A SP-171 é uma estrada de rodagem do Brasil e está sob a jurisdição do estado de São Paulo, conectando o Vale do Paraíba ao litoral norte paulista e à baixada sul fluminense.“Mapa das rodovias sob concessão”. (em PDF)ARTESP. Possui duas denominações oficiais que homenageiam figuras históricas da região: Rodovia Paulo Virgínio (do km 0 ao km 47),“Dá a denominação de ‘Paulo Virgínio’ à rodovia...”. ALESP. em memória ao lavrador Paulo Virgínio, o qual tornou-se mártir e herói civil da Revolução de 1932, e Rodovia Vice-prefeito Salvador Pacetti (do km 47 ao km 70), “Dá a denominação de ‘Salvador Pacetti’ à rodovia...”. ALESP. farmacêutico que atuou na segurança, saúde e política pública de Cunha. Em setenta quilômetros de extensão,“Divisão Regional de Taubaté (pág. 5)”.(em PDF) DER-SP. a SP-171 liga a Via Dutra (BR-116), em Guaratinguetá (SP), ao centro do município de Cunha (SP) e à Via Rio-Santos (BR-101), em Paraty (RJ), através de sua extensão fluminense, alongando-se por mais vinte e um quilômetros, como RJ-165.“RJ-165”. Revista Transportes. Atualmente, todo o seu trajeto é administrado pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo (DER-SP).“Pesquisa de Rodovias”. DER-SP.
Após a inauguração da Estrada Parque Comendador Antônio Cônti (como é denominada oficialmente a RJ-165), em 2017, o seu percurso está completamente integrado à rota federal da BR-459.“BR-459”. Ministério dos Transportes. O sentido rodoviário (isto é, a contagem quilométrica) corre de norte a sul e atravessa as localidades geográficas de Paraitinga e Paraibuna, posicionadas no alto da bacia hidrográfica do rio Paraíba.“Atlas socioambiental de Cunha SP (pág. 9)”. USP. Após a passagem pelo bairro cunhense do Taboão, o último quilômetro (km 70) converte-se no km 21 da RJ-165, e a contagem passa a ser regressiva até a rotatória da Via Rio-Santos, concluindo a rota de conexão.
Essa estrada de rodagem oferece acesso a áreas de preservação ambiental importantes, como os parques das serras do Mar“Núcleo Cunha”. PESM. e da Bocaina.“Parque Nacional da Bocaina”. ICMBio. Interliga também sítios e lugares que compõem o patrimônio cultural e histórico brasileiro. Seu traçado é antigo e remonta ao período quando o país pertencia ao Reino de Portugal: a partir de uma trilha dos guaianases, tornou-se a bifurcação sul do Caminho de São Paulo (chamado também de Caminho Geral do Sertão) e era parte do Caminho do Ouro (conhecido também como Caminho Velho), uma das Estradas Reais da Colônia.“História da Estrada Real”. IdasBrasil.
Seu percurso, aberto em 1597 por Martim de Sá,“História”. Prefeitura de Cunha. fez parte da rota da primeira estrada de longa distância do Brasil (inaugurada em 1697 sob o reinado de Pedro II de Portugal (23.º rei português), conectando Paraty a Ouro Preto (MG) ao longo de setecentos e dez quilômetros: contudo, havia características rudimentares (como uma trilha bem estruturada), servindo apenas ao trânsito de viajantes a pé, a cavalo ou com veículos de tração animal.“O Caminho do Ouro foi a primeira via...”. Pôr do Sol Paraty. Já a primeira rodovia pavimentada, projetada desde o início para o tráfego motorizado, foi a Estrada União e Indústria, inaugurada em 1861 por Pedro II do Brasil; ela ligava Petrópolis (RJ) a Juiz de Fora (MG) em uma extensão de cento e quarenta e quatro quilômetros.“Primeira rodovia pavimentada da América Latina...”. DNIT. A primeira viagem documentada de um veículo a motor desde Guaratinguetá até Paraty ocorreu somente em 1932, pelo doutor Eduardo Pompéia Vasconcellos (engenheiro responsável pelos projetos para modernizar o percurso que deram a atual característica itinerária da SP-171 e da RJ-165).“A chegada do 1.º automóvel em Paraty”. Casa da Cultura de Paraty.
