mikhail Tikhomirov, Sergei Bakhrushin e Isaak Mints. Durante os anos universitários, passou a concentrar seus estudos na história da Abecásia do século XIX.

Carreira científica e acadêmica

Após concluir sua formação superior, Dzidzaria retornou à Abecásia em 1939 e começou a trabalhar no Instituto de Língua, Literatura e História ligado à Academia de Ciências da RSS da Geórgia. Inicialmente atuou como pesquisador júnior e posteriormente como pesquisador sênior. Em 1953 tornou-se vice-diretor da instituição para assuntos científicos e, em 1966, assumiu sua direção, cargo que ocupou até sua morte em 1988.

A instituição passou posteriormente a ser conhecida como Instituto de Língua, Literatura e História Dmitry Gulia. Dzidzaria permaneceu à frente dela entre 1966 e 1988.

Paralelamente à atividade de pesquisa, Dzidzaria dedicou-se ao ensino. Em 1939 começou a lecionar no Instituto Pedagógico de Sukhumi. Entre 1957 e 1966 foi reitor da instituição. Depois da criação da Universidade Estatal da Abecásia, em 1979, continuou a atuar como professor e passou a ministrar cursos relacionados à história da Abecásia dos séculos XIX e XX.

Sua produção científica concentrou-se principalmente na história política e social da Abecásia, nas relações entre a população local e o Império Russo, no Muhajirismo, na história do movimento revolucionário e na formação da intelectualidade abecásia.

Atuação política

A carreira pública de Dzidzaria desenvolveu-se paralelamente à sua atividade acadêmica. Tornou-se membro do Partido Comunista da União Soviética e ocupou diversos cargos políticos na RSS Autônoma da Abecásia.

Entre 1957 e 1959 foi vice-presidente do Presidium do Soviete Supremo da RSS Autônoma da Abecásia. Posteriormente, ocupou a presidência do Soviete Supremo entre 1959 e 1962 e novamente entre 1975 e 1988.

Dzidzaria também foi eleito deputado do Soviete Supremo da União Soviética nas VI, VII e VIII legislaturas, correspondentes ao período de 1962 a 1974.

A carta de 1947

Em 25 de fevereiro de 1947, Dzidzaria, juntamente com os intelectuais abecásios Bagrat Shinkuba e Konstantin Shakryl, enviou uma carta ao Comitê Central do Partido Comunista de Toda a União (bolchevique), conhecida posteriormente como uma das chamadas “cartas abecásias”. O documento protestava contra aspectos da política nacional implementada na Abecásia durante o período stalinista, incluindo medidas relacionadas às escolas, à língua e à cultura abecásia.

Fontes sobre a história da intelectualidade abecásia descrevem que os autores da carta sofreram posteriormente pressões políticas e profissionais. Segundo uma fonte biográfica, as represálias incluíram acusações de nacionalismo burguês e restrições às suas atividades públicas e acadêmicas.

Após a morte de Josef Stalin e as mudanças políticas do período pós-stalinista, Dzidzaria retomou uma atuação pública mais ampla, combinando a carreira acadêmica com funções administrativas e políticas.

Produção historiográfica

Dzidzaria publicou centenas de trabalhos científicos, incluindo monografias, artigos e estudos históricos. Entre seus trabalhos mais conhecidos estão:

Борьба за Абхазию в первом десятилетии XIX века (A luta pela Abecásia na primeira década do século XIX), 1940; Восстание 1866 года в Абхазии (A revolta de 1866 na Abecásia), 1955; Народное хозяйство и социальные отношения в Абхазии в XIX в. (Economia popular e relações sociais na Abecásia no século XIX), 1958; Очерки истории борьбы за Советскую власть в Абхазии. 1917–1918 гг. (Ensaios sobre a história da luta pelo poder soviético na Abecásia, 1917–1918), 1958; Присоединение Абхазии к России и его историческое значение (A incorporação da Abecásia à Rússia e seu significado histórico), 1960; Очерки истории Абхазии. 1910–1921 (Ensaios sobre a história da Abecásia, 1910–1921), 1963; Ефрем Эшба (Efrem Eshba), 1967; Декабристы в Абхазии (Os dezembristas na Abecásia), 1970; Ленин и Абхазия (Lenin e a Abecásia), 1970; Роль Советов и «Киараз» в истории революционной борьбы в Абхазии. 1917–1921 (O papel dos sovietes e do Kiaraz na história da luta revolucionária na Abecásia, 1917–1921), 1971; Советская власть в Абхазии в 1918 году (O poder soviético na Abecásia em 1918), 1972; Махаджирство и проблемы истории Абхазии XIX столетия (Muhajirismo e problemas da história da Abecásia no século XIX), 1975; Ф. Ф. Торнау и его кавказские материалы XIX века (F. F. Tornau e seus materiais caucasianos do século XIX), 1976; Формирование дореволюционной абхазской интеллигенции (Formação da intelectualidade abecásia pré-revolucionária), 1979; «Киараз» (Comunitarismo), 1981; Лыхны (Lykhny), 1986.

