thumb|240px|Campylocentrum grisebachii thumb|240px|Campylocentrum ornithorrhynchum thumb|240px|Campylocentrum aciculatum thumb|240px|Campylocentrum aromaticum thumb|240px|Campylocentrum aff. iglesiasii thumb|240px|Campylocentrum crassirhizum thumb|240px|Campylocentrum robustum thumb|240px|Campylocentrum neglectum thumb|240px|Campylocentrum pauloense
Campylocentrum é um género botânico de plantas epífitas pertencente à família das orquídeas (Orchidaceae), composto por pouco mais de sessenta espécies pequenas ou minúsculas, algumas vezes compostas apenas por raízes e folhas decíduas imperceptíveis, que existem na América.
Etimologia O nome deste gênero deriva da latinização de duas palavras gregas: καμπύλος (kampýlos), que significa "curvado", e κέντρον, que significa "esporão" ou "aguilhão", referindo-se ao nectário que existe no labelo de suas flores.Ackerman, James D. (2002) Campylocentrum in Flora of North America North Editorial Committee, eds. New York and Oxford. Flora of North America North of Mexico (26): 619
Publicação e sinônimos Campylocentrum Benth., J. Linn. Soc., Bot. 18: 337 (1881).
Espécie-tipo: Angraecum schiedei Rchb.f. Linnaea 22: 857 (1850), hoje Campylocentrum schiedei (Rchb.f.) Benth. ex Hemsl., que é igual a Todaroa micrantha A. Richard & Galeotti (non Campylocentrum micranthum (Lindley) Rolfe).
Sinônimos heterotipicos: Todaroa A.Rich. & Galeotti, Ann. Sci. Nat., Bot., III, 3: 28 (1845 non Parlatore 1843), nom. illeg. Aeranthus Rchb.f. (em parte) Ann. Bot. Syst. (Walpers) 6(6): 899. (1864 non Bartl. 1830) Campylocentron Benth., J. Linn. Soc., Bot. 18: 337 (1881), orth. var. Epidorchis sect Todaroa Kuntze in T. von Post, Lex. Gen. Phan. 199 (1903)
Histórico Podemos considerar a história de Campylocentrum incompleta pois, até o final de 2012, não existia qualquer livro ou artigo publicado que abordasse o gênero por completo, incluindo todas as espécies existentes. Tudo que se publicou foram poucas revisões de espécies de algum país em particular como, por exemplo, das espécies da Costa Rica por Bogarin e Pupulin, de 2009, que aborda apenas dez espécies, e a de Cogniaux, de 1906, tratando das espécies do Brasil até então conhecidas.
Primeiras espécies descritas A história deste gênero começa em 1835, quando John Lindley publicou a primeira espécie a ser descrita hoje classificada neste gênero, o Angraecum micranthum. Como todas as espécies monopodiais já encontradas, que eram aparentadas com Angraecum, eram africanas, Lindley pensou inicialmente ser esta também originária deste continente e foi inicialmente considerado parte deu uma coleta de Loddiges supostamente em Serra Leoa, África. Logo o erro foi descoberto. Desde então algumas possibilidades foram aventadas, tais como a JamaicaAckerman, J. D. 1995. An orchid flora of Puerto Rico and the Virgin Islands. New York Botanical Garden, New York. e GuatemalaCarnevali, G., Tapia-Muñoz, J. L., Machorro, R. J., Sánchez-Saldaña, L., Ibarra-González, L., Ramírez, I., and Gómez, M. P. 2001. Notes on the flora of Yucatan Peninsula II: A synopsis of the orchid flora of the Mexican Yucatan Peninsula and a tentative checklist of the Orchidaceae of the Yucatan Peninsula biotic province. Harvard Papers in Botany 5: 383-466. Por tratar-se de espécie bastante variável, com ampla área de dispersão, ainda hoje, o local de sua descoberta é incerto. Com a ajuda da genética molecular, hoje estima-se que o espécime de Lindley tenha sido coletado no Suriname. Além da confusão inicial sobre a origem da planta, autores posteriores confundiram-se também na correta identificação desta espécie.
