Vila de Santo Antônio de Sá foi uma vila localizada no atual estado do Rio de Janeiro. Fundada em fevereiro de 1647 como freguesia de Santo Antônio de Caceribu, Santo Antônio de Sá existiu até 29 de setembro de 1877, quando o que restou da antiga vila, após esta ser fragmentada para a criação de diferentes vilas, mudou de nome para Sant'Anna de Macacu, dando posteriormente origem ao município de Cachoeiras de Macacu.

Dentre os municípios criados através da divisão da antiga vila de Santo Antônio de Sá, encontram-se também Itaboraí, Maricá, Rio Bonito, Tanguá e Guapimirim, além do atual distrito de Itambi.

A antiga Vila e seus Remanescentes, vestígios estão localizados no Vale do Macacu, no caso seus vestígios se encontram no município de Itaboraí, no bairro Porto das Caixas, aonde se abrigam as Ruínas do Convento de São Boaventura, o sítio arqueológico da Vila de Santo Antônio de Sá e a Ruína da Antiga Igreja da Matriz de Santo Antônio de Sá.

Todos esses vestígios foram tombados como Patrimônio Histórico Cultural e também arqueológico, pelo IPHAN e também pelo INEPAC.

História

A primeira tentativa dos portugueses de ocupar a região próxima ao rio Macacu ocorreu em 29 de Outubro de 1567, quando Mem de Sá concedeu uma sesmaria ao escrivão da Fazenda d'el-Rei Miguel de Moura, com o rio atravessando a sesmaria. Partes das terras cedidas a Miguel já haviam sido cedidas um mês antes a Baltasar Fernandes, porém este faleceu em combate com os indígenas. Miguel repassou as terras para a Companhia de Jesus em 18 de Outubro de 1571, que fundou a Fazenda de Macacu em 1573. Após litígio pela posse das terras, os descendentes de Baltasar se tornariam arrendatários dos jesuítas.

Em 1579, foi criada em um local denominado Cabuçu a aldeia de São Barnabé, para abrigar indígenas provenientes da aldeia de São Lourenço, criada por Arariboia. A Fazenda de Macacu serviu de apoio para o aldeamento, que se transferiu para mais próximo da fazenda em 1584. Parte da fazenda foi vendida a Manoel Fernandes do Zouro, que em 1612 ergueu no local uma capela dedicada a Santo Antônio. A capela foi elevada a curato em 1628, e em fevereiro de 1647 a freguesia, com o nome de Santo Antônio de Caceribu.

A fundação da vila – a segunda do Estado do Rio de Janeiro marcou a distribuição de terras e o povoamento no Recôncavo da Baía da Guanabara. Com sua extinção, o território foi incorporado à freguesia de São João de Itaboraí. Após 1890, a vila de São João de Itaboraí é elevada à categoria de cidade, e depois de alguns anos, algumas indústrias foram se fixando na cidade. Atualmente, os remanescentes materiais da antiga vila incluem as ruínas arquitetônicas do convento e da igreja matriz, além do Sítio Arqueológico da Fazenda de Macacu.

Com o crescimento da população, o governador Artur de Sá Meneses criou em 5 de agosto de 1697 uma vila no local em que se encontrava a freguesia de Santo Antônio de Caceribu, alterando o nome para Santo Antônio de Sá. No momento da sua criação, foi ordenado pelo governador que todas as povoações ao longo do rio Macacu pertenceriam a partir daquele momento a vila. A população da vila cresceu bastante no século 18, e com isso, foram criadas diferentes freguesias ligadas a Santo Antônio de Sá, o que causou uma fragmentação da vila em diferentes municípios. Em 1772, a Aldeia de São Barnabé é elevada a vila sob o nome de Vila Nova de São José del-Rei, esta incorporando também a Freguesia de Nossa Senhora do Desterro do Itambi.

Entre 1829 e 1833, uma epidemia de malária atingiu a região, que por ser bastante próxima ao rio Macacu, ficou conhecida como "Febres do Macacu". A epidemia fez com que a Freguesia de São João de Itaboraí, a principal e mais populosa de Santo Antônio de Sá, fosse elevada a vila em 15 de janeiro de 1833. A população caiu de forma acentuada, e com isso, em 1834, a vila de Santo Antônio de Sá foi dividida em três freguesias, a sede da vila, São José da Boa Morte, com sede na Igreja de São José da Boa Morte, e Santíssima Trindade, com sede na Igreja Matriz da Santíssima Trindade.

