Furate ibne Haiane () foi um árabe dos ijelitas, ramo dos becritas, conhecido como guia de caravanas e posteriormente companheiro de Maomé. Antes de sua conversão ao Islã, trabalhava como guia dos comerciantes de Meca e teria composto versos satíricos contra Maomé. Após a Batalha de Badre, guiou uma caravana coraixita pela rota do Iraque, escolhida para evitar a rota costeira para a Síria. A caravana foi interceptada por uma força comandada por Zaíde ibne Harita, e Furate foi capturado, convertendo-se ao Islã e sendo libertado.

Após sua conversão, Furate integrou os e participou de campanhas de Maomé, que lhe concedeu uma propriedade em Iamama e o enviou contra Muçailima. Depois da morte de Maomé, estabeleceu-se primeiro em Meca e posteriormente em Cufa. Participou das conquistas muçulmanas, incluindo a conquista de Ticrite, na qual comandou a ala esquerda do exército, e das campanhas na Pérsia. Também foi transmissor de hádices atribuídos a Maomé. Sua data de morte é desconhecida.

Vida

Furate ibne Haiane ibne Talaba pertencia aos ijelitas, ramo dos becritas, sendo por isso conhecido pelas nisbas Alijli e Albacri, além de Iascuri. Antes de sua conversão ao Islã, era conhecido por seu conhecimento das rotas comerciais e trabalhava como guia das caravanas de Meca. Nesse período, também teria composto versos satíricos contra Maomé. Após a Batalha de Badre, em 624, os coraixitas passaram a considerar insegura a rota costeira tradicional utilizada por suas caravanas em direção à Síria. Furate foi então contratado como guia de uma caravana que seguiu pela rota do Iraque. Segundo Aluaquidi, quando Safuane ibne Omaia discutiu com outros comerciantes coraixitas a dificuldade de continuar utilizando a rota habitual, Alaçuade ibne Almotalibe aconselhou-os a evitar a costa e seguir pelo caminho do Iraque. Alaçuade indicou Furate, que conhecia a rota, e participou da organização de sua contratação como guia. A caravana, que transportava grande quantidade de bens pertencentes aos comerciantes de Meca, partiu então pela nova rota.

Maomé enviou uma força comandada por Zaíde ibne Harita contra a caravana, que foi interceptada em . Os integrantes coraixitas conseguiram fugir, mas os muçulmanos capturaram os bens transportados e fizeram Furate prisioneiro. Diante da decisão de matá-lo, Furate declarou a alguns dos ançares que havia se tornado muçulmano. Ao ser informado da declaração, Maomé aceitou sua profissão de fé e ordenou que fosse libertado. A cronologia desse episódio não é uniforme nas fontes: embora a tradição predominante o situe depois de Badre, Ibne Sade associa a conversão de Furate aos acontecimentos da Batalha da Trincheira. Depois de sua conversão, Furate passou a integrar os , junto aos quais recebeu instrução religiosa, e participou de campanhas ao lado de Maomé. Os versos satíricos que lhe eram atribuídos antes da conversão deram lugar a composições em louvor ao profeta. Maomé concedeu-lhe ainda uma propriedade em Iamama cuja renda era estimada em quatro mil dirrãs e enviou-o contra Muçailima.

Após a morte de Maomé, em 632, Furate estabeleceu-se inicialmente em Meca e posteriormente mudou-se para Cufa. Participou das conquistas realizadas durante o Califado Ortodoxo e, em 16 AH (637), tomou parte na conquista de Ticrite como comandante da ala esquerda do exército. Participou também da conquista da Pérsia e integrou uma delegação enviada para convidar o xá sassânida a aceitar o Islã. Sua data de morte é desconhecida. As fontes registram que deixou descendentes tanto em Meca quanto em Cufa. Furate também é mencionado como transmissor de tradições de Maomé. São-lhe atribuídos dois hádices, e entre os que transmitiram tradições de sua autoridade encontram-se , Hanzala ibne Arrabi e Alhaçane de Baçorá.

Bibliografia

Categoria:Companheiros de Maomé Categoria:Ijelitas Categoria:Árabes do século VII Categoria:Árabes do século VI