miniaturadaimagem|Casulo Egoísta Egoísmo (ego + ismo) é o hábito ou a atitude de uma pessoa colocar seus interesses, opiniões, desejos, necessidades em primeiro lugar, em detrimento (ou não) do ambiente e das demais pessoas com que se relaciona. Neste sentido, é o antônimo de altruísmo.

Egoísmo e egocentrismo Um sujeito egoísta é aquele que se coloca no centro do seu universo. Diferente da cultura popular que defende que o egoísta acredita que "o mundo, inclusive as pessoas ao seu redor, foram criadas somente para ele", o egoísta, na verdade, é uma pessoa que prioriza a si mesmo em relação aos outros, mas não necessariamente desprezando-os. Um sujeito egoísta é aquele que acredita que, na sua perspectiva de ser, é mais importante do que os demais seres.

O egocentrismo caracteriza-se pela simples aplicação do egoísmo. Dada a definição psicanalítica de Ego, o egocentrista, priorizando o seu ego, está simplesmente a priorizar a sua razão sobre a razão dos terceiros, ignorando o ego dos outros.

A sociedade acabou por definir o egoísmo e o egocentrismo como características negativas numa personalidade, porém diferente disso, Ayn Rand demonstra no Objetivismo e no livro A Revolta de Atlas (Atlas Shrugged) que o ser egoísta contribui positivamente para a sociedade e pode muitas vezes, desfrutando de seu ego e do prazer que sente em ajudar as pessoas, agir de maneira semelhante ao altruísta, porém por puro interesse próprio.

Natural ou adquirido? Há controvérsia se o egoísmo é uma característica natural humana ou se é um hábito adquirido, como um vício moral da pessoa.

A psicologia do desenvolvimento observa que a infância se caracteriza pela passagem de uma atitude naturalmente egocêntrica - em que a criança tem por referência seu organismo e suas necessidades - para uma atitude social e interativa. Deste modo, o egoísmo seria a recusa da pessoa em deixar essa fase infantil, uma luta por manter viva a fantasia do egocentrismo. Basicamente, uma criança que se recusa amadurecer.

Naturalistas, como Richard Dawkins, postulam a base natural do egoísmo a partir da tendência dos replicadores do organismo se associarem apenas segundo o interesse de passar à próxima geração de organismos. É a hipótese do gene egoísta, ou seja, de que os mecanismos genéticos de reprodução agem com fins imediatos e egoístas. O altruísmo seria uma legítima construção da cultura humana.

Visão religiosa

Visão espírita De acordo com o Espiritismo, o egoísmo é o pior dos vícios humanos, sendo os outros derivados dele. É, junto com o orgulho, o maior obstáculo ao progresso da humanidade. O egoísmo é uma das imperfeições mais difíceis de se desenraizar, pois deriva da influência da matéria sobre o espírito. Além disso, o egoísmo de uma pessoa frequentemente provoca o egoísmo da outra.

Para se combater o egoísmo, deve-se desenvolver a caridade, pois ela é a origem de todas as virtudes. O Espiritismo afirma que desenvolvê-la e combater o egoísmo deve ser o objetivo dos esforços de cada um, para proporcionar a própria felicidade neste mundo ou no futuro.

Visões científicas e filosóficas

"Eu sou tão egoísta que o auge do meu egoísmo é querer ajudar". - Raul Seixas (músico e gênio subversivo brasileiro).

O egoísmo tem várias formas de se manifestar. Todas podem ser enquadradas em "egoísmo negativo" e "egoísmo positivo".

Todas as formas de egoísmo são ativadas quimicamente pelo ambiente. Seja negativo (escassez) ou positivo (abundância) é uma resultante química que coloca os organismos em estados de consciência alterados e não se limita apenas às necessidades materiais básicas, mas abrange, a vontade, querer ou "programação" do individuo em si. Em bactérias, pode-se facilmente observar a cooperação para o sucesso das colônias. Em colônias de insetos, formigas por exemplo, também pode-se observar egoísmo positivo. Em outro exemplo pode-se colocar o corpo humano em situações de baixas temperaturas. O organismo literalmente passa a direcionar o sangue para os órgãos mais importantes reduzindo o fluxo para as extremidades (braços e pernas) na tentativa de manter o coração e o cérebro em funcionamento. Egoísmo fisiológico.

O egoísmo é um mecanismo de defesa evolucionário de sobrevivência inerente ao ambiente. Está presente em todos os organismos e pode ser visto como negativo ou positivo, dependendo apenas das circunstancias ambientais na qual o organismo se encontra.

O ambiente provoca reações químicas nos organismos colocando-os em um modo classificado pela biologia como lutar ou fujir, e utilizado como base na engenharia social contemporânea como "modo de sobrevivência".

Nas sociedades humana, reforço para manutenção do mecanismo de sobrevivência, é utilizado nos indivíduos colocando-os em estado de medo inconsciente constante com objetivo de gerar competição (egoísmo negativo) através do uso de simulacros de escassez.

O filósofo e engenheiro social Jaque Fresco (1916-2017), cuja base filosófica e científica influenciaram a criação do "Projeto Vênus" (1995) e do "Movimento Zeitgeist" (2008), dizia que uma sociedade onde a colaboração para o aprimoramento dos outros indivíduos de suas comunidades e qualquer ação para eliminar mecanismos de escassez e outras atuações voluntárias vistas como caridosas ou de compaixão seriam formas de tentativas do egoísmo evolucionário positivo de alterar a qualidade do ambiente e as condições de escassez para condições de abundância. Melhores condições ambientais elevariam as chances do condicionamento/domesticação positiva (palavras moda em biologia e engenharia social) dos indivíduos das comunidades inevitavelmente elevando a qualidade de vida de toda a sociedade.

Há quem defenda que caridade e compaixão são apenas mecanismos químicos de atenuação da "impotência inconsciente" de se alterar o ambiente social, outros já atacam defendendo que serve apenas para demonstração pública para se "acariciar" o próprio ego (egocentrismo). Pregam que a caridade só é valida se feita sem "testemunhas".

Bibliografia

Ligações externas

CATHOLIC ENCYCLOPEDIA: Egoism (newadvent.org)

Categoria:Emoções Categoria:Psicologia da personalidade