Daniel Fraga é um ex-youtuber e ativista libertário brasileiro, considerado um dos pioneiros da divulgação do bitcoin no Brasil e figura conhecida na comunidade brasileira de criptomoedas. No início da década de 2010, ganhou projeção como defensor do anarcocapitalismo no YouTube, com vídeos de críticas e acusações a políticos, juízes e servidores públicos. Em 2012, publicou um dos primeiros vídeos do país a recomendar o bitcoin, quando a criptomoeda era negociada a cerca de R$ 12.
Os vídeos motivaram processos judiciais, e parte do conteúdo foi retirada do ar por decisão da Justiça. Ao tentar executar multas, a Justiça encontrou apenas alguns reais em sua conta bancária; segundo a imprensa especializada, ele teria convertido o patrimônio em bitcoins. Em 2018, por não ter sido localizado para responder a um processo, teve o passaporte, o título de eleitor e a carteira de motorista suspensos pela Justiça Federal, que também o proibiu de contratar serviços de internet no país.
Fraga publicou seu último vídeo em 2017 e, desde então, não fez aparições públicas. Seu paradeiro é desconhecido. O caso foi abordado pela imprensa brasileira e estrangeira e por investigações independentes, e deu origem a especulações sobre um patrimônio em bitcoins que não foram confirmadas.
Biografia Início no YouTube Fraga começou a publicar vídeos no YouTube por volta de 2010, inicialmente sem aparecer diante da câmera, registrando problemas urbanos de São Paulo, como buracos nas ruas. Em abril de 2010, apareceu pela primeira vez em um vídeo, com críticas ao então prefeito Gilberto Kassab. Com o tempo, o canal passou a tratar de política e economia, com críticas ao Estado e à carga tributária.
Ativismo libertário A partir de 2012, Fraga se consolidou como um dos principais divulgadores do libertarismo no YouTube brasileiro. Em 2014, o Instituto Mercado Popular, ao traçar a história do movimento libertário no país, afirmou que sua defesa do anarcocapitalismo havia "movimentado o universo dos debates políticos no YouTube". Em agosto de 2012, publicou o vídeo "Anarcocapitalismo: O Futuro", em que defendeu uma sociedade sem Estado, baseada em trocas voluntárias.
Seguidor da Escola Austríaca de economia, Fraga criticava a emissão de moeda pelos bancos centrais e defendia a resistência ao pagamento de impostos como forma de enfraquecer o Estado. Também se opunha a manifestações de rua, como os protestos contra o governo de Dilma Rousseff, por considerar que atacavam "o sintoma do problema, e não a causa".
Divulgação do bitcoin Em 2012, Fraga publicou o vídeo "Bitcoin seja louvado", um dos primeiros sobre a criptomoeda no Brasil, em que a apresentou como uma forma de escapar da inflação e afirmou que, para proibi-la, seria preciso desligar a internet. Na época, o bitcoin era negociado a cerca de R$ 12, valor que ele citava como o preço de suas primeiras compras. Ao longo dos anos seguintes, publicou mais de uma dezena de vídeos sobre a moeda.
Processos judiciais Os vídeos de Fraga levaram a processos movidos por políticos, juízes e servidores públicos, e vários deles foram retirados do ar por ordem judicial. Entre 2012 e 2014, ele fez críticas à deputada Cidinha Campos e ao candidato Alexandre Blanco, que recorreram à Justiça; nesses casos, foram determinadas a retirada de vídeos e a aplicação de multas.
Em 2015, dois auditores fiscais da Receita Federal o processaram por difamação e injúria por causa do vídeo "Receita Federal ensina a roubar", no qual Fraga exibia imagens dos servidores e os chamava de corruptos. Como não foi localizado para ser citado, a 3.ª Vara Criminal da Justiça Federal em São Paulo determinou em 2018 a suspensão de seu passaporte, de seu título de eleitor e de sua carteira de motorista, além de proibi-lo de contratar serviços de internet no país.
Segundo a imprensa especializada, ao tentar executar multas e bloquear bens, a Justiça encontrou apenas alguns reais em sua conta bancária, o que alimentou a versão de que ele teria convertido o patrimônio em bitcoins.
Desaparecimento A partir de 2015, Fraga reduziu a atividade no canal e nas redes sociais. Seu último vídeo no YouTube, "OVNI no Brasil: teletransporte? Camuflagem? Efeito de luz?", foi publicado em 5 de março de 2017. Desde então, ele não fez aparições públicas, e seu paradeiro é desconhecido. O afastamento fez de Fraga uma figura conhecida na comunidade brasileira de criptomoedas e no movimento libertário, frequentemente citada como exemplo do uso do bitcoin para escapar do controle do Estado.
Últimos registros Após o último vídeo, surgiram apenas sinais indiretos de sua atividade. Em novembro de 2020, sua conta na plataforma LocalBitcoins registrou acesso, e o domínio de um site de comparação de corretoras mantido por ele foi renovado. Em maio de 2021, o libertário André Rufino, amigo de Fraga, afirmou em entrevista que ele estava "vivo e bem", mas disse não saber onde ele morava. Em agosto do mesmo ano, a capa de seu canal no YouTube passou a exibir o logotipo do Bitcoin Cash, com link para um site favorável à moeda, o que gerou polêmica na comunidade de bitcoin.
Especulações sobre o patrimônio A versão de que Fraga teria convertido o patrimônio em bitcoins antes do bloqueio de suas contas deu origem a especulações sobre o valor de suas reservas. Em 2020, o canal norte-americano TheGamerFromMars incluiu sua história em uma série sobre mistérios da internet e estimou que ele poderia ter acumulado cerca de US$ 100 milhões em bitcoins. Em janeiro de 2022, o tabloide britânico The Sun publicou uma reportagem sobre o caso, com estimativa semelhante. Em janeiro de 2025, um usuário anônimo da rede social X afirmou ter identificado carteiras de bitcoin ligadas a ele; um analista ouvido pelo Cointelegraph confirmou que uma delas pertencia a Fraga, mas afirmou que os fundos haviam passado por transações de anonimização e que o rastro "não leva a lugar nenhum". Nenhuma das estimativas foi confirmada.
Tentativas de localização Em setembro de 2024, um perfil no LinkedIn levou parte da comunidade a especular que ele trabalharia na Suíça, hipótese que não foi confirmada.
Em 2025, um perfil verificado no Instagram passou a se apresentar como Fraga, com uma foto gerada por inteligência artificial, e a oferecer cursos sobre criptomoedas.
Em abril do mesmo ano, uma investigação conduzida por dois documentaristas brasileiros buscou verificar a autenticidade desse perfil e a versão de que Fraga teria enriquecido com bitcoins. Eles localizaram a última residência conhecida de Fraga, onde ele teria morado entre 2020 e 2021. O porteiro do prédio confirmou que ele havia morado no local, descreveu-o como uma pessoa reservada e inteligente e afirmou que ele se mudou em poucos dias. A investigação concluiu que o perfil no Instagram era falso e usado para aplicar golpes, e que o modo de vida modesto de Fraga contrariava a versão de que ele teria acumulado uma fortuna em bitcoins. O paradeiro atual de Fraga não foi descoberto.
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