O género Rhizostoma (Cuvier, 1800), pertencente à classe Scyphozoa e à ordem Rhizostomeae, agrupa algumas das maiores e mais impressionantes espécies de medusas que habitam as águas temperadas e costeiras do Oceano Atlântico oriental, do Mar Mediterrâneo e do Mar Negro. A espécie mais emblemática e amplamente distribuída na Europa é a Rhizostoma pulmo, comummente conhecida como medusa-barril, água-viva-azul ou pulmão-do-mar. Anatomicamente, estes organismos caracterizam-se por uma grande campânula ou umbela hemisférica, rígida e translúcida, que pode atingir diâmetros impressionantes entre os 40 e os 90 centímetros, exibindo uma coloração branco-leitosa ou azulada com uma orla periférica recortada por uma banda de cor azul-escura ou violeta. Ao contrário de outros cnidários, o género Rhizostoma destaca-se pela ausência total de tentáculos marginais longos na periferia da sua campânula; em sua substituição, apresenta oito braços orais espessos, ramificados e fundidos na base, cuja morfologia se assemelha às raízes de uma planta — particularidade que deu origem ao seu nome científico, derivado dos termos gregos rhiza (raiz) e stoma (boca). Estes braços fundidos formam uma estrutura complexa dotada de milhares de poros microscópicos que servem para filtrar a água e capturar o plâncton, larvas de peixes e micro-organismos que constituem a sua base alimentar. Do ponto de vista ecológico, estas medusas desempenham um papel fulcral na cadeia trófica marinha, servindo não só de alimento principal para predadores de grande porte, como as tartarugas-marinhas (especialmente a Caretta caretta) e o peixe-lua (Mola mola), mas também de refúgio biológico móvel para juvenis de várias espécies de peixes (como os carapaus), que se abrigam entre os seus braços carnosos para escapar a predadores. Embora as suas populações sofram grandes surtos de proliferação nos meses mais quentes do verão e início do outono devido ao aumento da temperatura da água, o contacto com os seres humanos acarreta uma perigosidade muito baixa, uma vez que os seus cnidócitos (células urticantes) possuem uma toxina fraca, incapaz de infligir danos graves na pele humana, provocando, na pior das hipóteses ou em peles mais sensíveis, apenas um eritema ligeiro ou uma comichão passageira e facilmente tratável.
Categoria:Cnidários Categoria:Rhizostomeae Categoria:Scyphozoa