Alice in Wonderland é um filme de animação estadunidense de 1951, dos gêneros musical, fantasia e aventura, dirigido por Clyde Geronimi, Wilfred Jackson e Hamilton Luske, com roteiro baseado nos romances Alice no País das Maravilhas (1865) e Through the Looking-Glass (1871), de Lewis Carroll. É o décimo terceiro longa-metragem dos estúdios Disney.
Até o desenvolvimento do filme, o produtor Walt Disney já havia feito uma série de curtas que misturava animação e live-action, intitulada Alice Comedies lançada em 1924. Porém, foi só com o sucesso do filme Branca de Neve e os Sete Anões, lançado em 1937, que Disney decidiu fazer um longa baseado na personagem de Lewis Carroll. A Segunda Guerra Mundial forçou a Disney atrasar o projeto do filme; durante essa época, a Disney só tinha recursos para fazer filmes curtos; mas, só depois com o fim da guerra e o sucesso de Song of the South que o estúdio voltou a trabalhar no projeto. Originalmente, assim como os curtas dos anos 20, Alice no País das Maravilhas foi planejado para ser uma produção de live-action com animação, mas o estúdio optou por torná-la totalmente animada em 1946.
O filme foi considerado uma decepção em seu lançamento inicial, levando a Disney a exibi-lo na televisão como um dos primeiros episódios de sua série Disneyland, onde provou ser um grande sucesso de audiência, especialmente durante a era psicodélica. Foi relançado nos cinemas em 1974, conseguindo um modesto sucesso de bilheteria. Alice se tornou ainda mais bem-sucedido na era moderna graças a trabalhos de merchandising e subsequentes lançamentos no formato home video. Atualmente é considerado um dos maiores clássicos da Disney, bem como uma das melhores adaptações cinematográficas da obra de Carroll.
Um remake homônimo em live-action foi lançado em 2010, sendo dirigido por Tim Burton, seguido pela sequência Alice Through the Looking Glass de 2016, dirigida por James Bobin.
Enredo
Alice fica entediada com a aula de história de sua irmã sobre a conquista normanda da Inglaterra e expressa sua chateação, levando-a para a margem de um rio próximo. Lá, Alice avista um Coelho Branco portando um relógio de bolso, exclamando que ele está "atrasado para um grande encontro". Ela o persegue, seguindo-o até um grande buraco na terra. Ela o vê sair por uma porta minúscula, cuja maçaneta falante a aconselha a encolher até a altura apropriada bebendo de uma garrafa escrita "beba-me". Ela o faz e atravessa pelo buraco da fechadura em um mar produzido de suas próprias lágrimas após chorar depois que ela come uma bolacha escrita "coma-me", que a fez crescer muito a ponto de bater a cabeça no teto, machucando-se. Enquanto ela continua a seguir o Coelho, ela encontra vários personagens, como Tweedledee e Tweedledum, que contam a história da Morsa e do Carpinteiro.
Alice persegue o Coelho até sua casa; ele a confunde com sua empregada, Mariana, e a manda buscar suas luvas. Enquanto procurava as luvas na casa do Coelho, Alice encontra e come outro doce escrito "coma-me" e fica grande novamente, ficando presa na casa. Pensando que ela era um monstro, o Coelho pede ao Dodô ajuda para expulsá-la. Quando o Dodô sugere incendiar a casa, Alice foge comendo uma cenoura do jardim do Coelho, o que a faz encolher para sete centímetros de altura. Após escapar da casa, ela continua a seguir o Coelho e encontra um jardim de flores falantes que inicialmente a recebe alegremente com uma música, mas depois faz comentários depreciativos sobre sua aparência e a manda embora. Alice então encontra uma Lagarta, que fica furiosa com Alice depois que ela reclama de seu pequeno tamanho, que é o mesmo da Lagarta; a Lagarta então se transforma em uma borboleta e voa para longe. Antes de partir, a Lagarta aconselha Alice a comer um pedaço de um lado do cogumelo em que estão para mudar de tamanho. Ela o faz e retorna à sua altura original, continuando sua perseguição ao Coelho.
