Françoise Forton Barata (nascida Françoise Forton; Rio de Janeiro, 8 de julho de 1957 – Rio de Janeiro, 16 de janeiro de 2022) foi uma atriz brasileira. Artista profícua e de origem teatral, ficou conhecida por suas interpretações marcantes na televisão, onde se destacou por sua versatilidade. Forton é ganhadora de vários prêmios, incluindo o Candango de Melhor Atriz do Festival de Brasília e um Prêmio FITA de Teatro.
Ainda criança fez sua estreia nos palcos do teatro, com a peça Os Pais Abstratos (1965), ao lado de preceptora Glauce Rocha. Estudou teatro e canto lírico em renomadas instituições no Brasil e em Londres. Em 1969 fez uma participação especial na novela A Última Valsa, marcando sua estreia na televisão. No entanto, alcançou maior notoriedade no papel de Estrada de Ferro, no clássico Fogo sobre Terra (1974). Françoise progrediu sua carreira protagonizando as novelas Cuca Legal (1975) e Estúpido Cupido (1976), esta última um grande sucesso popular que a consagrou.
Nos palcos esteve em destaque na peça A Venerável Madame Goneau (1974), seguida de atuações importantes em Revolta dos Perus (1984) e Electra (1987). Após um período longe da televisão, voltou a trabalhar em Bebê a Bordo (1988) e no ano seguinte destacou-se como antagonista em Tieta (1989). Forton consolidou-se nas telenovelas com papéis memoráveis, como a enigmática Marcela, em Meu Bem, Meu Mal (1990), a grande vilã Eugênia, em Explode Coração (1995), a fútil Meg, em Por Amor (1997), e a excêntrica Concheta, em Kubanacan (2003).
No SBT, atuou no elenco principal de Seus Olhos (2004) e Os Ricos Também Choram (2005). Transferiu-se em seguida para a RecordTV, com destaque em novelas como Cidadão Brasileiro (2006), Luz do Sol (2007), Promessas de Amor (2009) e Ribeirão do Tempo (2010). Recebeu o prêmio de Melhor Atriz na Festa Internacional de Teatro de Angra, por Chopin Sand? (2011). Em sua volta para a TV Globo, interpretou a socialite falida Gigi, em Amor à Vida (2013), a professora Isolda em I Love Paraisópolis (2015) e a solitária Emília, em Tempo de Amor (2017). Foi eleita Melhor Atriz no Festival de Brasília, com o elenco do filme Dulcina (2019), onde interpretou Dulcina de Moraes. Sua última telenovela foi Amor sem Igual (2019), na RecordTV, como Olympia.
Início de vida e formação artística Filha única de um engenheiro francês e de uma dona de casa brasileira, Françoise Forton nasceu no Rio de Janeiro em 8 de julho de 1957. Apesar de ser carioca de nascimento, mudou-se com a família para Brasília aos 5 anos de idade, vivendo na capital federal até os 17 anos, período que compreendeu toda a sua infância e adolescência. Durante esse período, desenvolveu uma conexão profunda com a nova capital, cidade que foi palco de importantes marcos em sua formação artística e cultural, especialmente entre as décadas de 1960 e 1970.
Ainda na infância, aos sete anos de idade, Françoise ingressou no universo teatral através do teatro amador com o Grupo Teatro Equipe de Brasília (TEB), liderado pelo diretor Donato Donati, apresentando-se em clássicos infantis na Escola Parque e autos de Natal nas cidades-satélites do Distrito Federal. Paralelamente, dedicou-se a uma formação artística ampla e diversificada: estudou balé clássico com a pioneira Norma Lillia — que posteriormente foi madrinha de seu primeiro casamento —, frequentou a Royal Academy of Dance, em Londres, e aprofundou seus estudos musicais, incluindo canto lírico e popular, na Universidade de Brasília (UnB). Também fez parte da geração pioneira de alunos que inaugurou as salas da Fundação/Escola de Teatro Dulcina de Moraes, consolidando sua ligação com o efervescente cenário cultural brasiliense.
