Adocracia, também utilizado como Adhocracia, é um termo traduzido do inglês Adhocracy, que deriva da junção de “ad hoc” (do latim, que significa “para esta finalidade”) com o sufixo grego “cracia” (do grego, poder ou governo) que pode ser entendido como "governo para uma finalidade específica".

Adocracia pode ser entendida como uma filosofia ou estilo organizacional caracterizado por comportamento adaptativo, criativo e integrativo que (em contraste com um estilo burocrático) é flexível e não permanente e que, portanto, pode responder mais rapidamente a um ambiente em constante mudança. Ao invés de uma hierarquia rígida e burocrática, as empresas que utilizam a adocracia como modelo se organizam em times multidisciplinares com “poder” para tomar decisões rápidas para atingir objetivos específicos.

A origem do termo é atribuída à Warren Bennis, no seu livro de 1968 "The Temporary Society". Porém alguns autores mencionam também que o uso do termo foi disseminado em 1968 por meio de Mintzberg e popularizado por Alvin Toffler no livro de 1970 O Choque do Futuro (Future Shock).

A adocracia é caracterizada por uma estrutura orgânica, um baixo grau de formalização, um alto grau de especialização horizontal do trabalho com base em treinamento formal e competência especializada. A coordenação e a gestão caracterizam-se por uma tomada de decisão descentralizada em grau relativamente elevado e pela adaptação mútua ao nível do grupo de projeto, em vez do controlo centralizado.

Origens do termo Segundo Gareth Morgan, o termo Adocracia foi cunhado por Warren Bennis, para caracterizar organizações que são por definição temporárias, e aproxima-se da forma de organização orgânica de Tom Burns e G. M. Stalker.

Segundo Mats Alvesson, o conceito de adocracia como descrição de um certo tipo de organização foi lançado por Mintzberg (1983), que, por sua vez, o tomou emprestado de outros autores.

Visão geral Robert H. Waterman, Jr. definiu a adhocracia como "qualquer forma de organização que atravesse as linhas burocráticas normais para capturar oportunidades, resolver problemas e obter resultados".  Para Henry Mintzberg, uma adhocracia é uma forma organizacional complexa e dinâmica.  É diferente de burocracia; como Toffler, Mintzberg considera a burocracia uma coisa do passado e a adhocracia uma coisa do futuro. Quando bem feita, a adhocracia pode ser muito boa na solução de problemas e inovações e prospera em um ambiente diversificado. Requer sistemas técnicos sofisticados e muitas vezes automatizados para se desenvolver e prosperar. Acadêmicos descreveram a Wikipedia como uma adocracia.

De acordo com Chiavenato, a adhocracia como uma trajetória gradativa de desadministração das organizações, com o intuito de liberá-las de burocracias, com estruturas flexíveis, orgânicas e mutáveis, que se moldam de acordo com as necessidades e desenvolvimento das condições ambientais externas.

Nesta mesma linha de raciocínio, Rebouças define o conceito enquanto uma estrutura flexível e antiburocrática, na qual se formam equipes multidisciplinares para solução rápida de problemas complexos e não programados previamente, seguindo a ideia de uma war room militar.

Segundo Alvin Toffler, a adhocracia ou "adocracia" é um sistema temporário variável e adaptativo, organizado em torno de problemas a serem resolvidos por grupo de pessoas com habilidade e profissões diversas e complementares. Constitui-se em uma opção à tradicional Departamentalização.

O termo teve origem nas “forças-tarefas” (task-forces) militares para enfrentar situações de forma rápida.

Toffler estabeleceu que no futuro a sociedade será extremamente dinâmica e mutável e que as organizações que quiserem sobreviver terão que ser inovadoras, temporárias, orgânicas e antiburocráticas.

Outras referências definem o termo como a organização baseada em projetos, uma alternativa para a antiga Organização Departamental (baseada na divisão racional do trabalho) e para a intermediária Organização Matricial (que juntaria elementos da Departamentalização com a Gerência de Projetos).

A característica central da adhocracia são os grupos e equipes cooperativos que resolvem problemas e desempenham o trabalho. As posições e as tarefas não são permanentes e as formas organizacionais são livres.

Características

Adocracia é uma forma altamente adequada para o desempenho de atividades complexas e incertas em ambientes turbulentos.

A adhocracia frequentemente envolve equipes de projeto que se formam para desempenhar uma atividade, desaparecendo quando esta termina e os seus membros se reagrupam em outras equipes dedicadas a outros projetos.

As adhocracias atualmente proliferam em empresas inovadoras, nas indústrias aeroespacial e eletrônica, bem como em todos os tipos de companhias orientadas por projetos, tais como firmas de consultoria, agências de propaganda e indústria cinematográfica.

Algumas características da definição de Mintzberg incluem:

estrutura altamente orgânica pouca formalização do comportamento especialização do trabalho não necessariamente baseada em treinamento formal uma tendência de agrupar os especialistas em unidades funcionais para fins de limpeza, mas implantá-los em pequenas equipes de projeto baseadas no mercado para fazer seu trabalho uma dependência de dispositivos de ligação para incentivar o ajuste mútuo dentro e entre essas equipes baixa ou nenhuma padronização de procedimentos papéis não claramente definidos descentralização seletiva a organização do trabalho assenta em equipas especializadas power-shifts para equipes especializadas especialização de trabalho horizontal alto custo de comunicação cultura baseada no trabalho não burocrático

Todos os membros de uma organização têm autoridade dentro de suas áreas de especialização, e em coordenação com outros membros, para tomar decisões e tomar ações que afetem o futuro da organização. Há uma ausência de hierarquia.

De acordo com Robert H. Waterman Jr., "As equipes devem ser grandes o suficiente para representar todas as partes da burocracia que serão afetadas por seu trabalho, mas pequenas o suficiente para realizar o trabalho com eficiência".

Problemas As desvantagens das adocracias podem incluir "ações incompletas", problemas de pessoal decorrentes da natureza temporária da organização, extremismo nas ações sugeridas ou realizadas e ameaças à democracia e à legalidade decorrentes do perfil geralmente discreto da adocracia. Para resolver esses problemas, pesquisadores em adocracia sugerem um modelo que funde adocracia e burocracia, a burocracia-adocracia.

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