Na floresta, Alice encontra o Gato de Cheshire, que a aconselha a visitar o Chapeleiro Doido e a Lebre de Março para descobrir a localização do Coelho. Ela encontra ambos, juntamente com Leirão, um rato sonolento. Durante o chá na mesa deles, todos celebram o seus "desaniversários" e o Chapeleiro e a Lebre pedem à Alice que conte como ela foi parar ali; Alice tenta, mas sempre é interrompida pelos dois com suas loucuras e lógicas absurdas. Quando ela decide ir embora, o Coelho aparece, continuando a exclamar que está atrasado; o Chapeleiro interrompe a corrida do Coelho para examinar o relógio de bolso dele e diz que o mesmo está "atrasado dois dias" e tenta "consertá-lo" enchendo-o com manteiga e chá e acaba destruindo-o depois de declarar que está "louco". O Coelho lamenta que aquele relógio tenha sido seu "presente de desaniversario" e o Chapeleiro e a Lebre cantam a "Canção do Desaniversário" para o Coelho antes de finalmente o liberar em sua corrida apressada pela floresta. Farta das loucuras da Lebre e do Chapeleiro, Alice decide voltar para casa, mas ela se perde no meio da floresta. Temendo estar perdida para sempre, ela se senta em uma rocha aos prantos.
O Gato de Cheshire reaparece e aconselha Alice a pedir à Rainha de Copas ajuda para voltar para casa, mostrando a ela um "atalho" para o castelo do singelo Rei e da Rainha tirânica. Ao chegar lá, a Rainha ordena que um trio de jardineiros em forma de cartas de baralho sejam decapitados por terem colhido erroneamente rosas brancas em vez de vermelhas e tentarem pintá-las para enganar a Rainha. Após conhecer Alice, a Rainha a convida para uma partida de croqué, na qual são utilizados flamingos vivos como tacos, guardas-cartões como balizas e um ouriço como bola; os "equipamentos" facilitam o jogo a favor da Rainha. Só que o Gato aparece novamente e prega uma peça na Rainha, fazendo-a tropeçar, desaparecendo logo em seguida a tempo de fazer parecer que Alice é a que fez cair, mas antes que a Rainha possa ordenar sua decapitação, o Rei sugere um julgamento.
No julgamento de Alice, o Chapeleiro Doido, a Lebre de Março e o Leirão são chamados a depor como testemunhas, celebrando bobamente o desaniversário da Rainha e dando a ela uma coroa de presente, que se transforma no Gato. O caos se instala quando Leirão, assustado quando Alice aponta para o Gato, corre pelo tribunal. Irritada, a Rainha ordena a execução de Alice, mas a menina come um pedaço do cogumelo da Lagarta que ela havia guardado no bolso e fica grande novamente; o Rei e a Rainha ordenam que ela deixe o tribunal, mas ela se recusa e a insulta. Ao fazer isso ela retorna ao seu tamanho normal e a Rainha ordena novamente sua decapitação. Alice foge e a Rainha, o Rei, os guardas de cartas e os outros personagens a perseguem. Quando Alice chega à pequena porta com a fechadura falante que conheceu primeiro, o objeto mostra que ela já está do lado de fora, dormindo, revelando que tudo era um sonho; Alice grita consigo mesma para tentar acordar e no último instante desperta se encontrando com sua irmã novamente e vai embora com ela do bosque onde estavam estudando para tomar chá.
