Romancista é um autor ou escritor de romance, mesmo que muitas vezes os romancistas também escrevam livros de outros gêneros literários, de ficção e não-ficção. Alguns romancistas são escritores profissionais do gênero, tendo como meio de vida escrever romances, e outras ficções, mas também há romancistas que escrevem como forma de se expressar.

Lançar o romance de estreia é um marco para o romancista.

Descrição A recepção dos leitores, e a crítica literária, ligam muitos romancistas a suas experiências de vida, associando a obra, ou personagem, ao autor. Leitores, e a crítica literária, podem associar o conteúdo ficcional de um romance a vida pessoal e identidade do autor. Por essa razão, o ambiente criado pelo romancista em sua obra, e a recepção de seus romances, podem ser influenciados por sua origem ou identidade. Da mesma forma, alguns romancistas adquirem identidades derivadas do foco de suas criações em diferentes gêneros de ficção, como crime, romance ou romances históricos .

Romancistas e críticos atribuem uma responsabilidade e função social aos escritores de romances, que podem variar entre representar a realidade, e propagar uma ideia.

Etimologia Romancista é um termo derivado de "romance", que se refere ao "escritor de romances". O Oxford English Dictionary apresenta outras definições de romancista, tendo aparecido pela primeira vez nos séculos XVI e XVII para se referir a "um inovador (em pensamento ou crença); alguém que introduz algo novo ou que favorece a novidade", ou "uma pessoa inexperiente; um novato." No entanto, o OED atribui o significado contemporâneo primário de "um escritor de romances" como aparecendo pela primeira vez no livro, de 1633, "", de C. Farewell, citando a passagem . ("É uma visão agradável (à distância) observar a ordem de seus Vagões e Carruagens…Como se (apresentado a um romancista) houvesse no vagão com os saqueadores alguma Conquista em estar à frente dos Prisioneiros, ou uma preparação para alguma triste Execução". De acordo com o Google Ngrams Viewer, o termo romancista aparece pela primeira vez no banco de dados do Google Books em 1521.

Processo, publicação e profissão miniaturadaimagem|250x250px| A máquina de escrever Underwood Universal Portable de William Faulkner em seu escritório em Rowan Oak, que agora é mantido pela Universidade do Mississippi, em Oxford, como um museu. A diferença entre romancistas profissionais e amadores é a forma como publicam suas obras. Muitas pessoas adotam a escrita de romances como hobby, mas as dificuldades de distribuir obras ficcionais em grande escala impede a divulgação dos romances. Depois que os autores concluem um romance, eles geralmente tentam publicá-lo. O mercado editorial exige que os romances tenham nichos lucrativos acessíveis, portanto, muitos romancistas se auto publicam para contornar as dificuldades de serem publicados por uma editora. A auto publicação tem sido uma opção para os escritores, que utilizam o serviço de editoras para imprimir livros autofinanciados. Nesse cenário, ao contrário do mercado editorial tradicional, as atividades legadas a uma editora, como a distribuição e promoção do livro, passam a ser de responsabilidade do autor. O crescimento da Internet, e dos livros eletrônicos, tornou a auto publicação mais barata e uma forma possível para os autores obterem renda.

Os romancistas aplicam métodos diferentes para escrever seus romances, se valendo de uma variedade de abordagens para inspirar a criatividade. Algumas instituições incentivam escritores amadores a praticar a escrita de romances para desenvolver essas técnicas, que variam de autor para autor. Por exemplo, o grupo baseado na Internet, National Novel Writing Month, incentiva as pessoas a escrever romances de 50 000 palavras, no mês de novembro, para dar aos romancistas a prática de concluir suas obras. No evento de 2010, mais de 200 000 pessoas participaram — escrevendo um total de mais de 2,8 bilhões de palavras.

