O Mocambo de Pedro Capacassa, também referido na historiografia como Mocambo de Pedro Papacaça, foi um mocambo dos Palmares, documentado na década de 1690 e associado a Pedro Capacassa. O assentamento foi um dos mocambos palmarinos atacados durante a fase final das guerras contra Palmares, depois da ofensiva contra a Serra da Barriga.
Um documento relativo aos serviços militares prestados na campanha registra que foram levados ao Recife oitenta prisioneiros provenientes do mocambo de Pedro Capacassa, além de uma pessoa identificada como Quiloange. O historiador Marc A. Hertzman data a destruição do assentamento em 1694.
Ataque e destruição
Uma das principais referências documentais ao mocambo encontra-se numa consulta do Conselho Ultramarino de 20 de dezembro de 1697, que examinou os serviços de militares que haviam participado das campanhas no Nordeste. O texto resume a trajetória de Bertholameu Simões da Fonseca, nomeado capitão de infantaria em 1693 e incorporado às forças comandadas por Domingos Jorge Velho.
Segundo o documento, Fonseca participou do cerco à fortificação da Serra da Barriga, que terminou depois de 22 dias de combate. Posteriormente, durante uma segunda viagem ao Recife realizada em companhia do capitão Miguel de Godoy, foram conduzidos oitenta prisioneiros procedentes do mocambo de Pedro Capacassa, além de Quiloange.
Hertzman inclui o assentamento entre os mocambos que continuaram a existir durante a etapa final da resistência palmarina. Segundo o historiador, os mocambos de Garanhum, Pedro Capacassa — que também denomina Pedro Papacaça — e Gongoro foram destruídos, respectivamente, em 1693, 1694 e 1695.
Localização
A localização exata do Mocambo de Pedro Capacassa não é conhecida com segurança. Em sua reconstrução da ocupação territorial de Palmares, o historiador Felipe Aguiar Damasceno situou o assentamento, sob a forma Pedro Papacaça, no território do atual município de Bom Conselho, em Pernambuco. Silvia Hunold Lara reproduz essa reconstrução ao discutir os mocambos atacados entre 1692 e 1700, destacando que Pedro Papacaça e Gongoro aparecem afastados entre si e também distantes das principais povoações coloniais.
Essas representações cartográficas correspondem a reconstruções produzidas a partir das indicações presentes nos documentos e não a localizações arqueológicas precisas. Lara utiliza o trabalho de Damasceno justamente para mostrar que a distribuição territorial dos mocambos de Palmares se modificou ao longo do século XVII.
Hertzman identifica também uma continuidade toponímica posterior na região. Segundo ele, uma propriedade denominada Fazenda do Papacaça recebeu o nome do mocambo de Pedro Papacaça e situava-se nas proximidades da área em que forças coloniais mataram Zumbi. O historiador relaciona esse e outros topônimos à permanência, na paisagem dos Garanhuns e do Sertão do Ararobá, de nomes associados aos antigos mocambos.
Nome
O projeto Documenta Palmares, da Universidade Estadual de Campinas, adota Mocambo de Pedro Capacassa como forma normalizada do nome do assentamento. Para a pessoa associada ao mocambo, a base normaliza igualmente Pedro Capacassa.
Parte da historiografia emprega a forma Pedro Papacaça. Marc Hertzman trata Pedro Capacassa e Papacaça como formas referentes ao mesmo mocambo. O historiador John K. Thornton, ao discutir os elementos linguísticos centro-africanos presentes em Palmares, observa que Pakasa é um nome próprio do quimbundo , citando especificamente o registro documental do acampamento de Pedro Capacassa publicado por Ennes.
Bibliografia
Categoria:Quilombo dos Palmares