Ume Cultume binte Maomé (; Meca, c. 605–610 – Medina, novembro–dezembro de ) foi uma das filhas do profeta islâmico Maomé e de sua primeira esposa, Cadija binte Cuailide. Tradicionalmente considerada a terceira filha do casal, depois de Zainabe e Rocaia, esteve entre os primeiros adeptos do Islã e posteriormente participou da migração de Meca para Medina. Algumas fontes afirmam que seu nome pessoal era Omaia ou Amina, embora seja conhecida exclusivamente pela cúnia Ume Cultume. Antes do início da missão profética de seu pai, Ume Cultume foi prometida em casamento a , mas a união foi desfeita antes de ser consumada. Em 3 A.H. (624–625), após a morte de sua irmã Rocaia, casou-se com o viúvo desta, Otomão ibne Afane, futuro terceiro califa ortodoxo. O casal não teve filhos. Ume Cultume morreu em 9 A.H. (630) e foi sepultada no cemitério de Albaqui. Grande parte das tradições preservadas a seu respeito relaciona-se aos procedimentos adotados por ocasião de sua morte. Os relatos sobre a lavagem, o amortalhamento e o sepultamento de uma das filhas de Maomé — identificada por muitos estudiosos da tradição como Ume Cultume, embora algumas versões apontem para Zainabe — tornaram-se referências para prescrições funerárias islâmicas posteriores.
Vida
Ume Cultume nasceu em Meca entre 605 e 610, filha de Maomé e Cadija binte Cuailide. Pelo lado paterno, pertencia aos haxemitas, clã dos coraixitas, enquanto sua mãe pertencia ao clã coraixita dos açaditas e era, pelo lado materno, de ascendência amirita. Era a terceira filha do casal, depois de Zainabe e Rocaia. Algumas fontes afirmam que seu nome pessoal era Omaia, enquanto outra tradição registra Amina; não se sabe por que ficou conhecida pela cúnia Ume Cultume, uma vez que não teve filhos. Foi uma das primeiras pessoas a aderir ao Islã, juntamente com sua mãe e suas irmãs. Antes do início da missão profética de Maomé, Ume Cultume foi prometida em casamento a , filho de Abu Laabe, enquanto sua irmã Rocaia foi prometida ao irmão dele, . Segundo a tradição, depois da revelação da sura al-Masadd, que condena Abu Laabe e sua esposa, Ume Jamil, ambas as uniões foram desfeitas antes de sua consumação. Rocaia casou-se posteriormente com Otomão ibne Afane. Após a Hégira de Maomé, Ume Cultume também deixou Meca e emigrou para Medina ainda no mesmo ano. Acompanhou Ali, Fátima binte Açade, Sauda binte Zama, sua irmã Fátima, Asma binte Umais e Aixa. Depois da morte de Rocaia em 2 A.H. (624), Otomão teria ficado profundamente entristecido tanto pela perda da esposa quanto pelo fim de seu vínculo matrimonial com Maomé. No ano seguinte, Maomé deu-lhe Ume Cultume em casamento e, segundo a tradição preservada pelas fontes, afirmou ter realizado a união em decorrência de uma revelação que recebera. O casamento não produziu filhos.
Ume Cultume morreu em Medina no mês de xabã de 9 A.H. (novembro–dezembro de 630). Os relatos relativos à preparação de seu corpo e ao sepultamento tornaram-se fontes para diversas prescrições da tradição islâmica acerca da lavagem, do amortalhamento e do enterro dos mortos. Segundo esses relatos, participaram da lavagem do corpo de Safia binte Abede Almotalibe, tia paterna de Maomé, Asma binte Umais, , e algumas mulheres dos ançares. Maomé permaneceu do lado de fora, instruiu-as sobre a maneira de lavar o cadáver e forneceu os tecidos destinados à mortalha, entregando ainda seu próprio para que fosse usado como veste junto ao corpo. A identificação da filha de Maomé mencionada nos hádices sobre esses procedimentos funerários foi objeto de discussão. Muitos dos relatos referem-se apenas à "filha do Profeta", sem especificar seu nome, enquanto Ume Atia, que participou dos preparativos funerários tanto de Zainabe quanto de Ume Cultume, menciona Zainabe em uma das versões. Por esse motivo, discutiu-se a qual das duas filhas os relatos diziam respeito. Segundo a avaliação apresentada por Uraler, é muito provável que os hádices em questão se refiram a Ume Cultume, uma vez que Ume Atia participou da lavagem e do amortalhamento de ambas e desempenhava papel destacado em Medina na preparação funerária das mulheres.
Durante o sepultamento, Maomé sentou-se junto à sepultura e teria determinado que nenhum homem que tivesse mantido relações conjugais na noite anterior entrasse nela. Ali, Alfadle ibne Alabás e Uçama ibne Zaíde desceram para colocar o corpo na sepultura; Abu Talha Alançari declarou também satisfazer a condição estabelecida e recebeu permissão para auxiliá-los. A identidade da filha de Maomé mencionada nessa tradição também foi discutida nas fontes, que acabaram por identificá-la como Ume Cultume. Ela foi sepultada no cemitério de Albaqui. Segundo a tradição, depois que o corpo foi colocado na sepultura, Maomé declarou que o ser humano havia sido criado da terra, a ela retornaria e dela seria novamente retirado. Ao ser fechada a sepultura, ordenou ainda que os tijolos fossem dispostos regularmente, observando que isso não beneficiaria a falecida, mas seria mais apropriado para os vivos. Otomão teria ficado profundamente abalado com a morte de Ume Cultume, assim como ocorrera com a de Rocaia. Segundo um relato, Maomé o consolou afirmando que o parentesco estabelecido pelo casamento não era desfeito pela morte, mas pelo divórcio. Além dos relatos relacionados a seu funeral, poucas informações são preservadas acerca da vida de Ume Cultume. As fontes descrevem-na como tendo levado uma vida simples em Meca e Medina. Um hádice menciona que usava uma veste confeccionada com tecido listrado de seda; o relato foi posteriormente empregado pelos juristas como evidência da permissibilidade do uso de seda pelas mulheres.
Bibliografia
Categoria:Árabes do século VII Categoria:Mulheres do século VII Categoria:Filhos de Maomé Categoria:Muajiritas Categoria:Naturais de Meca Categoria:Açaditas (coraixitas) Categoria:Amiritas (coraixitas) Categoria:Haxemitas (clã coraixita) Categoria:Otomão Categoria:Pessoas sepultadas no Cemitério de Albaqui