Erving Goffman (Mannville, Alberta, 11 de Junho de 1922 – Filadélfia, 19 de Novembro de 1982) foi um cientista social, antropólogo, sociólogo e escritor canadense. Foi considerado "o sociólogo norte-americano mais influente do século XX".FINE, Gary & MANNING, Philip. "Erving Goffman", in George Ritzer (org.), The Blackwell Companion to major contemporary social theorists, Oxford, Blackwell, 2003. p. 34. Em 2007, foi listado pelo “The Times Higher Education Guide” como o sexto autor nas ciências humanas e sociais mais citado, atrás de Anthony Giddens e à frente de Jürgen Habermas."The most cited authors of books in the humanities". Times Higher Education. 26 March 2009. Retrieved 16 November 2009.

Goffman foi o 74º presidente da “American Sociological Association”. Sua contribuição mais conhecida para a teoria social é o seu estudo sobre interação simbólica. Este tomou a forma de análise dramatúrgica, começando com o seu livro de 1959, “A Representação do Eu”.GOFFMAN, Erving. A representação do eu na vida cotidiana. São Paulo: Perspectiva, 1989. Outras obras importantes de Goffman incluem Manicômios, Prisões e ConventosGOFFMAN, Erving. Manicômios, Prisões e Conventos. Tradução de Dante Moreira. Leite. 7ª edição. São Paulo: Editora Perspectiva, 2001. (1961), Estigma: Notas Sobre a Manipulação da Identidade DeterioradaGoffman, Erving. Estigma: Notas sobre a Manipulação da Identidade Deteriorada, Rio de Janeiro, Editora LTC, 1988. (1963), Interaction RitualGOFFMAN, Erving. Interaction Ritual: Essays in Face to Face Behavior. New York, 1967. (1967), Frame AnalysisGOFFMAN, Erving. Frame analysis. Harper & Row, New York, 1974. (1974), e Forms of TalkGOFFMAN, Erving. Forms of Talk (Conduct and Communication). Paperback, New York, 1981. (1981). Suas principais áreas de estudo incluíram a sociologia da vida cotidiana, a interação social, a construção social do eu, organização democrática da experiência, e elementos particulares da vida social, tais como instituições totais e estigmas.

Vida

Goffman nasceu em 11 de junho de 1922, em Mannville, Alberta, Canadá, de Max Goffman e Anne Goffman, née Averbach.FINE, Gary & MANNING, Philip. "Erving Goffman", in George Ritzer (org.), The Blackwell Companion to major contemporary social theorists, Oxford, Blackwell, 2003. p. 35.Greg Smith (1 November 2002). Goffman and Social Organization: Studies of a Sociological Legacy. Taylor & Francis. p. 22. ISBN 978-0-203-01900-9. Retrieved 29 May 2013. Ele era de uma família de judeus ucranianos que haviam emigrado para o Canadá, na virada do século. Ele tinha uma irmã mais velha, Frances Bay, que se tornou uma atriz. A família mudou-se para Dauphin, Manitoba, onde seu pai operava um negócio de costura bem sucedido.

Em 1952, casou-se com Angelica Choate; em 1953, seu filho Thomas nasceu. Angelica sofria de doença mental e suicidou-se em 1964. Fora de sua carreira acadêmica, Goffman era conhecido por seu interesse, e relativo sucesso, no mercado de ações e em jogos de azar. Em certo ponto, em busca de seus hobbies e estudos etnográficos, ele se tornou chefe de equipe em um casino em Las Vegas.

Em 1981, casou-se novamente, agora com a sociolinguista Gillian Sankoff. No ano seguinte, sua filha Alice nasceu. Em 1982, Goffman morreu na Filadélfia, Pensilvânia, no dia 19 ou 20 de Novembro (fontes variam), de câncer de estômago. Alice Goffman também é socióloga.

