A Bell Works, antes chamada de Complexo da Bell Labs em Holmdel, é um complexo de uso misto localizado no município de Holmdel no estado de Nova Jérsei, Estados Unidos. Foi originalmente construído e usado como uma instalação de pesquisa e desenvolvimento para o Sistema Bell e depois a Bell Labs desde sua inauguração em 1962 até 2007. O edifício no centro do campus foi projetado pelo arquiteto Eero Saarinen como uma estrutura no estilo modernista, enquanto a firma Roche Dinkeloo, a sucessora de Saarinen, projetou duas expansões. A paisagem ao redor do prédio foi criada pela Sasaki Associates.
A Bell Labs era dona do terreno desde 1929 e realizava no local experimentos e pesquisas tecnológicas. Saarinen foi chamado em abril de 1957 para estudar o local, sendo contratado em 1959 para projetar o edifício. Os dois primeiros pavilhões tornaram-se totalmente operacionais em setembro de 1962, mas logo dois pavilhões adicionais foram construídos entre 1964 e 1966 para acomodar as necessidades cada vez maiores da empresa. Uma nova expansão ocorreu no início da década de 1980. Uma reestruturação dos esforços de pesquisa da Bell reduziram o uso do complexo e o edifício foi colocado à venda em 2006. Foi comprado pela Somerset Development em 2013, que fez renovações na estrutura para transformá-la em um espaço de habitação e trabalho chamado de Bell Works. Este espaço é usado principalmente por startups de alta tecnologia.
O centro do complexo é cercado por duas vias elípticas, sendo dividido em estacionamentos e lagos ao redor do edifício principal. A estrutura em si tem aproximadamente 190 mil metros quadrados divididos em seis andares. O edifício é retangular e fica sobre um pedestal de concreto, tendo uma fachada feita alumínio anodizado e vidro refletivo. Há uma entrada em cada fachada. O primeiro andar fica parcialmente abaixo do nível do solo por causa da inclinação do terreno. Internamente, o edifício é dividido em quatro pavilhões que costumavam conter os laboratórios e escritórios, sendo conectados por passarelas nos perímetros. Os pavilhões cercam um enorme átrio em formato de cruz alinhado com os eixos principais da estrutura.
A recepção arquitetônica do complexo, especialmente de seu edifício principal, foi positiva desde sua inauguração, com muitos comentaristas comparando a estrutura com um espelho gigante. Saarinen depois usou vidros refletivos em outros projetos seus. O complexo foi adicionado ao Registro Nacional de Lugares Históricos em junho de 2017 e já recebeu vários prêmios. Vários filmes e séries de televisão já foram filmados no local, como por exemplo Severance e Law & Order: Organized Crime.
Local A Bell Works, antes chamada de Complexo da Bell Labs em Holmdel, está localizada no município de Holmdel em Nova Jérsei, Estados Unidos. Está situada especificamente no Condado de Monmouth, ao sul da cidade de Nova Iorque, em um terreno de aproximadamente 191 hectares. A maior parte do terreno era plano antes da construção do complexo. A parte central do terreno, que tem 54 hectares, teve paisagismo da Sasaki Associates. A seção projetada pela Sasaki, que faz parte da listagem do Registro Nacional de Lugares Históricos, parece uma fechadura quando vista de cima. O resto do terreno costumava ser uma reserva natural, com árvores e campos precedendo a construção da Bell Works. Essa área foi reurbanizada na década de 2010 com aproximadamente 225 casas construídas pela Toll Brothers.
Circulação e disposição Vias thumb|260px|Rampas de acesso conectam as vias elípticas externa e interna, criando ilhas divisórias gramadas ao redor do complexo O complexo é acessado principalmente por carro e tem por volta de treze quilômetros de vias de mão única. O uso de vias de mão única eliminou a necessidade de vias arteriais largas e também segregou o tráfego baseado em seu destino. O local é acessado por duas vias que seguem entre a Estrada Crawfords Corner ao nordeste do complexo e o edifício principal ao sudoeste. As duas vias de acesso flanqueiam um canteiro central no formato de dois triângulos conectados; elas se aproximam uma da outra até uma distância de 46 metros na extremidade nordeste do local, mas se afastam ao nordeste e sudoeste.
