Vila Pouca de Aguiar é uma vila portuguesa localizada na sub-região do Alto Tâmega, pertencendo à região do Norte e ao Distrito de Vila Real.
É sede do Município de Vila Pouca de Aguiar que tem uma área total de 437,07 km2Instituto Geográfico Português, Carta Administrativa Oficial de Portugal (CAOP), versão 2013 (ficheiro Excel zipado), 11.813 habitantes em 2021, tendo, por isso, uma densidade populacional de 27 habitantes por km2, estando subdividido em 14 freguesiasDiário da República, Reorganização administrativa do território das freguesias, Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro, Anexo I.. O município é limitado a norte pelo município de Chaves, a leste por Valpaços e Murça, a sul por Alijó, Sabrosa e Vila Real, a oeste por Ribeira de Pena e a noroeste por Boticas.
Freguesias O município é subdividido em 14 freguesias:
Alfarela de Jales Alvão Bornes de Aguiar Bragado Capeludos Pensalvos e Parada de Monteiros Sabroso de Aguiar Soutelo de Aguiar Telões Tresminas Valoura Vila Pouca de Aguiar Vreia de Bornes Vreia de Jales
Demografia Os Recenseamentos Gerais da população portuguesa tiveram lugar a partir de 1864, regendo-se pelas orientações do Congresso Internacional de Estatística de Bruxelas de 1853. Encontram-se disponíveis para consulta no site do Instituto Nacional de Estatística (INE).
Número de habitantes Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes 1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 15802 15926 16104 16047 17496 17113 18108 20552 23412 25394 21420 20121 1991 2001 2011 2021 17081 14998 13187 11812
(Obs.: Número de habitantes "residentes", ou seja, que tinham a residência oficial neste município à data em que os censos se realizaram.)
Número de habitantes por grupo etário INE - http://censos.ine.pt/xportal/xmain?xpid=CENSOS&xpgid=censos_quadros 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011 2021 0-14 Anos 5511 6125 5725 6273 7519 8487 9694 8485 6232 3946 2275 1535 101915-24 Anos 2772 3119 3246 3248 3512 4204 4303 3515 4026 2766 2151 1347 101325-64 Anos 6753 7106 7068 7397 7929 9183 9889 7795 7682 7800 7471 6844 5702= ou > 65 Anos 902 1032 1010 1092 1244 1286 1508 1625 2181 2569 3101 3461 4078 (Obs: De 1900 a 1950 os dados referem-se à população "de facto", ou seja, que estava presente no município à data em que os censos se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente)
População Com os Censos 2021, o município de Vila Pouca de Aguiar registou 11 813 habitantes, menos 1 374 habitantes comparado com os Censos de 2011, quando foram registados 13 187 habitantes. Todos as catorze freguesias registaram uma descida de habitantes, em média de –10,4%. FreguesiaHabitantes (2021)Habitantes (2011)VariaçãoAlfarela de Jales357401–11,0%Alvão774875–11,5%Bornes de Aguiar1 9332 057–6,0%Bragado446544–18,05Capeludos363440–17,5%Pensalvos e Parada de Monteiros289350–17,4%Sabroso de Aguiar548684–19,9%Soutelo de Aguiar602638–5,6%Telões1 3281 485–10,6%Tresminas341415–17,8%Valoura295376–21,5%Vila Pouca de Aguiar3 1183 303–5,6%Vreia de Bornes567652–13,0%Vreia de Jales852967–11,9%Vila Pouca e Aguiar11 81313 187–10,4%
História Conhecidas nos primórdios da nacionalidade como as terras de Aguiar de Pena, nome tirado do velho castelo roqueiro com a mesma designação, ou seja da Pena, assente num penedo colossal que seria uma das referências da região, com o nome de Aguiar advinha-lhe do facto de ser um povoado de águias.
Delimitada a norte pela terra de Chaves e Montenegro, a leste e sul pela terra de Panóias e a ocidente pelas terras de Bastos. A ocupação humana deste território, remonta à época megalítica, muito anterior à ocupação romana, como testemunham as várias antas, mamoas, sepulturas e o espólio arqueológico encontrado em vários locais, principalmente na serra do Alvão.