Aos oito anos de idade, teve o seu primeiro papel de destaque no teatro profissional ao ser selecionada para o elenco da peça Os Pais Abstratos (de Pedro Bloch), encenada no Teatro Martins Penna. Foi nesta produção que conheceu a consagrada atriz Glauce Rocha, com quem dividiu o palco ao lado de nomes como Jorge Dória e Darlene Glória. A veterana atriz tornou-se uma figura determinante na trajetória de Françoise, atuando como sua mentora artística e tutora legal durante as férias escolares que a jovem passava no Rio de Janeiro. Ainda em Brasília, aos dez anos, a artista fez sua estreia no cinema gravando seu primeiro curta-metragem.
Aos 17 anos, impulsionada pelo desejo de expandir suas oportunidades profissionais no eixo Rio-São Paulo e evitar o que apelidava carinhosamente de "brasilite" (o comodismo de permanecer apenas na capital), decidiu retornar em definitivo para sua cidade natal. No Rio de Janeiro, viveu sob a tutela formal de Glauce Rocha, que a incentivou a buscar espaço na televisão, dando início imediato à sua duradoura trajetória nas telenovelas brasileiras.
Carreira
Início da carreira (1965—1976) Françoise iniciou sua trajetória artística em 1965, com apenas oito anos, na peça Pais Abstratos, e quatro anos mais tarde fez sua estreia na televisão com uma breve participação na telenovela A Última Valsa, de Glória Magadan, na TV Globo, interpretando Luna. Em 1970, fez sua estreia no cinema atuando em Marcelo Zona Sul, de Xavier de Oliveira. Poucos anos depois, em 1973, volta à televisão na primeira versão do seriado A Grande Família, onde interpretou uma namorada de Tuco, personagem do ator Luiz Armando Queiroz, no episódio "Infelizmente Minha Família É Legal". No mesmo ano, apareceu no programa humorístico Chico City, atuando com Chico Anysio, e na novela O Semideus, de Janete Clair, como Wanda.
Em 1974, conquistou maior notoriedade na televisão com a novela Fogo sobre Terra, dando vida à rebelde Estrada de Ferro, um papel que destacou sua versatilidade e abriu caminho para papéis de maior relevância. Sua personagem é a filha mais velha do personagem Quebra-Galho (Germano Filho), o qual tem filhos de nomes curiosos, incluindo ela, Ônibus (Ricardo Garcia) e Rodoviária (Isabela Garcia). Ela é revoltada pela promessa não cumprida de seu pai de que ela se casaria com um homem rico. Este ano ainda foi prolífico para a atriz no teatro, com a peça A Venerável Madame Goneau, e no cinema, com o filme Relatório de Um Homem Casado, onde interpretou Norma.
Em 1975 foi uma das protagonistas da novela Cuca Legal, de Marcos Rey, onde interpretou Virgínia, uma das três mulheres que o solteirão Mário Barroso (Francisco Cuoco) mantinha um relacionamento amoroso, ao lado ainda de Fátima (Yoná Magalhães) e Irene (Suely Franco). Sua personagem é uma jovem rica e empresária que tem como única preocupação manter os negócios do falecido pai, vivendo com sua mãe Kinu (Rosamaria Murtinho), que depois começa a se envolver com Mário, pretendente da filha. Ainda no mesmo ano, integrou o elenco da novela O Grito, onde interpretou Mariana, uma ativista engajada em causas sociais.
Em 1976 alcançou grande sucesso como protagonista de Estúpido Cupido, novela ambientada nos anos 1960. Sua personagem, Maria Tereza, era uma jovem que morava na pequena cidade de Albuquerque, uma sonhadora que almejava ser Miss Brasil, enfrentando os ciúmes do namorado João (Ricardo Blat). O sucesso da produção foi enorme e, um mês após a estreia, ela conta que já não podia sair às ruas. Foi também a última novela produzida em preto e branco na história da teledramaturgia brasileira. Após o término da novela, Françoise afastou-se da televisão por sete anos.
Retorno à carreira (1983—1994) miniaturadaimagem|260x260px|Françoise em 1993 Em 1983, após um hiato em sua carreira, assinou com a Band TV e atuou na telenovela Sabor de Mel, de Jorge Andrade, interpretando Rebeca, uma das moças que disputam o amor de Guilherme (Flávio Galvão) com Laura (Sandra Bréa) e Luba (Mila Moreira). No mesmo ano, na mesma emissora, ela entra para o elenco do seriado Casa de Irene, estrelada por Nair Bello, onde interpretou Gina, uma feminista que sempre acusa os homens dos problemas do mundo. Nesta retomada, Françoise também voltou ao teatro com a peça Um, Dois, Três, Quem Quiser Conte Outra Vez, de Hugo Rodas.