As vias de acesso levam à duas vias elípticas concêntricas que circulam o edifício principal. A elipse interna mede 780 por 490 metros, enquanto a externa mede 870 por 610 metros. O perímetro externo das vias é ladeado por árvores plantadas pela Sasaki, enquanto o perímetro interno tem árvores e canteiros de grama que as separam dos estacionamentos localizados dentro da elipse. As duas vias elípticas também proporcionam acesso a edifícios auxiliares no local, como por exemplo as docas de carga e a sala das caldeiras. Elas são conectadas por rampas de acesso de mão única, dividindo as elipses em ilhas centrais.
Um monumento em homenagem a Karl Guthe Jansky, que desenvolveu o primeiro radiotelescópio do mundo no local em 1931, fica em uma das ilhas centrais. Este monumento para Jansky é uma reprodução do telescópio original, medindo 3,3 ou quatro metros. Como os únicos dados existentes do telescópio original foram coletados em 10 de setembro de 1932, o monumento está orientado na mesma direção que o telescópio original nesse dia.
Área elíptica thumb|esquerda|250px|O edifício, e lagos e estacionamentos ficam dentro de uma elipse A área dentro da elipse é dividida em três seções. A central fica entre as vias de acesso noroeste e sudeste e contém o edifício principal. Há dois lagos artificiais, um ao nordeste e outro a sudoeste do edifício. O espelho d'água ao nordeste é um oval de 2,4 hectares, medindo 170 por 130 metros e com alguns estacionamentos. Tem uma capacidade de 23 milhões de litros proporcionando água refrigerada para o sistema de ar condicionado do edifício e combate à incêndios. O terreno é um declive do norte para o sul abaixo do edifício. O lago ao sul foi construído em 1982, é simétrico e tem árvores, uma ilha e uma ponte. Originalmente havia outras duas lagoas, uma de cada lado do edifício. Estas lagoas precediam o complexo e receberam um novo paisagismo na década de 1960, porém foram preenchidas quando o edifício foi ampliado na década de 1980.
As seções em formato de parábola ao noroeste e sudeste da elipse, flanqueando o edifício principal, contém estacionamentos. Estes estacionamentos podem acomodar aproximadamente cinco mil veículos. Uma via de acesso com ilhas centrais gramadas, flanqueadas por árvores e calçadas, fica em cada estacionamento e levam às entradas nas fachadas noroeste e sudeste do edifício. Havia quase oito mil árvores e plantas no local quando o complexo foi inaugurado em 1962.
Caixa d'água thumb|250px|A caixa d'água tem 39 metros de altura e é sustentada por três pernas A Bell Works possui uma única caixa d'água que está localizada no canteiro gramado entre as duas vias de acesso. Ela tem 39 metros de altura e pode armazenar até 1,1 milhões de litros de água, tendo sido construída para que os laboratórios dentro do edifício principal tivessem uma pressão de água consistente. Três poços fornecem água para a caixa.
A caixa d'água possui três pernas que sustentam uma bacia de 22 metros de largura e que é iluminada da base. David P. Willis do Asbury Park Press descreveu o desenho como parecendo um transístor; uma lenda urbana afirma que as pernas da caixa d'água representam as partes de um transístor, porém não existem evidências históricas documentais disso. Adrian F. Heffern do Asbury Park Press disse em 1961 que a caixa d'água dava ao complexo um eixo vertical, similar à caixa d'água do Centro Técnico da General Motors, ambas projetadas pelo arquiteto Eero Saarinen. A caixa d'água ainda está em condições utilizáveis.
