O pinguim-macaroni ou pinguim-de-testa-amarela (Eudyptes chrysolophus) é uma das seis espéciesO número varia entre 4 e 7, dependendo da referência. de pinguim do género Eudyptes. É um parente muito próximo do pinguim-real, considerado por alguns cientistas como sendo a mesma espécie. Habita a região subantártica, desde o sul das ilhas Shetland do Sul às ilhas Kerguelen. Alimenta-se principalmente de crustáceos, mergulhando a profundidades de 15 a 70 metros para caçá-los. A sua população total em liberdade é de cerca de 18 milhões de indivíduos, mas devido ao seu declínio nas últimas décadas foi considerado vulnerável. Os machos e as fêmeas são semelhantes, apesar de o macho ser ligeiramente maior. Apresenta uma crista amarela, face preta e íris vermelha. Reproduz-se na Primavera e cuida das crias no Verão. Passa o Inverno no mar, por vezes viajando mais de 10 000 km.

Taxonomia O pinguim-macaroni foi descrito pela primeira vez pelo naturalista alemão Johann Friedrich von Brandt nas ilhas Malvinas em 1837.Williams (1995) p. 211 É uma das seis espécies (ver nota 1) do género Eudyptes.

Os nomes do epíteto genérico e específico derivam do grego eu "bom", e dyptes "mergulhador" e chryse "dourada", elophos "crista", significando, portanto, "bom mergulhador de crista dourada".

O primeiro registo do nome comum provém do início do século XIX nas ilhas Malvinas. Marinheiros ingleses deram o nome à espécie devido à sua crista, pois macaroni era um termo que designava um estilo da Inglaterra do século XVIII marcado pela ornamentação excessiva. Quem adoptasse este estilo era chamado de maccaroni ou macaroni, como na música "Yankee Doodle".

Análises feitas ao ADN mitocondrial e nuclear do pinguim-macaroni revelaram que a divergência genética entre o pinguim-macaroni e o pinguim-real é tão pequena que estes podem ser considerados conspecíficos.

Alguns ornitólogosNomeadamente os ornitólogos australianos Les Christidis e Walter Boles. consideram o pinguim-real como sendo uma subespécie do pinguim-macaroni.

Fenotipicamente as duas espécies são muito semelhantes, apesar de o pinguim-real ter a face branca enquanto que o macaroni a tem preta..Williams (1995) p. 214

Existem registos de cruzamento interespecífico com a subespécie Indo-Pacífica do pinguim-saltador-da-rocha (E. chrysocome filholi) e da ocorrência de hibridação em pelo menos três ocasiões entre 1987–88 pela Australian National Antarctic Research Expedition.

Fotos das três espécies de pinguins evidenciando as suas semelhanças

Descrição Não existe dimorfismo sexual, como é hábito nos pinguins, apesar de os machos serem ligeiramente maiores. Os adultos medem 70 cm de altura.

O peso varia com o sexo e conforme a época do ano. Os machos pesam 3,3 kg depois da incubação e 6,4 kg depois da muda de penas, enquanto que as fêmeas pesam 3,2 e 5,7 respectivamente.Williams (1995) p. 213

A cabeça, o pescoço e o dorso são pretos, enquanto que a barriga é branca. A pelagem preta é azulada quando jovem e acastanhada quando velha. As asas são pretas-azuladas na superfície superior, com uma risca branca na parte posterior, e brancas na superfície inferior, à excepção da ponta e da axila. A crista, característica mais distintiva da espécie, cresce a partir da testa e prolonga-se horizontalmente até à nuca.

O bico é grande e laranja-acastanhado e é usado para distinguir os sexos, pois os machos possuem um bico mais longo, com 6,1 cm, em comparação com os 5,4 cm das fêmeas. A íris é vermelha. Tem uma prega de pele sem penas que se estende desde a base do bico até perto da parte inferior dos olhos. As pernas e patas são cor de rosa.

A muda, o processo em que se substituem as penas antigas por novas, ocorre uma vez por ano e demora de três a quatro semanas. Os pinguins-macaroni gastam duas semanas a acumular gordura antes da muda, pois quando perdem as penas não podem entrar na água para se alimentarem. Assim que a muda acaba eles voltam para o mar e regressam às colónias para acasalar na Primavera.

Vocalizações Os chamamentos da espécie são semelhantes aos dos outros Eudyptes. São normalmente usados nas colónias para estabelecer território e formar pares. Durante o período de incubação os progenitores fazem um chamamento cujo som se assemelha ao de um trompete, de maneira a saber onde se encontra o companheiro. Quer seja para localizar o companheiro ou a cria, um par de pinguins tem de competir com centenas de outros pares. Estudos recentes sugerem que cada animal tem uma vocalização própria.

