A candidatura de Brasília para sediar os Jogos Olímpicos de Verão de 2000 foi o primeiro projeto olímpico oficial do Brasil, sendo idealizada pelo empresário Paulo Octávio no final de 1989, com a eleição de Fernando Collor e formalmente estruturado em 1990, durante a Copa do Mundo daquele ano. O projeto teve apoio político do governo federal da época e articulações que envolveram figuras como o então presidente da FIFA, João Havelange. Em 1992, o projeto foi aceito oficialmente pelo Comitê Olímpico Internacional (COI).
A proposta do projeto era associar as comemorações dos 500 anos do Descobrimento do Brasil e 40 anos da Inauguração de Brasília com um evento inédito ao país, incluindo pré-projetos arquitetônicos assinados por Oscar Niemeyer e Ruy Ohtake para arenas e equipamentos esportivos.
Locais de competição Os principais locais de competição para os jogos eram:
Complexo Poliesportivo Ayrton Senna A região que hoje compreende o Complexo Poliesportivo Ayrton Senna, localizado no Setor de Recreação Pública Norte (SRPN), seria o coração dos Jogos Olímpicos. A proposta incluía a modernização e ampliação das estruturas já existentes na época:
Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha: Receberia as provas de futebol e atletismo, junto com as cerimônias de abertura e de encerramento. Ginásio Nilson Nelson: Receberia os esportes de quadra indoor, como o vôleibol e o basquetebol. Complexo Aquático Cláudio Coutinho: Seria ampliado para receber as competições de natação, saltos ornamentais e polo aquático.
O projeto também previa a construção de novos pavilhões no entorno do complexo para modalidades como baseball, ginástica e ciclismo.
Vila Olímpica e Centro de Mídias Uma das áreas mais estratégicas do projeto ocuparia o espaço onde hoje está localizado o Setor Noroeste. Ali, seria construído um complexo residencial para abrigar os atletas e as delegações onde após o encerramento das Olimpíadas, os apartamentos fossem vendidos e a região seria transformada em um novo bairro residencial.
Também planejado para a mesma região da vila olímpica, o Centro Internacional de Mídias (IBC/MPC) serviria de base para a imprensa das Olimpíadas para o mundo inteiro.
Lago Paranoá O Lago Paranoá seria intensamente utilizado para os esportes náuticos:
Remo e Canoagem: Em trechos específicos do lago, raias seriam montadas para a prática dos esportes citados, aproveitando as condições favoráveis do vento e as águas calmas. Vela: As competições de vela seriam centralizadas pelos Setores de Clubes ao longo das margens no lago.
Outras regiões (descentralização) Para envolver todo o Distrito Federal no clima olímpico, o Comitê estendeu o mapa de jogos para outras RAs. Em Taguatinga, o torneio olímpico de futebol teria partidas mandadas no Estádio Elmo Serejo Farias (Serejão). O pré-projeto da ampliação do estádio foi formalmente inspecionada e aprovada pelo então presidente da FIFA, João Havelange, numa visita técnica em 1990.
Fim da candidatura A inflação causada por uma crise econômica no Brasil naquela época, os reflexos dos planos econômicos e o impeachment de Fernando Collor fragilizou o suporte financeiro e institucional necessário para a candidatura. Sem garantias econômicas e com pouco apoio interno para bancar as exigências logísticas do COI, o projeto perdeu força e foi encerrado antes das etapas decisivas de votação.
No final, os Jogos Olímpicos de Verão de 2000 acabaram sendo concedidos a Sydney, na Austrália, depois da disputa final de votação realizada em 1993 na 96ª sessão do COI em Mônaco.
Ver também
Eleição da cidade-sede dos Jogos Olímpicos de Verão de 2000
Referências
Categoria:Candidaturas para os Jogos Olímpicos de Verão de 2000