Hoje, é a principal estrada de rodagem de Cunha e é também a maior via pública do município: são aproximadamente cinquenta quilômetros dentro do território cunhense desde o limite com Guaratinguetá (chamada popularmente apenas de “Guará”)“Conheça o Município Turístico de Guaratinguetá”. GovSP. até a divisa com o estado do Rio de Janeiro. A ela é atribuído o seguinte número de Código de Endereçamento Postal (CEP): 12530-000.“CEP de Cunha (SP)”. SuperCEP. Já em Guará, são atribuídos os CEPs n.º 12503-021 (nos primeiros quilômetros da via, quando passa pelo bairro da Pedreira)“Rodovia Paulo Virgínio — Pedreira, Guaratinguetá, SP”. RuaCEP. e n.º 12503-790 (próximo ao limite municipal, quando passa pelo bairro da Rocinha).“Rodovia Paulo Virgínio — Rocinha, Guaratinguetá, SP”. RuaCEP. Na outra direção, após a divisa, obtém o CEP n.º 23970-000.“CEP da RJ-165 / Paraty (RJ)”. Cybo.
Desenvolvimento
Além do trajeto principal, quando a SP-171 era ainda toda de terra (sem uma pavimentação feita de asfalto), havia outros caminhos e poucas informações para aqueles que transitavam entre o litoral e o interior do continente. Para facilitar e melhorar o trajeto, uma obra do governo do estado de São Paulo foi realizada para asfaltar o trecho entre a Via Dutra (BR-116), em Guaratinguetá, e o centro da cidade de Cunha. Com a Lei estadual paulista n° 1.585, de 17 de abril de 1978, o 1.º trecho da via passou a ser denominado oficialmente Rodovia Paulo Virgínio, em homenagem ao herói civil durante a Revolução Constitucionalista de 1932. Em 1984, o governo paulista concluiu a obra até a divisa estadual, no alto da Serra da Bocaina: esse 2.º trecho, com a Lei estadual n° 4.337, de 30 de outubro de 1984, passou a ser oficialmente chamado de Rodovia Vice-prefeito Salvador Pacetti, em homenagem ao farmacêutico ítalo-brasileiro que contribuiu com a construção da cidade de Cunha e ajudou a população local, colaborando com os setores de segurança e de saúde do município.
Dentro do território fluminense, o percurso rodoviário estende-se por mais vinte e um quilômetros com a classificação de RJ-165 e está sob jurisdição do estado do Rio. A extensão fluminense é reconhecida de acordo com a Lei estadual fluminense n° 7.556-2017 e recebe a denominação Estrada Parque Comendador Antônio Cônti. A RJ-165 conecta-se no km 70 e segue integralmente dentro do Parque Nacional da Serra da Bocaina até o centro da cidade de Paraty. O calçamento desse terceiro trecho, concluído em 2016 e formalizado em 2017 com a referida legislação,“Artigo 1.º da Lei Estadual n.º 7556 de 2017” JurisHand representou o cumprimento do governo fluminense a um acordo feito em 1954 com o estado de São Paulo para pavimentar todo o percurso desde Guaratinguetá até o litoral. O estado paulista cumpriu sua parte do acordo em 1984.
Por ser o principal acesso ao sul de Guaratinguetá e ao município de Cunha, essa estrada de rodagem possui trânsito intenso (com um volume diário médio (VDM) de aproximadamente dez mil carros, calculado pelo DER entre 2020 e 2023). Os congestionamentos são mais comuns em dias de tradicionais festividades folclóricas na região. O trecho Guaratinguetá-Cunha é o mais movimentado e o mais desenvolvido. Por causa do incidente ocorrido em 30 de dezembro de 2010 (do desmoronamento da pista que causou seu bloqueio total), o percurso da Serra do Quebra Cangalha (entre o km 12 e o km 19) foi duplicado em alguns pontos. Outras obras de recuperação e reparos foram também concluídas.
Em novembro de 2011, o governo do estado investiu em infraestrutura, sobretudo para prevenção de catástrofes decorrentes de fenômenos naturais e para oferecer maior segurança aos viajantes. Atualmente, a SP-171 (junto com a RJ-165) constitui o último ramal rodoviário da rota federal da BR-459, compreendendo uma linha viária interestadual de longa distância entre os municípios de Poços de Caldas (MG), Lorena (SP) (conectada pela BR-459), Guaratinguetá (conectada pela BR-116), Cunha (conectada pela SP-171), Paraty (conectada pela RJ-165) e Angra dos Reis (RJ) (conectada pela BR-101).