Trajetória acadêmica

Goffman era um notável observador dos encontros sociais, ao mesmo tempo em que, pessoalmente, demonstrava falta de vontade de lidar com as convenções sociais e regras típicas da interação humana. No livro “Goffman Unbound!”Scheff, Thomas J. Goffman Unbound!: A New Paradigm for Social Science (The Sociological Imagination). Editora Hardcover, 2006 (2006), de Thomas Scheff - sociólogo e ex-aluno de Goffman – é documentado como ele se aproveitava de meras conversas cotidianas para testar as pessoas e suas reações, um comportamento que segundo Scheff e atestado por amigos e colegas, sugeria estar Goffman sempre “trabalhando”.

Essa atenção aos menores detalhes da prática humana está muito clara em seus escritos. Goffman, com uma perspicaz habilidade observacional, dá atenção aos detalhes que costumam passar batido, ao que normalmente não é notado. Surpreendentemente, a opinião acadêmica sobre o autor é dividida. Os simpáticos a ele, ressaltam o criativo e perspicaz vocabulário que seu trabalho fornece para a compreensão dos encontros sociais. Por outro lado, os “críticos” veem em sua sociologia não-convencional um estilo de análise “não-sistemático”. A despeito das divergências, é inegável a contribuição de Goffman para as ciências sociais, principalmente no que se refere a temas como o “eu”, emoções, civilidade e resistência.

Erving Manual Goffman se graduou na “St. John’ Technical High School, em Dauphin. No mesmo ano, 1939, ingressou na “University of Manitoba”, para estudar Química. Em 1943, seus interesses mudaram e, em detrimento de Manitoba, Goffman optou por se mudar para Toronto onde trabalhou no “National Film Board of Canada”. Lá teve contato com Dennis Wrong, um sociólogo que o incentivou a retomar os estudos. Goffman o fez, agora na área de sociologia e pela “University of Toronto”. Em 1945, Goffman se mudou novamente, agora para ingressar como pós-graduando no famoso departamento de sociologia da “University of Chicago”, onde teve contato com notáveis como Everett Hughes e Herbert Blumer, influências posteriores no trabalho de Goffman. Com o mestrado completo, foi lá mesmo que ele continuou seus estudos, ingressando no doutorado. Sua dissertação adveio de um notável trabalho sobre a interação social entre nativos e visitantes da remota ilha de Unst nas “Ilhas Shetland” e foi publicada como a monografia “A Representação do Eu na Vida Cotidiana”, um livro que representa a fundação do pensamento de Goffman.

Foi em 1958, como professor assistente do Departamento de Sociologia da “University of California” em Berkeley que Goffman iniciou sua carreira na docência, e com ela, um período de grande produtividade. A edição revisada e expandida de “A Representação do Eu na Vida Cotidiana” ganhou o “Maclver Award” de 1961 como melhor livro de sociologia da americana, o que deu grande destaque ao autor. Logo em seguida ocorreram a publicação de “Asylum” (traduzido como “Manicômios, prisões e conventos”), e “Stigma” (traduzido como “Estigma: notas sobre a manipulação da identidade deteriorada”) dois do mais famosos livros de Goffman. Além dos dois livros, o primeiro publicado em 61 e o segundo em 63, nesse período o autor publicou também “Encounters”GOFFMAN, Erving. Encounters: Two Studies in the Sociology of Interaction. Indianapolis, 1961. (1961) e “Behavior in Public Places”GOFFMAN, Erving. Behavior in Public Places: Notes on the Social Organization of Gatherings. New York, 1963. (1963). As cincos obras projetaram Goffman internacionalmente.

