A Necrópole da Herdade do Cortiçal, localizada na freguesia de Igrejinha, concelho de Arraiolos, é um relevante sítio arqueológico de cronologia exclusivamente romana inventariado sob o número 185 no catálogo nacional de necrópoles. Identificada originalmente pelo arqueólogo José Leite de Vasconcelos no início do século XX e descrita na sua obra As Religiões da Lusitânia, esta necrópole de inumação destaca-se pela grande diversidade estrutural das suas sepulturas, que incluem desde covas simples a sofisticadas caixas de pedra, tijolos e grandes tegulae. O espaço funerário desenvolveu-se em estreita associação territorial com o limítrofe Castelo do Mau Vizinho — um povoado fortificado romano situado na Herdade do Cortiçal de Baixo e do qual estava separado apenas por uma linha de água —, servindo de suporte arqueológico fundamental para o estudo das redes de povoamento e das comunidades locais a oeste da Serra de Ossa. Entre o seu rico espólio material, que abrange um conjunto de vidros romanos estudado por Jorge de Alarcão em 1978, a peça de maior notoriedade é um prato de cerâmica comum com o grafito CALANTANI; este achado epigráfico permanece no centro de um debate académico entre os investigadores que o associam ao étimo dos calanticenses (comunidade cujo núcleo cívico e religioso ficava na atual Santana do Campo) e os especialistas que o interpretam estritamente como o nome pessoal do proprietário do utensílio.

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