Marlene é um álbum de compilação da cantora brasileira Marlene, lançado pela Continental Cultural em 1976. O álbum reúne gravações realizadas entre 1948 e 1954, extraídas de registros originais da cantora. Produzida pelo pesquisador João Luís Ferrete, a compilação integra a série "Ídolos da MPB", da Continental, e é o décimo oitavo volume da coleção.

O repertório inclui gravações como "Qui Nem Jiló" e "Lata D'Água", e a edição foi acompanhada por uma separata com um relato biográfico de Marlene, elaborado por Ferrete a partir de reportagens antigas e depoimentos de pessoas que conviveram com a cantora, além de informações sobre sua atuação na Rádio Nacional e em seus programas de auditório.

A crítica especializada em música destacou o álbum por seu valor histórico e documental, ressaltando tanto a importância das gravações para o estudo da música popular brasileira quanto aspectos da interpretação de Marlene.

Detalhes do álbum e lançamento Marlene é a segunda coletânea musical da cantora, após o lançamento de Vamos Dançar com Marlene e Seus Sucessos (1956), que reunia gravações registradas ao longo de 1955 e 1956 em discos de 78 rpm. A compilação é também o décimo oitavo volume da série "Ídolos da MPB", lançada pela gravadora Continental e produzida pelo pesquisador João Luís Ferrete. A seleção reúne gravações de Marlene realizadas entre 1948 e 1954, extraídas de registros originais. Entre as faixas mencionadas estão "Dona Vera Tricotando" e "Esposa Modelo", ambas de 1950, além de "Tome Polca", registrada originalmente cerca de 25 anos antes. Os registros foram realizados com acompanhamento de conjuntos de estúdio.

A edição foi acompanhada por uma separata com um relato biográfico de Marlene, elaborado por Ferrete a partir de reportagens antigas e depoimentos de pessoas que conviveram com a cantora, além de informações destinadas a situá-la no contexto histórico da Rádio Nacional e de seus programas de auditório. De acordo com o pesquisador, a proposta da série era "informar, documentar e entreter", ao mesmo tempo em que recuperava registros fonográficos do período.

Em 3 de julho de 1976, a revista Manchete informou que a gravadora acabara de lançar o álbum no Brasil.

Singles Lançado em 27 de abril de 1948, "Casadinhos" é o primeiro single do álbum e traz uma letra que é uma declaração de amor. O disco foi destaque na revista Carioca por ser a estreia musical do então conhecido ator César Alencar, surpreendendo o público. Segundo a revista, o compacto atingiu vendas "fabulosas" em poucos dias. "Qui Nem Jiló" foi lançada em 29 de setembro de 1945, segundo a Revista do Rádio foi o segundo maior sucesso da carreira de Marlene até 1952, com 50 mil cópias vendidas, no mesmo ano, a revista informou que com as vendas das gravações de outros artistas, a canção foi a terceira mais comprada do compositor Humberto Teixeira, totalizando 250 mil exemplares. "Dona Vera Tricotando" e "Nego, Meu Amor" foram lançadas juntas em um compacto, em 3 de março de 1950, enquanto "Esposa Modelo" e Tome Polca", foram lançadas em 18 de setembro. A última música mencionada fez parte da trilha sonora do filme argentino Adeus Problemas (1955), no qual Marlene atua e canta a canção.

A faixa que abre o lado B do disco, é "Piririm", gravada em 29 de janeiro de 1951, para qual a Continental gastou Cr$ 30,000,00 na confecção. Embora o Diário de Notícias tenha considerado que "gravação está ótima, a orquestra impecável, os arranjos perfeitos", a canção falhou nas paradas musicais. "Lata D'Água" foi lançada em 25 de outubro de 1951, e foi definida pela revista Carioca como "a glorificação, em letra e música, da mulher do povo, nas suas tristezas, no seu lutar penoso e nas suas esperanças de evasão". A mesma revista a considerou o "maior samba do Carnaval de 1952". A canção foi a terceira mais votada no "Concurso de Músicas para o Carnaval de 52" da Prefeitura do Distrito Federal, no quesito samba, como prêmio, a interprete e seus compositores receberam a quantia de Cr$ 5.000,00. O disco figurou entre os mais vendidos nas paradas musicais do Correio da Manhã, e da Revista do Rádio.

"Patinete no Morro" foi lançada em 18 de novembro de 1953, a letra "fala da falta de brinquedos para as crianças da favela". No ano seguinte, foram lançados os três últimos singles presentes no álbum: "Se É Verdade" (em 2 de julho), "É Sempre o Papai" (em 14 de julho, a faixa traz a participação do marido da cantora, Luís Delfino, nos vocais, e foi estrategicamente elaborada pensando no Dia dos Pais), e "Mora na Filosofia" (de 29 de outubro, que foi gravada pensando no carnaval do ano seguinte, e ganhou na categoria de "Melhor Letra" pelo Sindicato dos Compositores Musicais do Rio de Janeiro).

Recepção crítica O Diário de Pernambuco destacou a importância histórica do álbum,classificando o conjunto como "um documentário musical de Marlene" e afirmou que o disco tinha "indissolúvel importância para colecionadores e estudiosos da evolução da nossa música popular", além de considerar o repertório "excelente".

O Jornal do Brasil destacou nas gravações a presença de uma característica que, segundo a publicação, permaneceria na atuação posterior de Marlene: a capacidade de sugerir "imagens de graça e movimento" durante a interpretação. O jornal apontou "Dona Vera Tricotando" e "Esposa Modelo" como exemplos dessa característica e observou que, embora os registros não apresentassem uma cantora de grande potência vocal, já revelavam "a artista de postura dramática em que se convertiria mais de 20 anos depois". A publicação também comparou a interpretação de "Tome Polca" feita por Marlene com uma gravação posterior de Maria Alcina e concluiu: "Marlene é a maior".

Lista de faixas Créditos adaptados do LP Marlene, de 1976.

Ficha técnica Créditos adaptados dos LPs Marlene, de 1976.

Produção técnica: Discos Continental Produção, pesquisa e texto: J. L Ferrete Controle técnico: Milton Araújo e Ercídio Zanatelli Produção gráfica: Francisco C. Gongora Colaboração especial: Miécio Caffé

Categoria:Álbuns de 1976 Categoria:Álbuns de música popular brasileira Categoria:Álbuns em língua portuguesa na década de 1970