Nos quinze anos seguintes, foram publicadas mais seis espécies novas hoje classificadas como Campylocentrum. Em 1840, Lindley publicou três, o Angraecum fasciola, Angraecum tenue, e o Angraecum ornithorrhynchum. e em 1850, Reichenbach descreveu mais três, o Angraecum schiedei, Angraecum poeppigii e Angraecum sellowii, e, no ano seguinte, Klotzsch descreveu o Angraecum pugioniforme.
Além das espécies citadas, vale mencionar Cogniaux, que descreveu diversas em 1906 ao publicar o Flora Brasiliensis; e Dodson que também descreveu diversas entre o final dos 1980 e os anos 2000. A espécie mais recente de Campylocentrum foi descrita no final de 2012. Nesta ocasião havia um total de 98 nomes de espécies descritas no gênero Campylocentrum, destas 32 consideradas sinônimos de outras. Das 66 espécies aceitas, estima-se que pelo menos 50 sejam espécies bem estabelecidas, as restantes ainda por estudar melhor.
A criação do gênero A primeira tentativa de classificar as espécies de Campylocentrum em gênero à parte ocorreu em 1845, quando Rich. & Galeotti propuseram o estabelecimento do gênero Todaroa para abrigar o Angraecum micranthum. No entanto não incluíram as espécies afilas de Campylocentrum até então descritas, incluindo apenas uma espécie em Todaroa, a Todaroa micrantha. Além disso, foram infelizes na escolha do nome Todaroa pois, anos antes, Parlatore já utilizara este nome para um gênero de plantas pertencentes à família Apiaceae de modo que a descrição de Rich. & Galeotti não pôde ser aceita.
Em 1864, Reichenbach, ignorando o gênero Todaroa, transferiu todas as espécies para o gênero Aeranthus, uma variante ortográfica do gênero Aeranthes, mas que na realidade era destinada a diversas espécies americanas hoje incluídas nos gêneros Dendrophylax e Campylocentrum.
Baseando-se o no conceito geral de Todaroa, o nome Campylocentrum foi proposto em sua substituição por Bentham em 1881, no entanto sem que fizesse as novas combinações de nomes da plantas. Como Benthan não fez uma nova combinação para a espécie-tipo sua proposta resultou até que, em 1903, Rolfe revisou o trabalho de Bentham e fez as combinações das dezessete espécies então conhecidas tornando Campylocentrum um gênero que está em acordo com as regras de nomenclatura botânica.
Confusão na determinação da espécie-tipo Normalmente, quem propõe um novo gênero botânico, embora não seja uma regra obrigatória, escolhe a primeira planta a ser descrita como a espécie-tipo do gênero. É regra obrigatória que nenhum gênero possa conter a espécie-tipo de outro gênero, desde que o segundo seja correntemente aceito. Ao propor um novo gênero, os autores devem referir-se a uma exsicata existente em algum herbário, ou fazer uma nova e depositá-la em herbário.
Quando Richard e Galeotti propuseram o gênero Todaroa, provavelmente pensando terem em mãos uma planta correspondente ao espécime descrito por Lindley como Angraecum micranthum, fizeram uma exsicata dessa planta à qual deram o nome de Todaroa micrantha. Na realidade as plantas não eram iguais. A planta que Richard e Galeotti descreveram era então desconhecida a assim permaneceu até que em 1850, fosse descrita por Reichenbach com o nome de Angraecum schiedei, sem qualquer menção à planta de Richard e Galeotti.
Quando Bentham propôs o gênero Campylocentrum apenas referiu-se à publicação anterior de Todaroa e ficou implicitamente determinado que a Todaroa micrantha seria a espécie-tipo, sem que de fato a combinação Campylocentrum micranthum fosse feita, o que só ocorreu em 1889, por Maury sendo esta baseada na Todaroa micrantha, ou seja Angraecum schiedei.
Em 1903, quando Rolfe, ignorando esta confusão e pensando que a Todaroa Micrantha seria um sinônimo do Angraecum micranthum fez as combinações das espécies restantes, e entre elas fez uma nova combinação para o Angraecum micranthum, como Campylocentrum micranthum, tendo o cuidado de referir-se ao espécime publicado por Lindley, entretanto não percebeu que Maury já publicara esta combinação em 1889. Como a planta determinada por Bentham para espécie-tipo de Campylocentrum é a Todaroa micrantha, pelas regras vigentes, a espécie-tipo deste gênero deve ser o Campylocentrum schiedei.