Foi nesse contexto que, em 1968, recebeu o convite – aceito - para a “Benjamin Fraklin Chair” de Antropologia e Sociologia na “University of Pennsylvania”. Continuou com suas publicações, apresentando “Interaction Ritual” (1967); “Strategic Interaction”GOFFMAN, Erving. Strategic Interaction (Conduct and Communication). Hardcover, New York, 1969. (1969); “Relations in Public”GOFFMAN, Erving. Relations in Public: Microstudies of the Public Order. Hardcover, New York, 1971. (1971) e “Frame Analysis” (1974). Mais tarde, ainda publicou “Gender Advertisements”GOFFMAN, Erving. Gender Advertisements. Paperback, New York, 1979. (1979) e “Forms of Talk” (1981) abordando sociolinguística e questões de gênero. A incorporação dessa nova dimensão à sua obra é influência de seu contato estreito com o Departamento de Linguística da própria “University of Pennsylvania” e com a “Annenberg School of Comunication”.

Em 1982, Goffman foi presidente da Associação Americana de Sociologia até que, em novembro do mesmo ano, um câncer no estômago o levou à morte.

Carreira

A pesquisa que Goffman tinha feito em Unst o inspirou a escrever sua primeira grande obra, “A Representação do Eu” (1956). Depois de se formar pela Universidade de Chicago, em 1954-57 foi assistente para o diretor de esportes do Instituto Nacional de Saúde Mental, em Bethesda, Maryland. A observação advinda da participação o instituto o levou a escrever seus ensaios sobre a doença mental e instituições totais, que veio a formar o seu segundo livro, “Asylums: Essays on the Social Situation of Mental Patients and Other Inmates” (1961).

Em 1958, tornou-se um membro do corpo docente do departamento de sociologia da Universidade da Califórnia, em Berkeley, primeiro como professor visitante, em seguida, a partir de 1962 como professor titular. Em 1968, ele mudou-se para a Universidade da Pensilvânia, recebendo a “Benjamin Franklin Chair” em Sociologia e Antropologia, em grande parte devido aos esforços de Dell Hymes, um ex-colega de Berkeley. Em 1969, ele tornou-se membro da Academia Americana de Artes e Ciências. Em 1970, tornou-se um co-fundador da Associação Americana para a Abolição da Hospitalização Mental Involuntária e coautor de sua Declaração de Plataforma. Em 1971, ele publicou “Relations in Public”, no qual ele amarra muitas de suas idéias sobre a vida cotidiana, vista de uma perspectiva sociológica. Outro grande livro dele, Frame Analysis, saiu em 1974. Ele recebeu uma bolsa da Fundação Guggenheim para 1977-1978. Em 1979, recebeu o Prêmio “Cooley-Mead” para acadêmico distinto, a partir da seção de Psicologia Social da American Sociological Association. Ele foi eleito o 73ª presidente da American Sociological Association, servindo em 1981-82; no entanto, foi incapaz de realizar o discurso presidencial em pessoa devido à progressão da doença. Postumamente, em 1983, ele recebeu o Prêmio “Mead” da Sociedade para o Estudo da Interação Simbólica. Influência e Legado Goffman foi influenciado por Herbert Blumer, Émile Durkheim, Sigmund Freud, Everett Hughes, Alfred Radcliffe-Brown, Talcott Parsons, Alfred Schütz, Georg Simmel e W. Lloyd Warner. Hughes foi o "mais influente de seus professores", de acordo com Tom Burns. Gary Alan Fine e Philip Manning afirmam que Goffman nunca se empenhou em diálogos sérios com outros teóricos. Seu trabalho tem, no entanto, influenciado e foi discutido por vários sociólogos contemporâneos, incluindo Anthony Giddens, Jürgen Habermas e Pierre Bourdieu.

Embora Goffman seja frequentemente associado com a escola de interação simbólica do pensamento sociológico, ele não vê a si mesmo como um representante dela, o que condiz com a colocação de Fine e Manning que ele "não se encaixa facilmente dentro de uma escola específica de pensamento sociológico". Suas idéias são também "difícil reduzir a uma série de temas-chave"; seu trabalho pode ser genericamente descrito como o desenvolvimento de "uma sociologia comparativa, qualitativa com o objetivo de produzir generalizações sobre o comportamento humano".