A Celfocus é uma empresa portuguesa de consultoria e serviços de tecnologia da informação, com sede em Lisboa. Foi criada em 2000 como uma joint venture entre a CFocus, empresa do grupo Novabase, e a então Telecel, actualmente Vodafone Portugal, inicialmente dedicada ao desenvolvimento de soluções de gestão de relacionamento com o cliente (CRM) para operadores de telecomunicações.

A empresa expandiu posteriormente a actividade para integração de sistemas, canais digitais, dados e analítica, automatização e inteligência artificial, mantendo as telecomunicações como o seu principal sector histórico e desenvolvendo igualmente actividade nos serviços financeiros e noutros sectores. Em 2026, a Celfocus declarava operar em mais de 25 países.

A Novabase adquiriu em 2020 a participação de aproximadamente 45% que a Vodafone Portugal ainda detinha na Celfocus, passando então a controlar a totalidade do capital. Uma reorganização accionista realizada em 2023 atribuiu uma participação económica minoritária a quadros com responsabilidades operacionais, mantendo o Grupo Novabase o controlo da empresa.

História

Fundação e parceria com a Telecel

A Celfocus surgiu em Outubro de 2000, quando a CFocus e a Telecel anunciaram a constituição de uma empresa conjunta destinada ao desenvolvimento e comercialização de soluções de CRM para o sector das telecomunicações, tanto em Portugal como no estrangeiro.

A CFocus, pertencente à Novabase, detinha aproximadamente 55% do capital e a Telecel os restantes 45%. O primeiro contrato da nova empresa foi celebrado com a própria Telecel e tinha um valor de cerca de 750 mil contos, equivalentes a aproximadamente 3,74 milhões de euros.

A sociedade foi matriculada no registo comercial em 19 de Janeiro de 2001, usando durante grande parte da sua história a designação jurídica de Celfocus — Soluções Informáticas para Telecomunicações, S.A.. Posteriormente, a razão social foi simplificada para CELFOCUS, S.A..

Primeiros projectos internacionais

Segundo uma retrospectiva publicada pela própria empresa, o primeiro projecto internacional da Celfocus ocorreu em 2002. Uma equipa que trabalhava na transformação dos sistemas de pós-pago da Vodafone Portugal foi chamada a colaborar com a J-Phone, posteriormente integrada na Vodafone Japan, em Tóquio.

Ao longo da década, a Celfocus deixou progressivamente de funcionar apenas como fornecedora da operação portuguesa da Vodafone e começou a desenvolver projectos para outros operadores. Em 2010, numa parceria anunciada com a empresa norte-americana eGain, a Celfocus era já descrita como integradora internacional de sistemas para o sector das telecomunicações, especializada em CRM, gestão de encomendas, integração de aplicações, business intelligence e gestão de incentivos comerciais. A mesma fonte identificava a Europa, África, Médio Oriente e Ásia como os mercados abrangidos pela actividade internacional da empresa.

Expansão internacional

A internacionalização acelerou no início da década de 2010. Em 2013, a Novabase assinalava projectos relevantes da Celfocus no Reino Unido, Gana, Emirados Árabes Unidos, Qatar e Turquia.

Nesse exercício, o negócio internacional do segmento de produtos e serviços para operadores de telecomunicações da região EMEA, impulsionado sobretudo pela Celfocus, cresceu mais de 50%.

Em 2016, a Celfocus apresentava uma facturação anual de aproximadamente 50 milhões de euros e cerca de 800 trabalhadores, com equipas em Lisboa e Porto e presença permanente no Dubai, Istambul, Londres e Newbury, no Reino Unido.

A actividade fora de Portugal já representava nessa fase a maior parte do negócio, acompanhando a expansão junto de diferentes operações internacionais do Grupo Vodafone e de outros operadores.

Centro de investigação no Porto

Em 20 de Junho de 2014, a Celfocus inaugurou um centro de investigação e desenvolvimento no Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto (UPTEC), numa cerimónia que contou com a presença do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.

O centro ocupava cerca de 500 metros quadrados e previa reunir mais de uma centena de especialistas. As actividades anunciadas incluíam sistemas de informação, comunicações máquina-a-máquina, soluções de comunicações empresariais e sistemas de monitorização em tempo real de redes e serviços de telecomunicações.

A estrutura procurava igualmente reforçar a colaboração com a Universidade do Porto e outras instituições de ensino de engenharia e tecnologia, bem como com empresas incubadas no UPTEC.

Aquisição da participação da Vodafone

Em 24 de Abril de 2020, a Novabase celebrou um contrato para adquirir os 45,001% da Celfocus que permaneciam na posse da Vodafone Portugal. Antes da operação, a Novabase detinha 54,997% do capital.

O preço inicial foi fixado em 20 milhões de euros, podendo atingir 27,5 milhões mediante ajustamentos relacionados com garantias de contratação de serviços pela Vodafone.

Em 2019, a Celfocus tinha registado 65 milhões de euros de volume de negócios, um EBITDA de 6,3 milhões e empregava mais de 650 pessoas. Com a conclusão da operação, a Novabase passou a controlar integralmente a Celfocus.

Participação dos quadros no capital

Em 2023, a Novabase promoveu uma reorganização accionista destinada a permitir que um grupo de trabalhadores com responsabilidades de liderança operacional adquirisse indirectamente uma participação minoritária na Celfocus. A operação envolveu a criação das sociedades Equipa Frutuosa, S.A. e Rota Virtuosa, S.A., nas quais o Grupo Novabase adquiriu 76% do capital. As duas sociedades adquiriram posteriormente, em conjunto, 41,414% do capital da Celfocus.