Idade e experiência Muitos romancistas publicam seus primeiros romances numa fase mais madura da vida. No entanto, alguns começam a escrever ainda jovens. Por exemplo, Iain Banks (1954–2013), começou a escrever aos onze anos, e aos dezesseis finalizou seu primeiro romance, "The Hungarian Lift-Jet", sobre traficantes de armas internacionais."Doing the Business: Iain Banks", The Guardian, Saturday 7 August 1999. Apesar disso, ele tinha trinta anos quando publicou seu primeiro romance, em 1984, o controverso The Wasp Factory. O sucesso deste romance permitiu que Banks se tornasse um romancista em tempo integral. Frequentemente, a juventude de um escritor importante, mesmo que não seja publicada, é valorizada pelos estudiosos porque fornece uma visão da biografia de um autor, além de referenciar a abordagem de sua escrita. Por exemplo, a juventude da família Brontë, que retrata seu mundo imaginário em Gondal, atualmente na Biblioteca Britânica, forneceu informações importantes sobre seu desenvolvimento como escritor.

Ocasionalmente, os romancistas publicam o primeiro romance ainda na adolescência. Um exemplo é Patrick O'Brian, que publicou Caesar: The Life Story of a Panda-Leopard, aos quinze anos, o que lhe rendeu uma considerável atenção da crítica. Da mesma forma, The House Without Windows, de Barbara Newhall Follett, foi aceito e publicado pela editora A. A. Knopf, em 1927, quando ela tinha treze anos, tendo sido aclamado pela crítica do New York Times, do Saturday Review e por H. L. Mencken. Em alguns casos, essas obras também alcançaram sucesso popular. Como exemplo pode-se citar Eragon, de Christopher Paolini, publicado quando ele tinha quinze anos. Embora não tenha recebido boas críticas, sua popularidade entre os leitores o colocou na lista dos livros infantis mais vendidos do New York Times por 121 semanas.

Os romancistas iniciantes, de qualquer idade, muitas vezes não conseguem publicar suas obras, devido a uma série de razões, que vão da inexperiência do autor às realidades econômicas das editoras. Frequentemente, os autores precisam encontrar pessoas que os ajudem no mercado editorial, geralmente agentes literários, para publicar com sucesso seus romances de estreia. Às vezes, novos romancistas se auto publicam, porque as editoras são cautelosas em investir em livros de um autor desconhecido para o público.

Devido à dificuldade de publicar o primeiro romance, especialmente em uma idade jovem, há uma série de prêmios para romancistas jovens e estreantes, que destacam trabalhos excepcionais de autores novos e/ou jovens. miniaturadaimagem| O romancista James Patterson, um dos romancistas contemporâneos de maior sucesso financeiro, tendo faturado US$ 70 milhões em 2010.

Renda miniaturadaimagem| O romancista Shawn Wong, trabalhando em seu primeiro romance, publicado em 1979. Nos mercados editoriais britânico e estadunidense contemporâneos, a maioria dos autores recebe apenas um pequeno adiantamento financeiro antes da publicação de um romance de estreia. Nas raras exceções em que se prevê grande tiragem e alto volume de vendas, o aporte pode ser maior. No entanto, uma vez que um autor se estabeleceu, é possível se obter uma renda estável, desde que permaneçam produtivos como escritores. Além disso, muitos romancistas, mesmo os publicados, possuem outras fontes de renda, como ensinar redação criativa em instituições acadêmicas, deixando a escrita de romances como um trabalho secundário. alt=Author J.K. Rowling reads from Harry Potter and the Sorcerer's Stone at the Easter Egg Roll at White House. Screenshot taken from the official White House video.|miniaturadaimagem| A autora J. K. Rowling lê Harry Potter e a Pedra Filosofal, no Easter Egg Roll, na Casa Branca. Captura de tela retirada do vídeo oficial da Casa Branca. Poucos romancistas se tornam celebridades literárias, ou ficam muito ricos apenas com a venda de seus romances. Exemplos incluem escritores como James Patterson, que foi o autor mais bem pago em 2010, ganhando 70 milhões de dólares, superando outros romancistas e autores de não-ficção. Outros milionários literários com sucessos populares são J. K. Rowling, autora da série Harry Potter, Dan Brown autor de O Código Da Vinci, o romancista histórico Bernard Cornwell e a autora da série Crepúsculo, Stephenie Meyer.

