Mutemuia foi uma rainha egípcia, esposa do faraó Tutemés IV e mãe do faraó Amenófis III.

Mutemuia não é atestada durante o reinado de seu marido, Tutemés IV. Na corte, ela provavelmente foi ofuscada pelas rainhas principais Nefertari e, mais tarde, Iaret. Mutemuia só aparece em monumentos erguidos durante o reinado de seu filho, Amenófis III.

Embora alguns pesquisadores tenham ocasionalmente identificado Mutemuia como uma filha do rei Artatama I de Mitani, não há evidências que comprovem que se tratava da mesma pessoa, e nada se sabe com certeza sobre sua origem. Há indícios de que ela não era filha de Artatama, e essa hipótese foi posteriormente abandonada. A teoria pode ser refutada apenas pela cronologia: a princesa mitaniana casou-se com Tutemés IV durante o reinado deste, mas Mutemuia deu à luz o futuro sucessor Amenófis III antes mesmo de Tutemés IV ascender ao trono. Essa princesa de Mitani pode ter sido Henutempet, que possivelmente possuía o título de Nobre Senhora de Mitani. O egiptólogo Cyril Aldred sugeriu que Mutemuia fosse irmã de Yuia. Segundo ele, como Mutemuia ainda estava presente nos primeiros anos do reinado de seu filho, ela poderia ter promovido o casamento entre Tié e o jovem rei, ligando sua família à realeza. No entanto, essa teoria é pouco sustentada por evidências textuais ou arqueológicas.

Pesquisas mais recentes, contudo, demonstraram que Amenófis III compartilhava cerca de um terço de seu material genético com seu sogro Yuia, o que sugere que este provavelmente era tio de Amenófis III. Como é praticamente impossível que Yuia fosse irmão de Tutemés IV, considera-se mais provável que ele fosse irmão de Mutemuia. Além disso, a múmia designada KV21A foi identificada por comparação de DNA como sendo irmã de Yuia e é considerada uma possível candidata a representar Mutemuia, embora essa identificação permaneça incerta.

Mutemuia possuía numerosos títulos, entre eles Senhora das Duas Terras (nb.t-tAwy), Grande Esposa Real, sua amada (Hm.t-nsw-wr.t mry.t=f), Nobre (r.t-pa.t), Condessa, Grande em Louvores (wr.t-Hsw.t), Doce de Amor (bnr.t-mrw.t), Senhora do Alto e do Baixo Egito (Hnw.t-rsy-mHw) e Mãe do Deus (mwt-nTr). Os títulos Mãe do Rei e Mãe do Deus tinham essencialmente o mesmo significado, uma vez que o deus em questão era o rei reinante, Amenófis III. Todos esses títulos, incluindo o de Grande Esposa Real, foram utilizados apenas após a morte de seu marido, durante o reinado de seu filho. Quando Amenófis III ascendeu ao trono, Mutemuia ganhou destaque como mãe do novo faraó.

Mutemuia é representada no templo de Luxor em cenas que retratam o nascimento divino de seu filho, Amenófis III. Essas cenas se assemelham, e em alguns casos reproduzem, as representações do nascimento divino de Hatexepsute em Deir el-Bahari. Hatexepsute utilizou essa narrativa para reforçar suas reivindicações ao trono. Como Amenófis era filho de um faraó reinante, as cenas parecem ter sido usadas para enfatizar a natureza semidivina de Amenófis III. Em uma das cenas principais, Mutemuia aparece sentada sobre uma cama recebendo o deus Amon, que assumira a aparência de seu marido, Tutemés IV. O encontro ocorre na presença das deusas Sélquis e Neite. As imagens apresentam Amenófis III como fruto da união de sua mãe com o próprio deus Amon. Em outra cena, uma Mutemuia grávida é conduzida por Ísis e Cnum ao aposento do parto.

Uma estátua parcial de granito representando Mutemuia foi encontrada em Carnaque e atualmente faz parte da coleção do Museu Britânico. A escultura é concebida na forma de um rébus, mostrando a deusa Mut sentada em uma barca, formando assim o nome da rainha. Mutemuia é mencionada em uma inscrição gravada na lateral da embarcação.

Juntamente com sua nora, Tié, Mutemuia também aparece nos Colossos de Mêmnon, erguidos por Amenófis III.

Morte A data da morte de Mutemuia é desconhecida, mas acredita-se que ela tenha sobrevivido por grande parte do reinado de seu filho. A prova disso é a sua presença entre as esculturas dos Colossos de Mêmnon, construídos durante o reinado de Amenófis III, bem como uma menção à sua propriedade no rótulo de um jarro de vinho encontrado no palácio de Malkata, em Tebas, pertencente a Amenófis III.

Categoria:Rainhas do Antigo Egito