Nos finais do século III a.C. começa a colonização romana do território actualmente português.
Posteriormente e até à fundação do reino de Portugal, este território foi sucessivamente ocupado por Suevos, Visigodos e Muçulmanos. Após a criação do Reino, é atribuído o primeiro foral à Terra de Aguiar de Pena pelo Rei D. Manuel, em 1515.
Em meados do século XIX as reformas administrativas efetuadas ao nível autárquico, deram a actual configuração ao município.
Património histórico e cultural
Estação de Caminho-de-Ferro da Linha do Corgo Capela da Aldeia de Cidadelha (altar de talha dourada) Pelourinho de Vila Pouca de Aguiar Recinto fortificado de Cidadelha, Muralha Ponte de Cidadelha ou Ponte de Cidadelha de Aguiar Museu Municipal de Vila Pouca de Aguiar
Antas da Serra do Alvão As Antas da Serra do Alvão (freguesia da Lixa do Alvão), estão classificadas como Monumento Nacional desde 1910, erguem-se numa planície junto ao Rio Torno, nas proximidades de Lixa do Alvão.
Escavada ainda no final do século XIX pelos sacerdotes e grandes estudiosos da região de Vila Pouca de Aguiar, José Rafael Rodrigues e José Brenha, esta necrópole megalítica seria originalmente constituída por um conjunto de dez monumentos, cinco dos quais foram destruídos, muito provavelmente na sequência dos trabalhos agrícolas desenvolvidos ao longo dos tempos nos terrenos particularmente férteis onde se encontram implantados, assim como das constantes violações às quais foi sujeita parte substancial dos exemplares arqueológicos desta região transmontana e, muito especialmente, os exemplares desta tipologia arqueológica.
Também conhecida por "Chã das Arcas", a primeira anta deste conjunto apresenta uma mamoa - tumulus - edificada com terra e pedra miúda, cujas dimensões a transformam num dos monumentos megalíticos mais impressionantes do concelho. Consegue ainda manter in situ três dos grandes esteios graníticos que comporiam originalmente a câmara sepulcral, bem como a correspondente pedra da cabeceira, à semelhança, aliás, da segunda anta (excetuando o último elemento pétreo), apartada daquela por cerca de vinte metros para Ocidente.
Quanto ao terceiro exemplar desta necrópole megalítica, parece ser apenas possível percecionar a mamoa primitiva, de cuja câmara sepulcral não se identificaram ainda quaisquer elementos estruturais, o mesmo sucedendo, ademais, com o quarto espécime, identificado pela cota mais elevada do terreno.
Finalmente, o quinto monumento deste conjunto funerário parece ser aquele que se encontra em melhores condições de conservação, apresentando, quer três dos blocos que formariam de início a câmara sepulcral, quer múltiplos vestígios do corredor que atingiria um comprimento de aproximadamente dois metros e uma largura de metro e meio.
Quanto aos artefactos recolhidos no local, dever-se-á relembrar que o conhecido espólio do Alvão, composto de várias dezenas de placas gravadas, fragmentos cerâmicos, machados executados em pedra, pontas de seta e contas de colar, entre outros elementos, procede, precisamente, deste arqueossítio, a revelar, no fundo, a sua relevância para um melhor entendimento deste período do Noroeste peninsular.
Castelo de Aguiar O Castelo de Aguiar, singular conjugação da natureza com o engenho humano, está localizado nos contrafortes da Serra do Alvão, junto da aldeia do Castelo, na freguesia de Telões está classificado como Monumento Nacional desde 26 de Fevereiro de 1982.
Na zona abundam gigantescos blocos graníticos. O Castelo, isolado e inexpugnável, como um ninho de águias, dominando o vale fértil de Aguiar e as serras vizinhas, está apoiado no mais elevado deles. Com o desenvolvimento das vilas e cidades, no fim da Idade Média, a estabilização de fronteiras e as múltiplas reformas administrativas e políticas, o Castelo de Aguiar, como muitas outras fortalezas isoladas, perdeu importância. A passagem do tempo e a erosão foram-no degradando, até chegar ao estado ruinoso em que hoje se encontra apesar mesmo da sua classificação.