Devido à participação maioritária da Novabase nessas sociedades intermédias, a operação não reduziu a sua posição económica para 58,6%. Em termos consolidados, a participação do Grupo Novabase na Celfocus passou de 100% para aproximadamente 90,061%, mantendo o grupo o controlo da empresa. A operação tinha sido anunciada em Abril de 2023 como uma forma de aproximar os interesses de quadros considerados relevantes para a gestão da Celfocus dos interesses dos accionistas do grupo.

No primeiro semestre de 2025, a aquisição pela Novabase de uma participação adicional na Rota Virtuosa elevou a sua participação económica consolidada na Celfocus em cerca de 0,3 pontos percentuais, para aproximadamente 90,4%.

Actividade

Telecomunicações

A Celfocus nasceu como fornecedora de soluções de CRM para operadores móveis, tendo as telecomunicações permanecido o núcleo histórico da sua actividade. Ao longo do tempo, a oferta passou a abranger integração de sistemas, gestão de encomendas, canais digitais, gestão e automatização de redes, business intelligence, plataformas de monetização e outras componentes dos sistemas de suporte ao negócio dos operadores.

Na década de 2010, a empresa entrou igualmente em soluções de Internet das Coisas (IoT), incluindo projectos ligados a automóveis conectados e plataformas empresariais da Vodafone.

Nos anos 2020, a actividade nas telecomunicações passou a incluir áreas como analítica avançada, automatização cognitiva, monetização de 5G, redes autónomas e aplicações de inteligência artificial.

Serviços financeiros e outros sectores

A empresa começou posteriormente a aplicar competências desenvolvidas nas telecomunicações a outros sectores. Em 2022, o Instituto Superior Técnico identificava expressamente Telecomunicações e Financial Services como as duas principais áreas de actuação da empresa.

Em 2025, um perfil da TelcoTitans referia ainda clientes nos sectores financeiro, retalhista e farmacêutico, embora as telecomunicações continuassem a constituir o núcleo histórico do negócio.

Dados, automatização e inteligência artificial

A Celfocus reorganizou posteriormente parte da sua actividade em torno de três áreas principais: Cognitive Automation, Data & Analytics e Digital.

A empresa passou também a desenvolver soluções baseadas em inteligência artificial generativa, automatização de operações, gémeos digitais e utilização de dados para optimização das redes de telecomunicações.

Em 2025, a Celfocus começou a utilizar a designação estratégica Next-Gen Intelligence para a combinação de dados, inteligência artificial, automatização e conhecimento humano aplicada aos seus serviços.

Internacionalização

Em 2025 foram constituídas duas novas subsidiárias: Celfocus Egypt, com sede no Cairo, e Celfocus Arabia, com sede em Riade. A primeira era detida praticamente na totalidade e a segunda integralmente pela Celfocus.

A actividade internacional representava já a maior parte do negócio na década anterior. Em 2013, o segmento internacional de soluções para operadores de telecomunicações cresceu mais de 50%; em 2016, a maior parte das receitas da empresa era obtida fora de Portugal.

Em 2026, a Celfocus declarava actividade em mais de 25 países. A empresa mantinha escritórios em Lisboa, Porto, Dubai, Düsseldorf, Heerlen, Newbury, Cairo e Riade.

Organização e accionistas

A Celfocus é integrada no Grupo Novabase, que mantém o controlo da sociedade. A estrutura accionista tornou-se mais complexa em 2023, com a entrada indirecta de quadros operacionais no capital através de Equipa Frutuosa e Rota Virtuosa. Apesar desta abertura do capital, a Novabase conservou aproximadamente 90% de participação económica consolidada e o controlo societário.

A liderança executiva actual é composta por Luís Paulo Salvado, executive chairman, e Álvaro José Ferreira, CEO.

Paulo Trigo exerceu a liderança executiva da empresa pelo menos desde 2010, quando era identificado como CEO numa parceria internacional com a eGain, tendo sido substituído no cargo por Álvaro Ferreira antes de 2024.

Investigação e desenvolvimento

Além do centro de investigação criado no Porto em 2014, a Celfocus desenvolveu ao longo dos anos relações com universidades e instituições de investigação portuguesas.

Mantém, entre outras, colaboração com o Instituto Superior Técnico, tendo patrocinado prémios destinados a trabalhos académicos de Engenharia de Software.

A empresa tem também participado em projectos de investigação e desenvolvimento colaborativo associados a redes de telecomunicações, automatização, inteligência artificial e sustentabilidade.

Reconhecimento

A Celfocus participa em projectos colaborativos do programa Catalyst do TM Forum. Em 2024, integrou equipas vencedoras de quatro categorias dos Catalyst Awards, incluindo os projectos SATCOM + 5G Anywhere — Phase II, Autonomous Networks Hyperloops — Phase V e Realtime Intelligent Customer Experiences.

Em 2025, integrou a equipa do projecto SATCOM with an Edge — Phase III, distinguido pelo TM Forum com o prémio Outstanding Catalyst — Tech for Good.

Dimensão financeira

Em 2019, antes da aquisição da participação da Vodafone pela Novabase, a Celfocus tinha registado 65 milhões de euros de volume de negócios e um EBITDA de 6,3 milhões.

Em 2024, a Celfocus S.A. registou 135,3 milhões de euros de vendas e serviços prestados e um resultado líquido de aproximadamente 8,0 milhões de euros. No final de 2025, o universo de trabalhadores reportado para a Celfocus ascendia a 1 232 pessoas, das quais 828 homens e 404 mulheres.

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