TV Cubo foi uma estação de televisão clandestina brasileira de São Paulo, capital do estado homônimo, transmitida no canal 3 VHF, mas com alcance limitado, sendo sintonizada apenas nos bairros do Pinheiros, Butantã e Vila Madalena. Foi a primeira emissora de transmissão pirata a surgir no Brasil, o qual acabaria inspirando a TVento Levou e a 3 Antena, que vieram em sequência, fazendo parte do movimento de operação de televisões ilegais entre o final dos anos 1980 e o início dos anos 1990 no eixo Rio-São Paulo.

História Na noite de 27 de setembro de 1986, por volta das 18h45, os sinais da RTC (atual TV Cultura) e da TVS São Paulo (atual SBT São Paulo) eram invadidos por uma voz feminina, convidando o público a sintonizar o canal 3, desativado desde 1960 quando os Diários Associados decidiram migrar a TV Tupi São Paulo para o canal 4, visando evitar interferências no canal 2, ocupado pela Cultura.

A voz feminina lançava o seguinte convite ao público em sua invasão na TV Cultura e na TVS:

Ao sintonizar no canal 3, o público se deparava com um protesto contra a "monopolização" do conteúdo. Em um dos trechos, o jornalista Cid Moreira aparecia na bancada do Jornal Nacional, a qual comandava à época, ficando estático comandando as seguintes manchetes bizarras do dia com uma voz masculina dublada: greve de vacas e protestos pela reinvindicação de terras indígenas no Vale do Anhangabaú. Em outro trecho resgatado da TV Cubo, os repórteres que atuavam usando máscaras para cobrir os olhos, entrevistavam populares nas ruas com perguntas hilárias, como “Se você tivesse que chutar alguém, quem você chutaria?”.

A suposta última transmissão da TV Cubo, em que se tem registro da imprensa, aconteceu no dia 1 de abril de 1987, data comemorativa do Dia da Mentira. Naquela ocasião, a Cubo prometeu realizar uma uma transmissão simultânea com a TVento Levou, do Rio de Janeiro, em uma maratona realizada nos dias 15 a 17 de maio, mas não se sabe se chegou a ir ao ar. Em 1990, a 3 Antena chegou a anunciar que faria uma transmissão em "rede" com a TV Cubo, mas isso acabou não acontecendo, já que a "equipe" da Cubo teria reprovado o conteúdo da Antena. Enquanto uma era de origem comunitária e chegava a dar espaço para artistas desconhecidos, a outra adotava uma postura mais agressiva com a crítica política, com o conteúdo carioca sendo considerado "escatológico". De acordo com o artista plástico Marcelo Masagão, que coordenava a programação da TV Cubo, em entrevista ao programa Documento Especial da extinta Rede Manchete, que abordou o tema das transmissões piratas em 1990, a 3 Antena havia enviado uma fita de vídeo de seu programa que iria ao ar em São Paulo. Nela, o então Ministro da Saúde, Alceni Guerra, aparecia ensinando um grupo de pessoas a produzir um baseado. O ato foi considerado por Masagão uma "molecagem" e que, apesar de se mostrar na época a favor da descriminalização da maconha, o debate sobre o assunto deveria ser feito de forma civilizada. A Cubo acabaria exibindo um documentário sobre Angra dos Reis no horário combinado do pool que não aconteceu, sendo esse o último registro ao vivo em que se tem conhecimento. O conteúdo da emissora é considerado um lost media.

Legado A TV Cubo ainda inspirou outras emissoras de televisão clandestinas no Brasil como a TV Lama, do Litoral Carioca, e a TV Livre. O movimento abriu debates sobre a democratização do conteúdo no Brasil, a distribuição de outorga e a abertura de espaço para nomes desconhecidos na mídia. As emissoras piratas chegaram a ter o apoio de parte da classe artística do Brasil e de parlamentares do Partido dos Trabalhadores (PT).

O programa Disney Club, exibido pelo SBT entre 1997 e 2002, chegou a abordar o uso de TV Pirata através da TV CRUJ, que "invadia" o sinal de um grande canal de televisão. Em 2020, a extinta emissora de televisão aberta Loading usou a temática de "invasão" para iniciar as suas transmissões.

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