Experiência pessoal As experiências pessoais do romancista muitas vezes moldam o que eles escrevem, e como os leitores e críticos interpretam seus romances. A recepção literária há muito se baseia em práticas de leitura que envolvem a crítica biográfica, na qual se presume que a vida do autor influencia as temáticas das obras. Algumas correntes de crítica usam essas informações sobre o autor para estabelecer as intenções do romancista com sua obra. No entanto, os críticos literários pós-modernos frequentemente denunciam esta abordagem; a mais notável dessas críticas vem de Roland Barthes, que argumenta, em seu ensaio "A morte do autor", que o autor não deve influenciar a recepção e os significados derivados de sua obra."Biographical Criticism", Writing essays about literature: a guide and style sheet (2004), Kelley Griffith, University of North Carolina at Greensborough, Wadsworth Publishing Company, pages 177-178, 400Benson, Jackson J. (1989) "Steinbeck: A Defense of Biographical Criticism" College Literature 16(29): pp. 107-116, page 108

Outras abordagens teóricas da crítica literária exploram a influência não intencional do autor sobre sua obra; métodos como a teoria psicanalítica, ou os estudos culturais, presumem que a obra produzida por um romancista representa partes fundamentais da identidade do autor. Milan Kundera descreve as tensões entre a identidade do romancista e a obra que ele produz, no ensaio publicado na revista The New Yorker, "O que é um romancista?"; ele escreve que a "honestidade do romancista está ligada à influência vil de sua megalomania […] A obra não é simplesmente tudo o que um romancista escreve — cadernos, diários, artigos. É o resultado final de um longo trabalho em um projeto estético […] O romancista é o único mestre de sua obra. Ele é o seu trabalho." A estreita ligação da identidade com o trabalho do romancista faz com que elementos particulares, seja de classe, gênero, sexualidade, nacionalidade, raça ou identidade, influenciem a recepção de seu trabalho.

Classe socioeconômica Historicamente, devido à quantidade de tempo e dos conhecimentos necessários para escrever romances, muitos romancistas vinham da classe média alta. No entanto, homens e mulheres das classes trabalhadoras começaram a publicar romances no século XX. Isso inclui, na Grã-Bretanha, por exemplo, nomes como Walter Greenwood, Love on the Dole (1933), nos Estados Unidos, B. Traven, The Death Ship (1926), e Agnes Smedley, Daughter of Earth (1929) e, na Rússia, Nikolay Ostrovsky, How the Steel Was Tempered (1932). Na metade no século XX, na Grã-Bretanha dos anos 1950, surgiu um grupo de escritores conhecido como "jovens irritados", que incluía os romancistas Alan Sillitoe e Kingsley Amis, que vieram da classe trabalhadora e escreveram sobre a cultura da classe trabalhadora.

Identidade nacional ou baseada no local Os romancistas são frequentemente analisados de acordo com um conceito de identidade nacional, sugerindo que os romances as traduzem. Em algumas literaturas a identidade nacional molda a autodefinição de muitos romancistas. Por exemplo, na literatura dos Estados Unidos, muitos romancistas começaram a criar o "Grande Romance Americano", ou um romance que define a experiência americana de seu tempo. Outros romancistas se envolvem política ou socialmente com a identidade de outros membros de sua nacionalidade e, assim, ajudam a definir essa identidade nacional. Por exemplo, o crítico Nicola Minott-Ahl descreve a Notre-Dame de Paris, de Victor Hugo, ajudando diretamente na criação da identidade política e social francesa de meados do século XIX.