Elenco
Kathryn Beaumont como Alice Ed Wynn como o Chapeleiro Maluco Jerry Colonna como a Lebre de Março Richard Haydn como Absolem Sterling Holloway como o Gato de Cheshire Verna Felton como a Rainha de Copas J. Pat O'Malley como os irmãos Tweedledee e Tweedledum, a Morsa, o Carpinteiro e o Dodô Heather Angel como a irmã mais velha de Alice Joseph Kearns como a maçaneta falante Larry Grey como o lagarto Bill e um dos jardineiros-cartas pintores Queenie Leonard como a pássaro que cuida de seus ovos numa árvore Dink Trout como o Rei de Copas Doris Lloyd como a Rosa Jimmy MacDonald como Leirão e alguns flamingos Thurl Ravenscroft, Bill Lee, Max Smith e Bob Hamlin como os outros jardineiros-cartas pintores Don Barclay como os outros cartas-soldados Lucille Bliss como o girassol e a tulipaVoice Chasers Pinto Colvig como alguns flamingos Norma Zimmer como a Rosa Branca
Diretores de animação Os animadores diretores foram: Marc Davis (Alice e a criatura dos óculos) Milt Kahl (Dodô, Alice, Flamingo, Ouriço e Coelho Branco) Eric Larson (Alice, Dinah, Lagarta, Gato de Cheshire, Rainha de Copas, Flamingo) Frank Thomas (maçaneta, Rainha de Copas e as criaturas do País das Maravilhas) Ollie Johnston (Alice, Rei de Copas) Ward Kimball (Tweedledee e Tweedledum, a Morsa e o Carpinteiro, as ostras, Gato de Cheshire, Chapeleiro Doido, Lebre de Março, Leirão) John Lounsbery (as flores, Lagarta, Gato de Cheshire, Chapeleiro Doido, Lebre de Março e as criaturas do País das Maravilhas) Wolfgang Reitherman (Coelho Branco, Carpinteiro, Dodô, Chapeleiro Doido e Lebre de Março) Les Clark (Alice e as criaturas do País das Maravilhas) Norm Ferguson (a Morsa e o Carpinteiro)
Produção Desenvolvimento thumb|left|Alice como mostrada no trailer do filme Walt Disney estava familiarizado com os livros de Lewis Carroll sobre Alice, Alice no País das Maravilhas (1865) e Through the Looking-Glass (1871), uma vez que os havia lido quando menino.
Em 1923, Disney era um aspirante a cineasta aos vinte e um anos que trabalhava no Laugh-O-Gram Studio em Kansas City, fazendo a fracassada série de curtas-metragens com o nome de Newman Laugh-O-Grams. O último episódio desta série de curtas foi chamado de Alice's Wonderland, que foi vagamente inspirado nos livros de Alice. O curta apresentava uma garota em carne e osso (Virginia Davis) interagindo com um mundo animado. Enfrentando problemas de negócios, no entanto, o Laugh-O-Gram Studio foi à falência em julho de 1923 e o filme nunca foi lançado para o público em geral. No entanto, Disney partiu para Hollywood e usou o curta para mostrar a distribuidores em potencial. Margaret J. Winkler, da Winkler Pictures, concordou em distribuir uma série a ser produzida por Disney que seria baseada na personagem chamada Alice Comedies, e Disney fez parceria com seu irmão mais velho, Roy O. Disney recontratando colegas de trabalho de seu antigo estúdio no Kansas City, incluindo Ub Iwerks, Rudolph Ising, Friz Freleng, Carman Maxwell e Hugh Harman para formar a Disney Brothers Studios, que mais tarde foi rebatizada como Walt Disney Productions. A série de curtas começou em 1924 e foi encerrada em 1927.
Em 1933, a Disney considerou fazer uma versão em longa-metragem de animação e live-action de Alice, estrelada por Mary Pickford. No entanto, esses planos foram eventualmente rejeitados para priorizar a realização de Branca de Neve e os Sete Anões, além do fato da Disney ter sido desestimulada pela adaptação em live-action da Paramount em 1933, Alice in Wonderland. No entanto, Walt Disney não abandonou completamente a ideia de adaptar Alice e em 1936 realizou o curta animado Thru the Mirror, que era uma paródia da história de Alice estrelado por Mickey Mouse.
Em 1938, após o enorme sucesso de Branca de Neve, os estúdios Disney comprou os direitos do livro Alice no País das Maravilhas com as ilustrações de John Tenniel e registrou oficialmente o título na Motion Picture Association of America. O estúdio então contratou o artista de storyboard Al Perkins e o diretor de arte David S. Hall para desenvolver a história e a arte conceitual do filme. Um rolo de história foi concluído em 1939, mas Disney não gostou; ele sentiu que os desenhos de Hall se assemelhavam aos desenhos de Tenniel, tornando-os muito difíceis de animar e que o tom geral do roteiro de Perkins era muito grotesco e escuro. Percebendo a quantidade de trabalho necessária para realizar Alice no País das Maravilhas e com a devastação econômica causada pela Segunda Guerra Mundial, além das demandas de produção de Pinóquio, Fantasia e Bambi, a Disney decidiu engavetar a produção de Alice.