Durante “as Febres de Macacu” ou “a Peste de Macacu”, o interior do Convento de São Boaventura foi utilizado para acudir os docentes. O cirurgião da vila Francisco José de Sá, fazia o trabalho de recolher os doentes e transportá-los ao interior do convento. (Depois desse esvaziamento da região, forçado pelo declínio econômico causado pelas epidemias locais, o convento teve em 1841 seu último guardião religioso, e por fim, seu abandono foi completo. Em 1859 a edificação já não tinha mais condições de habitação.

Com isso, o conjunto foi se deteriorando, chegando até o seu estado atual, de ruínas. Outras questões que contribuíram para o desaparecimento da vila, além das pragas, foram as criações de outros pontos de passagem para a comercialização. Foram implantadas novas ferrovias e acessos para o interior do estado do Rio de Janeiro, deixando a Vila de Santo Antônio de Sá entrar em declínio em 1836 .

Com uma população já bastante reduzida pela epidemia e pelas diferentes mudanças administrativas, Santo Antônio de Sá é incorporada a Itaboraí em 1875, e muda de nome em 29 de setembro de 1877, oficializando a extinção do local.

Itaboraí abriga uma das edificações mais antigas da região dos rios Macacu e Caceribu, como as Ruínas do Convento de São Boaventura e as ruínas da Igreja Matriz do Santo Antônio de Sá da antiga vila. destacar destacam-se ainda, a Igreja Matriz de Porto das Caixas – inicialmente construída como capela em 1571 e reconstruída em 1747 –, e o Primeiro Túnel Ferroviário do Brasil, inaugurado em 1860, que também fica em Porto das Caixas por D. Pedro II.

Cultura e Turismo Segundo a Organização Mundial de Turismo o turismo compreende as atividades que as pessoas realizam em lugares, espaços e culturas diferentes ao seu entorno, por um período inferior a um ano, com suas próprias finalidades. Dessa forma a motivação pode ser por diversas finalidades, como: lazer, entretenimento, negócios, estudos, descanso e entre outras. A cultura tem um forte apelo de atração, que fortalece características presentes nos territórios. O Turismo Cultural é um segmento dentro do âmbito do turismo, com o objetivo de deslocamento de turistas e visitantes com o foco da cultura e identidade de alguma localidade. É utilizado para sua valorização e constatação do patrimônio, bem como, os benefícios que esse enaltecimento pode atrair, pois com a atividade turística em bens culturais, materiais e imateriais, tem a chance de promover o reconhecimento e seu valor para os turistas e visitantes.

O Turismo Cultural pode proporcionar uma ligação com a comunidade e promover novas perspectivas para esses patrimônios que ainda vão ser explorados. Quando se trata de sítios arqueológicos e sua importância histórico-cultural, utiliza-se o termo Turismo Arqueológico, que também se enquadra dentro do Turismo Cultural.

Grande parte dos sítios arqueológicos no Brasil, com potencialidades turísticas, estão em áreas de unidade de conservação e áreas rurais, como também estão localizadas em territórios de suma importância no contexto histórico (Souza, 2012). Sítios arqueológicos são patrimônios nacionais, que pertencem à União.

Logo, entende-se que o Turismo Cultural, e a Interpretação do patrimônio podem ter uma relação positiva com o desenvolvimento de uma cidade, enfatizando o valor patrimonial do objeto elevando suas atribuições e valores para a cidade.

As Ruínas do Convento São Boaventura e as Ruínas da Igreja Matriz da Vila de Santo Antônio de Sá são um patrimônio histórico-cultural que necessita de uma comunicação interpretativa que contribua para ressignificar o território. Um dos recursos ou estratégias dessa comunicação interpretativa possível é a produção de um roteiro de uma rota cultural temática comprometida com a Educação Patrimonial. Isto é, um produto comunicativo que visa estabelecer informação sobre os bens patrimoniais estimulando a reflexão e conhecimento sobre determinados bens associados aos remanescentes da Vila de Santo Antônio de Sá e o território que originou Itaboraí.

Bibliografia