O kerb é uma tradicional festa de origem alemã (Kircheeinweihung, festa de inauguração da igreja) trazida à Região Sul do Brasil pelos imigrantes que vieram da Europa nos anos 1800. A celebração mistura religiosidade, forte integração comunitária, gastronomia típica (como cucas, carnes e chucrute) e bailes com bandas tradicionais, sendo geralmente realizada no dia do padroeiro (quando a comunidade envolvida é católica) ou no dia da inauguração do templo (quando a comunidade é luterana).

Etimologia Ao portal da Nossa Rádio o historiador Jeferson Ribas explicou "que em tradução kerb é colheita", numa alusão aos antigos povos germânicos "de um tempo muito antes do cristianismo ou mitologia grega e romana” que celebravam a colheita como o início de um novo ciclo. Já o jornal Dois Irmãos explica: "a palavra Kerb, aliás, vem do alemão ‘Kirchweih’, que significa inauguração de igreja".

Alguns descentes de migrantes acreditam que a palavra signifique "cesto" (korb, no alemão oficial). De acordo com essa crença popular, as primeiras famílias migrantes, que moravam a uma boa distância umas das outras, levavam cestos com quitutes para serem compartilhados quando o templo era inaugurado.

História

Princípios Os primeiros festejos de kerb eram festas rústicas, realizadas com os módicos recursos dos migrantes para inaugurar o templo da localidade onde moravam. Segundo o jornal local Repercussão, por exemplo, o primeiro kerb da cidade de Sapiranga teria sido realizado ainda em 1845, na casa de um dos primeiros migrantes, para representar "os cultos [luteranos] que ocorriam anteriormente na Alemanha". A primeira igreja teria sido construída na cidade em 1850.

Evolução As festas de kerb evoluíram nos anos 1900, atingindo seu apogeu em meados desse século, quando a festa deixou de ser uma festa realizada em torno da igreja para ser uma festa da cidade realizada na casa das pessoas. Se bem que a data do kerb tenha sido mantida como uma data religiosas, os festejos passaram a ser o encontro de dezenas de pessoas, geralmente familiares e amigos que morava em outras cidades. "As casas ficavam cheias de visitas que vinham de todas as partes para comemorar a data", explicou uma entrevistada para o portal da Ufpel.

Os preparativos incluíam a preparação de diversos tipos de comida, como carnes assadas, linguiça colonial, cucas, pães, chucrute e a tradicional bebida spritzbier, que, para ficar refrescante, ficava repousando por vários dias no porão das casas, onde a temperatura era menor.

Homes e mulheres também, tradicionalmente, vestiam suas melhores roupas e não raro as mulheres mandavam fazer vestidos novos para o evento, que começava com um baile realizados após o culto [luteranos] ou missa [católicos].

Kerb de São Miguel Em muitas cidades do Rio Grande do Sul, o kerb ainda é um dos principais festejos locais, como na cidade de Dois Irmãos, que realiza o seu tradicional Kerb de São Miguel em setembro de cada ano.

Como curiosidade, entre os gaúchos existe o termo "enchentes de São Miguel", já que muitas cheias históricas aconteceram em datas próximas à celebração do arcanjo São Miguel, em 29 de setembro.

Referências

Categoria:Cultura popular do Brasil Categoria:Festas da imigração alemã no Brasil Categoria:Religião