Uma pseudociência é qualquer tipo de informação que se diz ser baseada em factos científicos, ou mesmo como tendo um alto padrão de conhecimento, mas que não resulta da aplicação de métodos científicos. É uma reivindicação, crença ou prática que se apresenta como científica, mas não adere a um método científico válido, carece de provas ou plausibilidade, não podendo ser confiavelmente testado, ou de outra forma, não tem estatuto científico. A pseudociência é frequentemente caracterizada pelo uso de afirmações vagas, exageradas ou improváveis, uma confiança excessiva na confirmação, em vez de tentativas rigorosas de refutação, a falta de abertura para a avaliação de outros especialistas, e uma ausência generalizada de processos sistemáticos para desenvolver teorias racionalmente.
Um campo, prática ou corpo de conhecimento pode razoavelmente ser chamado de pseudocientífico quando for apresentado como sendo coerente com as normas de pesquisa científica, mas comprovadamente não cumprindo essas normas.Cover JA, Curd M (Eds, 1998) Philosophy of Science: The Central Issues, 1-82. A ciência é também distinguível de teologia, revelação ou espiritualidade na medida em que oferece uma visão sobre o mundo físico obtido pelas pesquisas e testes empíricos.Stephen Jay Gould, "Nonoverlapping magisteria", Natural History, March, 1997. A ciência "pop" pode desfocar a divisão entre ciência e pseudociência entre o público em geral, e pode também envolver ficção científica.George Pendle, Popular Science Feature - When Science Fiction is Science Fact . As crenças pseudocientíficas são comuns, mesmo entre professores de ciências do ensino público e repórteres de jornais.
O problema da demarcação entre ciência e pseudociência tem implicações políticas, éticas, bem como questões filosóficas e científicas.Imre Lakatos, Science and Pseudoscience , Science and Pseudoscience (transcript) , Dept of Philosophy, Logic and Scientific Method, 1973. Diferenciar ciência e pseudociência tem várias implicações práticas, dentre elas os cuidados de saúde, o testemunho de especialistas nas falsas polêmicas sobre o Aquecimento global e na educação científica das pessoas. A distinção entre fatos e teorias científicas de crenças pseudocientíficas, como os encontrados na astrologia, no charlatanismo médico e nas crenças ocultistas combinados com conceitos científicos, é parte da educação científica e literacia científica.
O termo "pseudociência" é muitas vezes depreciativo, sugerindo que algo está sendo impreciso ou mesmo enganosamente retratado como ciência. Por isso as pessoas rotuladas como praticantes ou partidárias de pseudociência normalmente contestam a caracterização.
Perspetiva geral Metodologia científica
Embora os padrões para determinar se um corpo de conhecimento, uma metodologia ou prática, são ou não científicos possam variar de campo para campo, existem princípios básicos amplamente consensuais entre os cientistas. A noção mais elementar é a de que todos os resultados experimentais devem poder ser reproduzidos e verificados por outras pessoas.e.g. Gauch, Hugh G., Jr. (2003), Scientific Method in Practice, Cambridge University Press, ISBN 0-521-01708-4, 435 pages, 3–5 ff Estes princípios garantem que todas as experiências científicas possam ser reproduzidas mediante condições idênticas, o que permite a outros investigadores determinar se uma hipótese ou teoria relativas a um dado fenómeno são simultaneamente válidas e fidedignas. Os padrões exigem que o método científico seja aplicado em todo o processo e que o viés seja controlado ou eliminado através de aleatoriedade, procedimentos de amostragem claros, estudos com dupla ocultação ou outros métodos. É expectável que todos os dados reunidos, incluindo as condições ambientais da experiência, sejam documentados para posterior escrutínio e disponibilizados para arbitragem científica, de modo a permitir que sejam realizados novos estudos que confirmem a veracidade ou falsidade dos resultados. São também ferramentas importantes do método científico a quantificação da significância, confiança e margem de erro.Gauch (2003), 191 ff, especially Chapter 6, "Probability", and Chapter 7, "inductive Logic and Statistics"