Nos anos seguintes, dedicou-se ao teatro com atuações de destaque nas peças A Revolta dos Perus (1984), Hamleto (1984), A Serpente (1984) e Electra (1987). Em 1988, atua no filme de drama Jardim de Alah e, após cinco anos afastada, retorna à televisão na novela Bebê a Bordo, de Carlos Lombardi, retomando contrato com a TV Globo depois de doze anos do fim de Estúpido Cupido, em 1976. Na trama, interpretou a sensual Glória, uma das filhas de Branca (Nicette Bruno), lado dos irmãos Tonico (Tony Ramos) e Ester (Patrícya Travassos). Sua personagem é recém separada do marido e é uma mulher dependente, necessitando sempre de alguém à sua volta.
Em 1989, foi escalada para um dos maiores sucessos da televisão brasileira, Tieta, de Aguinaldo Silva. Na trama, interpretou Helena, uma vilã fria e calculista, casada com Ascânio (Reginaldo Faria). Em Meu Bem, Meu Mal (1990), de Cassiano Gabus Mendes, viveu a enigmática Marcela, a esposa do protagonista Ricardo Miranda que é dada como morta mas na verdade estava internada por problemas psicológicos. Restabelecida, ela reaparece com intenção de salvar seu casamento. Em 1991, retorna aos palcos na peça Toda Donzela Tem Um Pai que É Uma Fera.
Em Perigosas Peruas (1992), outra parceria com Carlos Lombardi, interpretou Caroline, uma das personagens principais. Sua personagem é uma esteticista, filha de Vivian (Nicette Bruno) e irmã de Téia (Bianca Byington). Insuportável, ambiciosa e ardilosa, ela demonstra uma forte sensação de incapacidade para alcançar seus objetivos por conta própria. Casada com Paulinho Pamonha (Tato Gabus), torna a vida do marido um verdadeiro tormento com suas atitudes manipuladoras e conflituosas.
Em Quatro por Quatro (1994), foi a enfermeira frustrada Clarisse Pereira, contracenando com Rômulo Arantes. A enfermeira é casada com Pedrão (Arantes) e mãe de Daniela (Karla Muga) e Eugênio (Diogo Larrea). Apesar de ainda nutrir sentimentos pelo marido, ela se sente desiludida com sua falta de ambição e perspectivas. Uma mulher marcada pela insatisfação, vive imersa em uma profunda infelicidade que reflete em suas relações familiares.
Atriz consolidada (1995—2003) O papel de Eugênia Avelar em Explode Coração (1995) representou um marco significativo na carreira de Françoise Forton. Na trama de Gloria Perez, Eugênia é a sofisticada e ardilosa antagonista. Prima de Vera (Maria Luisa Mendonça), ela guarda um rancor enraizado desde a juventude. Durante os tempos de colégio, Eugênia convidava Júlio (Edson Celulari) para sessões de estudo, o que levou à aproximação dele com Leandro Avelar (Odilon Wagner) e, consequentemente, ao casamento de Júlio com Vera. Inteligente e requintada, Eugênia jamais aceitou essa união. Embora seja vista por Vera como sua melhor amiga, ela trama incansavelmente para conquistar o marido da prima, personificando a intriga e o desejo incontrolável de manipular seu entorno.
No ano seguinte, destacou-se na novela espírita Anjo de Mim como Renata Monterrey, uma mulher de elegância natural e personalidade cativante. Esposa de Marco Monterrey (Herson Capri) e mãe de Elvira (Paloma Duarte) e Nando (Márcio Garcia), Renata é um exemplo de equilíbrio e finesse. Embora tenha origem de classe média, sua educação em boas escolas e a convivência em ambientes refinados moldaram seu gosto apurado e sua cultura geral. Alegre, esportiva e agradável no trato, mantém uma relação harmoniosa com a família e se destaca como uma parceira dedicada. No entanto, ainda saboreia discretamente a vitória de ter conquistado Marco em uma antiga disputa com sua amiga Joana (Helena Ranaldi).