Nacla () é o nome de dois vales (uádis) da região do Hejaz, situados na rota entre Meca e Taife, na atual Arábia Saudita, tradicionalmente distinguidos como Nacla Axamia, ao norte, e Nacla Iamania, ao sul. Na Arábia pré-islâmica, a região possuía importância religiosa, sobretudo por abrigar na Nacla Axamia um importante santuário de Aluzá, venerado especialmente pelos coraixitas e pelos quinanaítas. Nacla também aparece em diversos episódios das tradições sobre o início do Islã: Maomé teria passado pelo vale antes da Hégira; em 624, Bátene Nacla foi cenário da Expedição de Nacla; e, após a Conquista de Meca em 630, Calide ibne Alualide foi enviado à região para destruir o santuário de Aluzá.
Geografia
Nacla é o nome dado a dois vales situados na rota entre Meca e Taife, conhecidos como Nacla Axamia (Nacla setentrional) e Nacla Iamania (Nacla meridional). Segundo Watt, o topônimo provavelmente deriva da abundância de palmeiras (nakhl) nos vales. A região constituía uma das passagens entre Taife e Meca: Bátene Nacla, isto é, a parte interior do vale, é descrito como a última etapa antes de Meca para os viajantes que chegavam pela rota procedente do Iêmem e de Taife. O antigo mercado de Ucaz situava-se entre Taife e Nacla, a sudeste de Meca. As fontes distinguem determinados locais no interior dos dois vales. Na Nacla Axamia encontrava-se uma elevação associada ao santuário de Aluzá, divindade particularmente venerada pelos coraixitas e pelos quinanaítas. A tradição relativa ao santuário situa-o mais especificamente em Hurade, na Nacla Axamia.
História
Nacla possuía importância religiosa na Arábia pré-islâmica. Na Nacla Axamia havia uma elevação onde se encontrava um ídolo de Aluzá, divindade especialmente venerada pelos coraixitas e pelos quinanaítas. Três árvores da espécie samura estavam estreitamente associadas ao culto, e algumas tradições consideravam a circunvolução do santuário de Aluzá necessária para completar a peregrinação à Caaba. Em outro ponto de Nacla havia ainda um ídolo de Suá, outra divindade cultuada na Arábia pré-islâmica. Segundo a tradição islâmica, Maomé passou por Nacla ao retornar de Taife, pouco antes da Hégira. Foi durante uma parada no vale que teria ocorrido o episódio, mencionado no Alcorão, em que um grupo de gênios ouviu sua recitação e se converteu ao Islã.
Em Rajabe de 2 A.H. (janeiro de 624), Nacla foi cenário da Expedição de Nacla, comandada por Abedalá ibne Jaxe. Maomé enviou o destacamento a Bátene Nacla com a missão de observar os coraixitas e uma caravana que se aproximava do sul. Os expedicionários encontraram uma caravana que regressava de Taife no último dia de Rajabe e decidiram atacá-la, apesar de se encontrarem num dos meses sagrados: Anre ibne Alhadrami, que chefiava a caravana, foi morto, dois homens foram capturados e outro conseguiu escapar. O episódio provocou controvérsia em razão da proibição de combater durante os meses sagrados e foi posteriormente associado à revelação da sura Albacara 2:217. Após a Conquista de Meca, em 8 A.H. (630), Maomé enviou Calide ibne Alualide a Nacla para destruir o santuário de Aluzá. Segundo as tradições preservadas nas fontes islâmicas, Calide derrubou as árvores associadas à divindade e destruiu seu ídolo, pondo fim ao culto no local. Depois da Batalha de Hunaine, Maomé atravessou a Nacla Iamania, onde uma mesquita teria sido posteriormente construída.
Bibliografia
Categoria:Uádis da Arábia Saudita