O marco inicial (km 0) da SP-171 encontra-se logo após a rotatória rodoviária com a Via Dutra, em Guaratinguetá. Do ponto inicial, segue pela zona rural, no sentido sul, para o litoral. No km 20, há uma rotatória com a Rodovia João Martins Corrêa (SP-153). E, dois quilômetros adiante, atravessa o limite de municípios entre Guaratinguetá e Cunha. Entre os quilômetros 44 e 48, a estrada passa dentro do perímetro urbano de Cunha. A partir do km 48, o terreno fica mais sinuoso, oferecendo um percurso com alto grau de declives e aclives. No km 56, oferece acesso ao Núcleo Cunha-Indaiá do Parque Estadual da Serra do Mar (iniciando o trecho dentro da reserva florestal do estado) e, após quinhentos metros, há um acesso ao bairro da Paraibuna. No km 66, encontra-se o acesso por terra que se conecta ao mirante da Pedra da Macela, um dos pontos mais elevados da Serra da Bocaina. No km 70, já dentro do território do Parque Nacional da Serra da Bocaina, na divisa de estados, conecta-se diretamente com a RJ-165, conduzindo ao centro de Paraty e à conexão com a Via Rio-Santos.
São cerca de noventa quilômetros de extensão (se contada também a parte fluminense) em pista simples, duplicada em alguns pontos. A estrada de rodagem é completamente pavimentada, não possui praças de pedágio e o seu percurso serrano contorna poucas zonas urbanas e passa, na sua maior parte, por zonas rurais e de proteção ambiental. Por isso, os condutores devem estar atentos a possíveis travessias de animais e às condições do veículo, principalmente aos freios. O percurso possui uma considerável importância paisagística para o patrimônio natural, atraindo a atenção dos viajantes pelo seu trajeto serrano e por passar dentro de reservas florestais ainda intactas, sendo um caminho que leva a diversas trilhas, mirantes e cachoeiras.
Apesar de sua relevância histórica e turística, o percurso da SP-171 apresenta desafios estruturais contínuos, sendo classificado com geometria “regular” por pesquisas da Confederação Nacional do Transporte (CNT), feitas entre 2017 e 2024. Embora enfrente limitações, possui uma pavimentação boa, integrando um grupo seletivo de vias sob gestão direta do DER com esse nível de conservação. Esse desempenho misto reflete as dificuldades de um traçado antigo, muitas vezes implantado à meia encosta sobre rotas coloniais, cujas intervenções para retificação de curvas são limitadas por restrições ambientais.“Traçado é o principal problema das rodovias no Vale e região, diz CNT” G1 Mesmo situada em uma unidade federativa que investu mais de R$ 2 bilhões na malha rodoviária estadual em 2024, a estrada mantém seu padrão de avaliação intermediário,“Seis rodovias do DER-SP aparecem no ranking das 45 melhores do País” SP.gov.br recebendo melhorias constantes como, por exemplo, asfalto novo e a instalação de radares para controle de velocidade.“DER-SP ativa seis novos radares em rodovias do Vale do Paraíba” Band
Devido às rampas íngremes e curvas acentuadas no trajeto entre Cunha e Paraty, a circulação é restringida, desde 1986, pela Portaria n.º 44 da Superintendência do Departamento estadual (SUP/DER), que proíbe veículos com comprimento superior a treze metros ou peso acima de quinze toneladas.“Portaria SUP/DER-044” DER-SP O descumprimento dessa norma técnica resulta em incidentes operacionais graves que podem causar a obstrução temporária do fluxo viário no trecho da Serra da Bocaina: de fato, dois capotamentos sobre a pista foram registrados em 2016, com um ônibus fretado da Viação Emtram,“Ônibus tomba e fecha durante dia inteiro estrada que dá acesso a Paraty” G1 e em 2019, com um caminhão de carga.“Caminhão tomba e bloqueia os dois sentidos da estrada Paraty-Cunha” G1
Percurso