Sua monografia Формирование дореволюционной абхазской интеллигенции, publicada em 1979, recebeu em 1980 o Prêmio Estatal Dmitry Gulia da RSS Autônoma da Abecásia na área de história.

A obra Махаджирство и проблемы истории Абхазии XIX столетия foi publicada originalmente em 1975 e teve uma segunda edição em 1982. A obra utiliza documentação de arquivos de diferentes cidades soviéticas para analisar o processo de emigração de parte da população muçulmana do Cáucaso para o Império Otomano durante o século XIX.

Dzidzaria também participou da elaboração de obras gerais sobre a história da Abecásia. Entre elas está История Абхазии (História da Abecásia), publicada em 1986 como manual universitário em colaboração com Zurab Anchabadze e Arvelod Kuprava.

Reconhecimento acadêmico

Dzidzaria foi eleito membro correspondente da Academia de Ciências da RSS da Geórgia e recebeu reconhecimento como historiador e pesquisador da história do Cáucaso. Participou de congressos e conferências científicas soviéticas e internacionais, incluindo o Congresso Internacional de Orientalistas de 1960, em Moscou, e o Congresso Internacional de Ciências Históricas de 1970.

Também participou de atividades de formação de professores e pesquisadores. Ao longo de aproximadamente cinco décadas de carreira, lecionou em instituições de ensino superior da Abecásia e da Geórgia e orientou pesquisadores que posteriormente atuaram em universidades e institutos científicos.

Condecorações e prêmios

Ordem da Bandeira Vermelha do Trabalho — duas vezes; Ordem da Amizade dos Povos — 20 de abril de 1984; Ordem do Distintivo de Honra — duas vezes; Prêmio Estatal Dmitry Gulia — 1980, por Formação da intelectualidade abecásia pré-revolucionária.

Morte

Georgy Dzidzaria morreu em 1 de maio de 1988, em Sukhumi, aos 73 anos. Foi sepultado em Lykhny, no local histórico conhecido como Lykhnashta.

Legado

Após sua morte, sua produção continuou a ser publicada em coletâneas. Uma coleção de suas obras começou a ser publicada em vários volumes pelo Instituto de Pesquisas Humanitárias Dmitry Gulia. Também foram publicados trabalhos biográficos dedicados à sua vida e atividade científica, incluindo uma biografia por Arvelod Kuprava publicada em 2006 e um volume comemorativo pelo centenário de seu nascimento, publicado em 2014.

Em 2004 foi criado o Prêmio Estatal Georgy A. Dzidzaria, destinado a reconhecer realizações científicas.

Em 2014, por ocasião do centenário de seu nascimento, o Banco Nacional da República da Abecásia emitiu uma moeda comemorativa dedicada a Dzidzaria.

Bibliografia

DZIDZARIA, Georgy A. Махаджирство и проблемы истории Абхазии XIX столетия. Sukhumi: Alashara, 1975. 526 p. DZIDZARIA, Georgy A. Формирование дореволюционной абхазской интеллигенции. Sukhumi, 1979. DZIDZARIA, Georgy A. Очерки истории Абхазии. 1910–1921. Tbilisi, 1963. DZIDZARIA, Georgy A. Присоединение Абхазии к России и его историческое значение. Sukhumi, 1960. ANCHABADZE, Z. V.; DZIDZARIA, G. A.; KUPRAVA, A. E. История Абхазии: учебное пособие. Sukhumi: Alashara, 1986. 264 p. KUPRAVA, Arvelod E. Георгий Алексеевич Дзидзария. Sukhumi, 2006. KUPRAVA, Arvelod E. Георгий Алексеевич Дзидзария: к 100-летию со дня рождения. Sukhumi, 2014.

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