História Pesquisas iniciais A Bell Telephone Laboratories começou a usar o terreno em 1929, depois de comprar uma fazenda em Holmdel para estabelecer um laboratório de recepção de rádio. Este substituiu uma área menor em Cliffwood que foi usada entre 1910 e 1930. O laboratório de Holmdel operava com um laboratório de transmissores em Deal e era usado pela Divisão de Pesquisa de Rádio da Bell para experimentos de transmissão de rádio de ondas curtas, bem como para melhorar a confiabilidade dos serviços de radiotelefonia transatlântica do Sistema Bell. O laboratório era um edifício de um único andar com fachada de tábuas e era um local auxiliar do Edifício da Bell Laboratories em Nova Iorque. O antigo edifício do laboratório, também conhecido como a Casa de Hendrick Hendrickson, datava de 1730 e foi relocado em 1960 quando o complexo estava em construção.
Radioastronomia e antenas thumb|esquerda|250px|<center>Jansky com sua antena direcional em Holmdel no início da década de 1930; este equipamento é reconhecido como o primeiro radiotelescópio da história O terreno onde hoje fica o complexo é reconhecido como o local de nascimento da radioastronomia. A Bell Labs designou o físico e engenheiro Karl Guthe Jansky em 1928 para investigar fontes de chiado de rádio interferindo com o serviço radiotelefônico transatlântico de ondas curtas operado pelo Sistema Bell. Jansky, a fim de localizar a interferência, construiu uma antena direcional giratória de trinta metros, chamada de "Matriz Bruce" e baseada em projetos de seu colega Edmond Bruce. O equipamento foi equipado com um refletor parasita e instalado sobre rodas e eixos de um Ford Model T para que pudessem realizar uma rotação a cada vinte minutos, sendo apelidado pela equipe da Bell de "carrossel". A matriz foi construída no laboratório de Cliffwood Beach e depois relocada para Holmdel, onde foi colocada longe dos edifícios do laboratório para reduzir a interferência local.
Jansky até 1932 tinha identificado um "chiado constante semelhante a estática de origem desconhecida", classificando-o separadamente do chiado causado por tempestades locais e distantes. Ele estudou a direção do chiado por mais de um ano e, com a ajuda do então doutorando Albert Melvin Skellett, concluiu que o sinal vinha de um ponto fixo além do Sistema Solar, na direção do centro da Via Láctea. Jansky anunciou suas descobertas em abril de 1933 em uma reunião do Comitê Nacional para a União Internacional da Ciência de Rádio e as publicou no mesmo ano. A descoberta foi bastante relatada pela imprensa internacional, mas despertou pouco interesse imediato entre os astrônomos, com Jansky não conseguindo aprofundar essa investigação. Um monumento à descoberta de Jansky, uma miniatura de sua antena orientada da mesma maneira que a matriz no momento da detecção, foi inaugurada em 8 de junho de 1998 no local original.
thumb|250px|Uma matriz de seis antenas rômbicas operadas em Holmdel na década de 1930 e usadas pelo sistema de Antena Orientável de Múltiplas Unidades (MUSA) O local também foi um centro para projetos de antenas. Bruce é creditado como o inventor da antena rômbica, pela qual recebeu em 1935 o Prêmio Longstreth do Instituto Franklin. A primeira descrição publicada do projeto em 1931 incluía testes de uma antena rômbica experimental em Holmdel. Harald Trap Friis, o supervisor de Jansky, trabalhando junto com C. B. Feldman, desenvolveu na década de 1930 a Antena Orientável de Múltiplas Unidades (MUSA) para melhorar a recepção de rádio transatlântica ao combater o desvanecimento causado pela propagação por múltiplos caminhos. A MUSA operava de Holmdel e usava uma fileira de seis antenas rômbicas de 1,2 quilômetro alinhadas com um transmissor no Reino Unido, com cada antena estando conectada por meio de cabos coaxiais individuais a uma recebedor. Os engenheiros, em vez de moverem fisicamente as antenas, controlavam eletronicamente o ângulo vertical de recepção utilizando defasadores, desta forma isolando no melhor ângulo de chegada. A MUSA conseguia uma melhora na relação sinal-ruído de sete a oito decibéis quando comparada com a maior antena fixa da época.