Pedro Amigo de Sevilha (ou Pedr'Amigo) foi um jogral galego, ativo na segunda metade do século XIII na corte do rei castelhano Afonso, o Sábio, em Sevilha.
Julga-se que fosse natural de Betanzos, estando referenciado como cónego das Sés de Oviedo e de Salamanca. O último documento onde surge referenciado é de 1308, pelo que se presume ter falecido após essa data.
Compôs trinta e seis cantigas que figuram nos Cancioneiros da Ajuda, Biblioteca Nacional e da Vaticana, a saber, quatro cantigas de amor, dez de amigoRip Cohen. 500 Cantigas d’ Amigo: Edição Crítica / Critical Edition. Porto: Campo das Letras, 2003, pp. 441-456, dezoito cantigas de escarnho e maldizer, três tenções e ainda uma pastorela.
Uma das suas cantigas mais famosas é o diálogo entre mãe e filha sobre um pretedente desta, provavelmente um trovador:
– Dizede, madre, por que me metestes en tal prison e por que mi tolhestes que non possa meu amigo veer? - Porque, filha, des que o vós conhocestes nunca punhou ergu’en mi vos tolher.
E sei, filha, que vos trag’enganada con seus cantares, que non valen nada, que lhi podia quen quer desfazer. - Non dizen, madr’, ess’en cada pousada, os que trobar saben ben entender.
Sacade-me, madre, d’estas paredes e veerei meu amigu’e veredes que logo me met’en vosso poder. - Non vos sacarei d’aquestas paredes, nen m’ar venhades tal preito mover,
ca sei eu ben qual preito vos el trage e sodes vós, filha, de tal linhage que devía vosso servo seer. - Coidades vós, madre, que é tan sage que podess’el comigu’esso poer?
Sacade-me, madre, destas prijões, ca non avedes de que vos temer. - Filha, ben sei eu vossos corações, ca non queren gran pesar atender.In SPINA, Segismundo. 'A lírica trovadoresca'. São Paulo: EDUSP, 1996, p. 341.
Outra cantiga de amigo bastante conhecida sua é:
Moiro, amiga, desejando meu amigo, e vós no vosso mi falades, e non posso estar sempre en esto falando. Mais queredes falar migo? Falemos do meu amigo.
Queredes que todavia eno vosso amigo fale vosco e, se non, que me cale, e non posso eu cada dia. Mais queredes falar migo? Falemos do meu amigo.
Amiga, sempre queredes que fale vosco, e falades no vosso amigo e cuidades que posso eu; non o cuidedes. Mais queredes falar migo? Falemos do meu amigo.
Non avedes d'al cuidado sol que eu vosco ben diga do vosso amigo; e, amiga, non posso eu, nem é guisado. Mais queredes falar migo? Falemos do meu amigo.
Referências <references> Vicente Beltrán, «Pedr'Amigo de Sevilha», Dicionário da Literatura Medieval Galega e Portuguesa. Org. e coord. de Giulia Lanciani e Giuseppe Tavani, 2.ª ed., Lisboa, Editorial Caminho, 2000, pp. 519-520. In SPINA, Segismundo. 'A lírica trovadoresca'. São Paulo: EDUSP, 1996, p. 341.
Ver também
Lista de autores de língua portuguesa
Categoria:Escritores da Galiza Categoria:Literatura da Idade Média