Refutabilidade Em meados do , Karl Popper propôs o critério da refutabilidade para distinguir a ciência da não ciência.Popper, KR (1959) "The Logic of Scientific Discovery".(ISBN 0-415-27844-9). A refutabilidade significa que determinado resultado deve ter condições para poder ser refutado. Por exemplo, a afirmação de que "Deus criou o universo" pode ser verdadeira ou falsa, mas é impossível delinear um teste que prove que o fez ou que não o fez, estando para além do alcance da ciência. Popper usou a astrologia e a psicanálise como exemplos de pseudociência e a teoria da relatividade de Einstein como exemplo de ciência. Subdividiu também a não ciência em formulações filosóficas, matemáticas, mitológicas, religiosas e metafísicas e em formulações pseudocientíficas, embora não tenha fornecido critérios claros em relação às diferenças.Karl R. Popper: Science: Conjectures and Refutations. Conjectures and Refutations (1963), p. 43–86;
Outro exemplo que mostra a necessidade clara da refutabilidade de uma alegação é o indicado por Carl Sagan em The Demon-Haunted World, quando se refere a um dragão invisível que tem na sua garagem. O objetivo é demonstrar que não existe qualquer teste físico que tenha a possibilidade de refutar a alegação da presença deste dragão, sendo impossível a alguém provar que a alegação é falsa. Sagan conclui: "Posto isto, qual é a diferença entre um dragão invisível, extracorpóreo e que voa a cuspir fogo e absolutamente nenhum dragão?" Afirma ainda que "a sua incapacidade em invalidar a minha hipótese não é a mesma coisa do que demonstrar que é verdadeira".Sagan, Carl. (1996). The Demon-Haunted World, p. 171. Ballantine Books, New York. ISBN 0345409469.
Opiniões divergentes Em 1978, Paul Thagard propôs que a principal distinção entre pseudociência e ciência está relacionada com o facto da pseudociência ser muito mais resistente a abandonar uma teoria mesmo quando essa teoria é suplantada por teorias alternativas, e à resistência dos proponentes em reconhecer ou corrigir os problemas da própria teoria.Paul R. Thagard "Why Astrology is a Pseudoscience" in PSA: Proceedings of the Biennial Meeting of the Philosophy of Science Association, Vol. 1978, Volume One: Contributed Papers (1978), pp. 223–234, The University of Chicago Press on behalf of the Philosophy of Science Association 223 ff. Em 1983, Mario Bunge sugeriu as categorias de "campos de crenças" e "campos de investigação" para ajudar a distinguir entre pseudociência e ciência, onde o primeiro é essencialmente pessoal e subjetivo e o último implica uma abordagem sistemática.Bunge M (1983) "Demarcating science from pseudoscience" Fundamenta Scientiae 3:369-388
Classificação Tipicamente, as pseudociências falham ao não adotar os critérios da ciência em geral (incluindo o método científico), e podem ser identificadas por uma combinação de uma destas características: Ao aceitar verdades sem o suporte de uma evidência experimental; Ao aceitar verdades que contradizem resultados experimentais estabelecidos; Por deixar de fornecer uma possibilidade experimental de reproduzir os seus resultados; Ao aceitar verdades que violam falseabilidade; Por violar a Navalha de Occam (o princípio da escolha da explicação mais simples quando múltiplas explicações viáveis são possíveis); quanto pior for a escolha, maior será a possibilidade de errar.