Filogenia Estudos moleculares de 2006, mostram que as espécies de Campylocentrum estão relacionadas mais proximamente de Aerangis que de Angraecum, e que ambas as subtribos, Aerangidinae e Angraecinae são polifiléticas e indivisíveis, com gêneros e espécies bastante misturados entre as duas, de modo que deveriam ser unificadas com o nome de Angraecinae. Quanto a filogenia infragenérica de Campylocentrum, mais estudos são necessários.
Distribuição As espécies de Campylocentrum ocorrem apenas na América tropical e subtropical. Quase na totalidade são plantas que vivem em bosques e florestas de umidade elevada, ou locais de menor umidade mas onde há chuvas frequentes ou precipitação de abundante orvalho noturno, do nível do mar a até 2.000 metros de altitude. Uma das poucas exceções é o Campylocentrum crassirhizum, que adaptou-se às áreas mais secas da Caatinga de Pernambuco e Paraíba, mas também ocorre em matas úmidas.
O Brasil, onde existem 36 espécies, distribuídas por quase todos os estados, exceto Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte e Alagoas, pode ser considerado seu centro de distribuição, ou seja, o local de onde o gênero originou-se. Grande parte da espécies de Campylocentrum concentram-se na Mata Atlântica dos estados das regiões sul e sudeste do Brasil, Paraguai e Argentina, e regiões limítrofes do cerrado e caatinga brasileiros. A Amazônia conta com cerca de quinze espécies e as restantes estão distribuídas por áreas úmidas das encostas dos Andes, e florestas, das encostas, restingas e mangues das regiões litorâneas das costas do Atlântico e Pacífico, desde a Bolívia até o sul do México, e desde o Maranhão até a Flórida.
Os outros países onde os Campylocentrum ocorrem comportam diversidade menor de espécies, por exemplo, no Equador há na vinte espécies, na Venezuela há treze, na Colômbia há onze, e na Costa Rica e Panamá, dez. Cerca de metade das espécies podem são consideradas endêmicas, no Brasil há 19, na Bolívia 1, Equador 8, Costa Rica 1, Peru 1, Jamaica 1 e Venezuela 2. Muitas espécies ocorrem áreas limítrofes de dois ou três países. Apenas treze espécies encontram-se distribuídas por vastas áreas e diversos países, podendo assim ser consideradas as espécies mais comuns e mais bem estabelecidas deste gênero. Entre estas vale a penas citar: o Campylocentrum micranthum, encontrado em 24 países , o C. fasciola em 21, C. pachyrrhizum em 16, C. poeppigii em 15, C. schiedei em 8. Outras espécies comuns são: C. grisebachii, C. hondurense, C. huebneri, C. neglectum, C. schneeanum, C. tyrridion ou C. multiflorum e C. ulei.
São plantas epífitas, isto é, crescem apoiadas sobre as árvores e arbustos, retirando seus nutrientes de material em decomposição que se acumula sobre suas raízes e nas nas fendas das cascas e forquilhas dos hospedeiros e ficando abrigadas dos sol direto pela luz filtrada que atravessa suas folhas. Raros são os casos de espécies rupícolas e quando isto ocorre, trata-se de espécies preferencialmente epífitas mas cujas sementes depositaram-se ao acaso sobre pedras e rochas, em locais onde não ficam expostas diretamente ao sol nas horas mais quentes do dia, normalmente nas frestas dos rochedos e escarpas mais sombrias ou às margens de rios e corredeiras.
Descrição É um interessante gênero de micro-orquídeas de crescimento monopodial, epífitas ou raramente rupícolas, que inclui algumas espécies de características morfológicas raramente encontradas entre as orquídeas que é a aparência de ausência de folhas.Hoehne, F. C.: Iconografia de Orchidaceas do Brasil p. 226-228, Instituto de Botânica de São Paulo, 2009. ISBN 9788575230275 Na verdade essas espécies possuem folhas rudimentares quase imperceptíveis que aparecem no começo de cada ciclo de crescimento, mas logo amarelam e caem de modo que a planta está quase sempre sem folhas. Contudo, a maioria das espécies têm aparência mais comum, com folhas alternadas que duram alguns anos.