Pelourinho de Alfarela de Jales O Pelourinho de Alfarela de Jales (freguesia de Alfarela de Jales, lugar de Alfarela de Jales), datado do século XVI este elemento está classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1933.
O primeiro dos quatro degraus do pelourinho está bastante enterrado no pavimento. Todos são de forma quadrada com pouca altura e de aparelho ligeiro. A Plataforma com a altura de oitenta centímetros tem forma de plinto quadrado e possui na base, mais encorpamento. Na parte superior existe um bordo saliente, boleado. Neste elemento pousa o fuste cilíndrico monolítico com a altura de dois metros e vinte centímetros e o diâmetro de trinta centímetros. No topo pousa um ligeiro capitel saliente, liso, seguido de um rebordo mais encorpado e boleado. O remate é composto por um tabuleiro quadrangular que num dos lados tem um escudo das armas de Portugal encimado por uma coroa aberta.
Por peça terminal existe elemento cilíndrico com base de maior diâmetro e com o topo saliente e boleado onde pousa uma pirâmide circular.
No ano de 1953 o pelourinho foi deslocado para sul a fim de dar lugar a um fontanário.
Estátua–Estela de Jales Estátua – Estela (freguesia da Vreia de Jales, lugar de Barrela), escultura em granito, de forma antropomórfica, está em processo de classificação desde 1997. Tem 2.30 metros de altura, e encontra-se ainda no que se presume ser a sua implantação original. Situa-se ao lado da via romana que segue para o campo mineiro de Jales e Trêsminas. A cronologia destas estátuas-estelas é, genericamente, atribuída ao bronze final/idade do ferro, se bem que esta poderá talvez ser mais tardia, podendo mesmo ser de época romana.
A Mamoa do Alto do Catorino (freguesia da Lixa do Alvão), é um dos maiores monumentos megalíticos do concelho de Vila Pouca de Aguiar, e talvez aquele que se encontra em melhor estado de conservação, está classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1990.
Minas Romanas de Tresminas Complexo Mineiro de Tresminas, neste importante centro mineiro classificado como Imóvel de Interesse Público em 1997, segundo um investigador espanhol, já eram explorados metais nos fins do Neolítico e sobretudo na idade do bronze e do ferro. Mas é sobretudo a romanização que marca profundamente a actividade mineira neste local.
A exploração que os romanos levaram a efeito em Covas, pela sua importância e duração, fez com que os vestígios deixados se revistam de grande importância, não só do ponto de vista do conhecimento da estadia romana por terras lusas, mas também da compreensão dos seus métodos de exploração e tratamento metalúrgico.
As minas romanas de extração a céu aberto, foram provavelmente já durante o reinado de Augusto (27 aC, 14 dC), que iniciaram a exploração sistemática deste complexo, tendo-se prolongado até à segunda metade do século II d.C. Sendo o domínio imperial e fiscal, o distrito mineiro estava sob a orientação estatal direta. Ainda não são conhecidos os limites exatos da povoação mineira de Covas. Depois de algumas prospeções efetuadas, pressupõe-se a existência de determinadas construções, nomeadamente, edifícios administrativos, casernas, balneários, complexos industriais, armazéns, silos, mercados, lojas, casas de habitação, templos e santuários.
A exploração mineira em Covas realizava-se essencialmente pelo desmonte a céu aberto, sendo disso resultado os desfiladeiros que são as cortas (ou lagos) de Covas e Ribeirinha. Numa terceira Corta existente, a dos Lagoínhos, não estudada, a exploração era subterrânea. Esta Corta resulta do aluimento de uma grande extensão daquela que seria a galeria principal de um complicado conjunto de galerias.
Em jeito de curiosidade um Engenheiro de Minas Inglês, calculou que 2000 trabalhadores operando diariamente levariam 200 anos a fazer estes desmontes, sendo necessário remover pelo menos 5.800.000 m³.