Exemplos de pseudociência
São exemplos de atividades majoritariamente classificados como pseudociências: pseudoarqueologia, pseudo-história, parapsicologia* Daisie Radner, Michael Radner. (1982). Science and Unreason. Wadsworth. pp. 38-66. ISBN 0-534-01153-5 Paul Kurtz. Is Parapsychology a Science?. In Kendrick Frazier. (1981). Paranormal Borderlands of Science. Prometheus Books. pp. 5-23. ISBN 0-87975-148-7 "If parapsychologists can convince the skeptics, then they will have satisfied an essential criterion of a genuine science: the ability to replicate hypotheses in any and all laboratories and under standard experimental conditions. Until they can do that, their claims will continue to be held suspect by a large body of scientists." Mario Bunge. (1987). Why Parapsychology Cannot Become a Science. Behavioral and Brain Sciences 10: 576-577. Terence Hines. (2003). Pseudoscience and the Paranormal. Prometheus Books. pp. 113-150. ISBN 1-57392-979-4 Michael W. Friedlander. (1998). At the Fringes of Science. Westview Press. p. 119. ISBN 0-8133-2200-6 "Parapsychology has failed to gain general scientific acceptance even for its improved methods and claimed successes, and it is still treated with a lopsided ambivalence among the scientific community. Most scientists write it off as pseudoscience unworthy of their time." Massimo Pigliucci, Maarten Boudry. (2013). Philosophy of Pseudoscience: Reconsidering the Demarcation Problem. University Of Chicago Press p. 158. ISBN 978-0-226-05196-3 "Many observers refer to the field as a "pseudoscience". When mainstream scientists say that the field of parapsychology is not scientific, they mean that no satisfying naturalistic cause-and-effect explanation for these supposed effects has yet been proposed and that the field's experiments cannot be consistently replicated." (mediunidade, problema mente-corpo), cubo do tempo de Gene Ray, astrologia, criacionismo, design inteligente, terra plana, ufologia, homeopatia, acupuntura, grafologia, efeito lunar, piramidologia e cristais, numerologia, criptozoologia, geologia do dilúvio.
Há também alguns campos jovens da ciência (protociência) que são mal vistos por cientistas de áreas já estabelecidas, primeiramente por sua natureza especulativa, embora estes campos não sejam considerados pseudocientíficos ou protocientíficos por muitos cientistas e sejam estudados por muitas universidades e institutos especializados.
SETI e CETI não afirmam que os extraterrestres existem, embora muitos considerem que seja provável (ver equação de Drake). Há controvérsia na biologia se evidência de vida extraterrestre microbiótica foi encontrada (fossilizada em meteoritos e como parte de experimentos do programa Viking de exobiologia).
Alguns grupos "cães de guarda", como o Comitê para a Investigação Cética, expressam preocupação com o aparente crescimento de popularidade das pseudociências, especialmente quando se trata de áreas científicas que existem para salvar vidas. Vários tratamentos autoproclamados como medicina alternativa foram designados pseudociência por críticos, porque seus métodos inspiram falsa esperança em pacientes terminais e acabam custando grandes quantias de dinheiro sem prover nenhum benefício real, tratamento, ou cura para várias doenças simples. A Clínica Burzynski é um exemplo disso.
Bibliografia
primeiro published 1992 by Faber & Faber, London.
Ligações externas - lista produzida pelo Centre for Inquiry. - discute casos em astronomia e física que foram apresentados de forma errônea pela mídia, como na acusação à alunagem da nave Apollo. - promove o uso do ceticismo na análise dos fenômenos ditos paranormais e ufológicos, mas abrange outros temas pseudocientíficos. - divulga charlatões e pseudocientistas, além de sites sobre charlatanismos. - coleção de trabalhos críticos de casos que são considerados pseudocientíficos (Versão em português do The Skeptic's Dictionary) - programa da rádio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul sobre ciência e pseudociência. - organização que investiga e verifica casos que parecem contradizer o consenso científico. - extensa coleção de artigos que auxiliam a análise crítica do paranormal e da pseudociência. - divulga e discute evidências científicas disponíveis sobre fenômenos "paranormais" ou "sobrenaturais" e fatos erroneamente divulgados como científicos.