Enrique Antônio Langue de Silvério e Bernoldi (Curitiba, 19 de outubro de 1978) é um ex-piloto automobilístico e empresário brasileiro que atualmente é comissário da FIA na Fórmula 1. Competiu duas temporadas na Fórmula 1 entre os anos de e pela equipe Arrows Grand Prix, sendo piloto de testes pela Sauber F1 Team e British American Racing. Também competiu pela Fórmula Indy, FIA GT Championship, Stock Car Pro Series entre outras categorias de ponta no automobilismo nacional e internacional.
Trajetória Bernoldi começou com o kart em 1987 com nove anos de idade e ganhou vários títulos regionais antes de ir para a Europa, aos 17 anos. Ele disputou etapas únicas de Fórmula Renault Francesa e Europeia. Em 1995, ele entrou para a Formula Alfa Boxer na Itália antes de voltar a Fórmula Renault Francesa e migrar para a Renault Spider Europeia já em 1996, ano em que ganharia o campeonato de Fórmula Renault com seis vitorias em dez corridas pela equipe Tatuus JD Motorsport.
Com o importante título ele foi a Fórmula-3 Britânica em 1997, onde encerrou o seu primeiro ano de disputa com 127 pontos na quinta colocação, com seis pódios, duas voltas mais rápidas e uma vitória em Spa-Francorchamps realizando as quatorze corridas com a equipe Promatecme, incluindo um pódio com o terceiro lugar no GP de Macau, posição que se repetiria na edição de 1998 da etapa pela mesma categoria.
Em 1998, Bernoldi chega ao vice-campeonato da Fórmula-3 Britânica, onde em quinze corridas ele venceu seis, com sete pódios, quatro poles positions e quatro voltas mais rápidas, somando um total de 163 pontos.
Enrique ainda disputaria as categorias de formação em 1999 e 2000, quando competiu pela Fórmula-3000 Internacional na equipe RSM Marko do famoso Helmut Marko, onde somou mais uma pole position no último ano, embora só tenha pontuado em três de dez corridas.
Fórmula 1
Piloto de testes da Sauber O desempenho de Bernoldi na F-3000 o levou a testar um Fórmula 1 pela primeira vez com a Sauber em 2000, onde se tornou o primeiro membro da Red Bull Junior Team. Bernoldi também testou pela equipe Prost Grand Prix em dezembro do mesmo ano. Visando estrear na F1 em 2001, Bernoldi foi especulado em equipes como Prost, Minardi e Sauber. Ele competiu por uma vaga na equipe suíça com Kimi Raikkonen, para ocupar o posto que ficaria aberto após Pedro Paulo Diniz se retirar da posição de piloto para se tornar um dos diretores da Prost Grand Prix, porém o finlandês venceu a disputa pela preferência da Sauber antes mesmo de ter uma Superlicença da FIA, com Bernoldi afirmando que a equipe escolheu Raikkonen por conta do desempenho dos dois em um teste, que na visão do brasileiro, teve condições de pista desiguais, e que a equipe tratou como "grande coisa" a diferença de tempo de 0s3 a favor do finlandês. Tal decisão acarretou no fim da parceria da Sauber com a Red Bull, que era a principal patrocinadora da equipe desde .
Arrows
2001 esquerda|miniaturadaimagem|240px|Bernoldi recolhendo sua Arrows A22 em um treino livre Bernoldi ficou disponível no mercado e assinou com a Orange Arrows Asiatech para a temporada de , desbancando o titular Pedro de la Rosa, que tentava renovar o contrato, ao levar para a equipe o patrocínio da Red Bull, marca que tempos depois iria finalizar sua consolidação na Fórmula 1. O modelo Arrows A22 de motor Asiatech, pneus Bridgestone foi alinhado no grid para os 17 GPs do ano em parceria com o remanescente da equipe, Jos Verstappen. No decorrer da temporada, Bernoldi teve um momento que ficou entre os melhores do ano e entre muitas das coletâneas de vídeos virais da história da Fórmula 1: em Mônaco, o pole e candidato ao título David Coulthard teve uma falha em sua saída para a sua volta de formação de grid e aquecimento dos pneus, o que obrigou ele a largar dos boxes, na tentativa de escalar o pelotão o quanto antes dentro das 78 voltas do GP, Bernoldi segurou Coulthard e sua McLaren por incríveis 35 voltas pelo Principado. miniaturadaimagem|240px|Bernoldi iniciando um treino livre Brigar por posição, embora da maneira mais pura e limpa possível, irritou Ron Dennis e a toda a direção da McLaren, que após a corrida fizeram declarações na mídia e até pessoalmente a Bernoldi, que relatou que o chefe da equipe inglesa ameaçou "acabar com sua carreira" se ele não se "comportasse". Em contrapartida, Bernoldi foi amplamente defendido pela maior parte do grid e imprensa internacional, com destaque para o dono da Arrows, Tom Walkinshaw, que classificou a atitude da McLaren como "inaceitável", e Michael Schumacher, o vitorioso daquele domingo, que não poupou palavras em defesa a Enrique em uma entrevista coletiva posterior ao GP, dizendo que o paranaense "fez tudo certo" e não infringiu as regras. Enrique e Coulthard tomaram uma volta de Michael no giro 27, e o brasileiro terminou a prova na nona colocação.
