The Messenger foi uma revista política, cultural e literária afro-americana publicada em Nova Iorque, nos Estados Unidos, entre 1917 e 1928. Fundada por A. Philip Randolph e Chandler Owen, esteve inicialmente ligada ao socialismo e ao movimento operário negro, tornando-se posteriormente uma importante publicação da vida intelectual e cultural afro-americana e contribuindo para o desenvolvimento do Harlem Renaissance.
História A revista surgiu em 1917, num período de intensa transformação social e política da população afro-americana nos Estados Unidos, marcado pela Grande Migração de afro-americanos do Sul para as cidades do Norte e pelo crescimento dos movimentos políticos e sindicais negros. Randolph e Owen, ambos ligados ao Partido Socialista da América, pretendiam criar uma publicação que defendesse uma perspetiva radical sobre as relações raciais, o trabalho e a organização política dos afro-americanos.
Antes de The Messenger, os dois haviam editado o Hotel Messenger, publicação dirigida aos trabalhadores da hotelaria. Em agosto de 1917, depois de se afastarem dessa publicação, fundaram The Messenger em Nova Iorque. A revista era inicialmente apresentada como uma publicação de radicalismo político e defendia uma maior participação dos afro-americanos na organização sindical e na luta contra a discriminação racial.
Nos primeiros anos, The Messenger assumiu posições críticas relativamente à participação dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial e ao recrutamento militar de afro-americanos. A revista relacionava a discriminação racial com a exploração económica e defendia a organização dos trabalhadores negros. Embora apoiasse inicialmente algumas das posições da esquerda revolucionária internacional, Randolph e Owen permaneceram associados ao Partido Socialista depois da cisão da esquerda socialista norte-americana de 1919.
A publicação entrou também em conflito com algumas das principais correntes do pensamento político afro-americano da época. Randolph e Owen identificavam-se com uma nova geração de intelectuais e ativistas, que designavam como os New Crowd Negroes, procurando diferenciar-se tanto do W. E. B. Du Bois como de Booker T. Washington e de outras figuras da geração anterior.
Durante a Primeira Guerra Mundial, a orientação da revista atraiu a atenção das autoridades federais. Randolph e Owen chegaram a ser detidos em 1918 por causa das posições públicas que assumiram contra a política de guerra do governo de Woodrow Wilson.
Mudança de orientação A partir do início da década de 1920, o perfil de The Messenger começou a modificar-se. Embora continuasse a abordar questões políticas, sindicais e raciais, a revista passou a dedicar mais espaço à literatura, às artes, à cultura e à vida social dos afro-americanos. Esta transformação tornou-se mais evidente depois da saída de Chandler Owen em 1923 e da entrada de novos colaboradores e editores.
Em 1923, a revista passou a utilizar o subtítulo The Messenger: World's Greatest Negro Monthly, refletindo uma ampliação do seu conteúdo para além da intervenção política. A publicação começou a funcionar também como espaço para escritores, poetas, críticos e intelectuais afro-americanos, acompanhando a intensa atividade cultural que se desenvolvia no Harlem e noutras comunidades negras dos Estados Unidos.
Entre os escritores associados à revista encontravam-se Langston Hughes, Zora Neale Hurston e Claude McKay, figuras importantes da literatura afro-americana das décadas de 1920 e 1930. A publicação de poesia, ficção, crítica e ensaio contribuiu para a afirmação de uma nova geração de escritores negros e para a circulação de ideias associadas ao New Negro e ao Harlem Renaissance.
A revista tornou-se, assim, simultaneamente uma publicação política e um espaço de discussão sobre identidade, cultura e experiência afro-americana. A sua intervenção cultural ajudou a ampliar a representação dos afro-americanos na imprensa e na produção intelectual norte-americana durante a era das leis de Jim Crow.
Movimento operário A atividade de The Messenger manteve uma importante dimensão sindical durante a década de 1920. Em 1925, A. Philip Randolph fundou a Brotherhood of Sleeping Car Porters, sindicato destinado a organizar os trabalhadores afro-americanos dos comboios da Pullman Company. The Messenger tornou-se um importante órgão de divulgação das reivindicações dos trabalhadores dos serviços ferroviários e deu ampla cobertura à campanha pela sindicalização dos carregadores e empregados dos carros-cama.
A relação entre Randolph, o sindicato e a revista aproximou novamente a publicação das questões relacionadas com o trabalho e com a organização coletiva dos afro-americanos, embora o seu conteúdo permanecesse mais diversificado do que na primeira fase.
"These 'Colored' United States" Durante a década de 1920, The Messenger publicou uma importante série de ensaios intitulada "These 'Colored' United States", dedicada à situação social, económica e cultural dos afro-americanos em diferentes partes dos Estados Unidos.
A série procurava apresentar a experiência dos afro-americanos fora dos grandes centros urbanos habitualmente privilegiados pelos estudos sobre a cultura negra da época. Os textos foram escritos por autores de diferentes regiões do país e abordavam temas relacionados com a vida social, a economia, a política, a educação, as profissões e a cultura das comunidades afro-americanas.
A série foi posteriormente reunida em livro com o título These "Colored" United States: African American Essays from the 1920s, organizado por Tom Lutz e Susanna Ashton e publicado pela Rutgers University Press em 1996. A coletânea reúne textos de autores como Alice Dunbar-Nelson, Charles S. Johnson, E. Franklin Frazier, Wallace Thurman e George Schuyler, entre outros.
A série foi concebida como resposta a These United States, uma série publicada pela revista The Nation no ano anterior, que reunira textos de vários escritores norte-americanos sobre os diferentes estados do país. A iniciativa de The Messenger procurou oferecer uma perspetiva especificamente afro-americana sobre a sociedade norte-americana.
Encerramento A revista enfrentou dificuldades financeiras durante grande parte da sua existência. A escassez de recursos afetou a regularidade da publicação e obrigou a mudanças de instalações e a sucessivas campanhas para angariar fundos. Apesar da sua importância cultural e política, The Messenger deixou de ser publicada em 1928.
A coleção da New York Public Library regista a publicação desde o volume 1, número 11, de novembro de 1917, até ao volume 10, número 5, de maio/junho de 1928. A biblioteca conserva igualmente informação sobre os diferentes subtítulos utilizados pela revista ao longo da sua existência, que refletem a evolução da sua orientação editorial, desde o Journal of Scientific Radicalism, utilizado entre 1920 e 1921, até às designações de caráter mais cultural e literário adotadas posteriormente.
Importância The Messenger é considerada uma das publicações relevantes para a história intelectual, política e cultural afro-americana das primeiras décadas do século XX. A sua trajetória acompanha a passagem de uma imprensa negra fortemente orientada para o radicalismo político e para o movimento operário para uma esfera cultural mais ampla, na qual literatura, artes, identidade racial e questões sociais passaram a coexistir.
A revista desempenhou, em particular, um papel na divulgação de escritores e artistas associados ao Harlem Renaissance e na discussão pública sobre as transformações sociais e económicas da população afro-americana durante a década de 1920.
Categoria:Revistas dos Estados Unidos