A temporada onde Bernoldi debutou na F-1 teve também como destaque uma elogiadíssima oitava posição no GP da Alemanha, porém o sistema de pontuações vigente na época premiava com pontos apenas os seis melhores colocados dos Grandes Prêmios. Em dezessete etapas, a Arrows A22 de Bernoldi levou o piloto a concluir apenas sete: Ímola em 10º, Monte Carlo em 9º, Silverstone em 14º, Hockenheim em 8º, Spa em 12º, Indianápolis em 13º e Suzuka em 14º.
Entre os duelos com seu companheiro de equipe Verstappen, apesar do holandês ter feito o único ponto da equipe em A1 Ring, Bernoldi largou a frente dele onze vezes, contra apenas 6 melhores desempenhos de seu parceiro. Tal nível de habilidade mostrada garantiu mais um ano de contrato de Enrique, como titular da Arrows, enquanto Jos conseguiu apenas o posto como piloto de testes da Sauber Petronas para a temporada seguinte, embora tenha voltado a ser titular em com a Minardi.
2002 miniaturadaimagem|240px|Bernoldi e H-H Frentzen à sua frente com os A23 treinando em Magny-Cours Para , Enrique Bernoldi fez dupla com o veterano alemão Heinz-Harald Frentzen. Dessa vez o Grande Prêmio da Malásia foi o palco dos melhores momentos entre os vídeos virais da história da F-1 que o brasileiro participou: Montoya e Schumacher se tocaram na largada e enquanto o alemão tentava se recuperar escalando o pelotão, Bernoldi brigou bravamente contra o campeão do mundo, nas voltas 14, 15 e 16 do GP; após ultrapassar a Sauber Petronas de Felipe Massa, Schumacher e Bernoldi em trio proporcionaram ao público uma disputa de carros de ponta, meio e final de grid em grande equilíbrio e habilidade.
Saindo da Malásia, os problemas financeiros da Arrows ficaram escancarados e cada vez mais evidentes. Mesmo com bons patrocinadores, o A23 enfrentou sérios problemas, como de falta de peças de reposição. Mais tarde na França, HHF e Bernoldi foram obrigados por Tom Walkinshawn à propositalmente não atingirem o tempo mínimo de classificação, em tentativa da equipe economizar combustível e motores, poupando gastos. Bernoldi só conseguiu completar duas provas: o GP de Mônaco, em 12º, e o GP da Europa, em 10º. A última corrida que a Arrows viria a participar de verdade seria o GP da Alemanha, dando fim a equipe criada em . Apesar de ter se inscrito para a Hungria e na Bélgica, a Arrows nem chegou a viajar e os carros não foram para a pista, o que abalou seriamente a carreira de Bernoldi. A mídia britânica disse que ele chegou a negociar com a Jordan para 2003, mas as tratativas não avançaram.
Piloto de testes da BAR miniaturadaimagem|240px|BAR 006 com pintura da Lucky Stricke, que Bernoldi ajudou a ser Vice-Campeã de Construtores em 2004 Em agosto de 2004, Bernoldi assinou como piloto de testes da British American Racing, dividindo o posto com Anthony Davidson. O brasileiro estreou na nova casa durante os testes em Jerez, onde fez o oitavo melhor tempo, e mais tarde foi escalado para testar o carro nas etapas da China, Japão e Brasil. As contribuições do brasileiro na BAR, que tinha Jenson Button e Rubens Barrichello como titulares, ajudaram a equipe a conquistar o vice-campeonato dos construtores daquela temporada. Bernoldi seguiu como piloto de testes da BAR em 2005, testando com Davidson o novo motor Honda V8 em Mugello, porém Bernoldi não voltou a competir na F-1.
Fórmula Indy miniaturadaimagem|240px|Bernoldi nos treinos livres para as 500 milhas de Indianápolis de 2008 Enrique Bernoldi chegou a Fórmula Indy na temporada de 2008, uma das mais tumultuadas de toda a história, pois essa foi a temporada em que as divisões Champ Car e IRL voltaram a se unir para formar uma Fórmula Indy apenas. Bernoldi correu quinze das dezenove etapas com a equipe Conquest Racing, com destaque para sua 5ª colocação nas ruas de St Petersburg (onde chegou a liderar mas um Pit Stop problemático custou uma bem provável vitória) e a 4ª colocação em Long Beach, além da 15ª colocação nas 500 milhas de Indianápolis de 2008. Com onze das dezenove provas em ovais e um chassi mais bem preparado para mistos e circuitos de rua como eram os da Champ Car a competividade do curitibano ficou prejudicada para o restante do ano.
Na etapa de Sonoma, Bernoldi teve uma quebra de suspensão nos treinos e com uma lesão nos ligamentos dos dedos das mãos, foi substituído por Alex Tagliani, que viria a ser quarto colocado com o carro de Bernoldi em Surfers Paradise, em uma corrida extra campeonato, que não valeu pontos. Bernoldi também relatou mais recentemente detalhes dos desentendimentos com o dono da Conquest Racing, Anthony Blumberg. O curitibano finalizou sua única temporada da Indy na 22ª colocação, com 220 pontos.
Outras categorias Em 2003, após seu afastamento da F-1, Bernoldi competiu pela World Series Nissan com a RC Motorsport e a GD Racing. Em dezoito etapas, ele fez duas poles, cinco pódios e duas vitórias, dentro do seu Dallara SN01 Nissan. Em 2004, Bernoldi foi o terceiro no campeonato, em dezoito etapas foram duas vitórias, sete pódios, duas poles e três voltas mais rápidas com o mesmo Dallara SN01 Nissan. Foram 112 e 113 pontos respectivamente.
Em 2006 na TC2000 Argentina, Bernoldi testou um carro de turismo em competição Sul-Americana, um Honda Civic, da Honda Petrobras Lubrax. Após testar com um carro da Stock Car em Interlagos, Bernoldi decide retornar ao Brasil para disputar a temporada da Stock Car Brasil de 2007 pela equipe Biosintética Action Power, guiando um Volkswagen Bora ao lado de Rodrigo Sperafico. Em doze corridas, foram dois pódios (Santa Cruz do Sul e Brasília) e 58 pontos, sendo 13º colocado. Em 2009, Bernoldi correu pela RCM, de Rosinei Campos. Seu companheiro de equipe foi Valdeno Brito, ambos em um Peugeot 307. Mas Bernoldi só pontuou na primeira etapa, lidando com quebras que prejudicaram seu desempenho. Ele só tinha patrocínio garantido até a quarta rodada, ficando obrigado a buscar novas parcerias para a quinta rodada em diante, mas não teve sucesso, e com isso, Bernoldi não voltou mais à Stock Car em 2009.
Assim, Enrique competiu no carro do Flamengo pela Fórmula Superliga em 2009. Nas dez corridas disputadas, ele conseguiu um pódio em Estoril com os chassis da Menard.
Em 2010, Bernoldi competiu pelo World Championship em um Maserati MC12 GT1. Nas vinte corridas, fez uma pole, uma vitória (em Interlagos) e 53 pontos. No ano seguinte, fez quatro etapas pela GT1 Brasil, indo ao pódio na estreia em Curitiba com um Ford GT GT3.
Em 2012, foram duas etapas cada da Internacional GT Open em um Ferrari 458 GT Italia. Também fez duas etapas de Speed EuroSeries na Catalunha, somando duas poles e uma volta mais rápida com um Tatuus PY012 da Team JD. E Bernoldi ainda participou do World Endurance Championship daquele ano pela AF Corse-Waltrip, voltando a tocar uma Ferrari 458 GT Italia em Interlagos, onde ele foi pole e teve a volta mais rápida da corrida.
Em 2013, Bernoldi faz três etapas de V Challenge Endurance Proto Scatch com a equipe MSR Corse, pilotando um Tatuus PY012, e conquistando um pódio novamente na Catalunha.