Adaptações ao mergulho e ao frio Ao contrário das aves voadoras, que têm ossos ocos para facilitar o voo, os pinguins têm ossos sólidos que lhes permitem mergulhar a grande profundidade. Ao nadarem usam as suas patas espalmadas como leme, com o auxílio da cauda. Têm uma camada subcutânea de gordura que actua como isolante térmico e que lhes permite ficar debaixo de água a uma temperatura de até -2 °C por longos períodos.

As suas penas são mais pequenas e mais numerosas do que as das outras aves, e formam uma camada de ar que isola o pinguim. Para além disso o pinguim-macaroni possui uma glândula perto da base da cauda, a glândula uropigial, que, quando excitada, produz um óleo que impermeabiliza as penas e as deixa mais "coladas" uma às outras.

Os músculos das patas e das asas estão localizados mais para dentro do corpo, onde permanecem quentes. Estas regiões do corpo são movidas através de tendões, o que significa que estão operacionais mesmo que estejam muito frias.

No Verão os dias são mais amenos e os pinguins têm de lidar com o sobreaquecimento. Para isso eles desalinham as penas e tomam banho, abanam as asas, adoptam a postura horizontal com a barriga no gelo ou respiram rapidamente com o bico aberto.

Distribuição e habitat Um estudo de 1993 estimou que o pinguim-macaroni era a espécie mais abundante de pinguim, com um mínimo de 11,841,600 pares distribuídos por todo o território, que abrangia uma área com pelo menos 216 colónias desde a região subantártica até à península Antártica.

Na América do Sul, estes pinguins podem ser encontrados no Chile, nas Ilhas Malvinas, Ilhas Geórgia do Sul e Sandwich do Sul, e Ilhas Órcades do Sul. Na Antártida e na sua península, podem ser encontrados nas Ilhas Shetland do Sul, na Ilha Bouvet, nas Ilhas do Príncipe Eduardos, nas Ilhas Crozet, nas Ilhas Kerguelen e nas Ilha Heard e Ilhas McDonald. Quando andam à caça podem ir para o norte até à Austrália, Nova Zelândia, Brasil, Ilha de Tristão da Cunha e África do Sul. As suas colónias podem ser formadas em encostas com declives acentuados ou mesmo em penhascos rochosos.

Comportamento thumb|200px|Pinguins-macaroni adultos na época de acasalamento

Como as outras espécies de pinguins, o pinguim-macaroni é um animal social. As suas colónias estão entre as maiores e mais densamente povoadas de todas as espécies de pinguins,Williams (1995) p. 17 chegando aos 2,5 milhões de indivíduos. Fora da época de acasalamento, entre Abril/Maio e Outubro, os pinguins são pelágicos, e segundo um teste realizado por uma equipa francesa dispersam-se por uma zona com 3×106 km². Apetrechados com dispositivos de localização por satélite, os 12 pinguins estudados viajaram mais de 10 000 km e mantiveram-se na zona entre 47–49° S e 70–110° E no Oceano Índico.

Nas colónias existe um elevado nível de interação social, o que faz com que as aves ganhem um grande repertório de exibições vocais e visuais.Williams (1995) p. 57 Estes comportamentos são muito exibidos imediatamente antes do período de reprodução e existe uma acalmia quando os machos regressam ao mar.Williams (1995) p. 61 Os pinguins-macaroni com ninhos adjacentes podem entrar em confrontos pelo espaço, que são normalmente resolvidos com uma luta de bicos, mas onde por vezes se incluem empurrões e chapadas com as asas.Williams (1995) p. 216 O pinguim a perder a luta exibe submissão ao andar com a cabeça baixa.Williams (1995) p. 190

Dieta A dieta do pinguim-macaroni consiste numa variedade de crustáceos, lulas e peixes, variando a percentagem de cada um conforme a localização e a época do ano. O Krill, principalmente o Krill antártico (Euphausia superba), perfaz mais de 90% da dieta durante a época de acasalamento. Cefalópodes e pequenos peixes, entre estes os peixes-lanterna, tornam-se mais importantes aquando do crescimento das crias.Williams (1995) pp. 215–16

Como muitas outras espécies de pinguins, o pinguim-macaroni deliberadamente engole pequenas pedras (10 a 30 mm de diâmetro), ao que parece para que estas façam de lastro para os mergulhos a grande profundidade, ou para ajudar a desfazer os exosqueletos dos crustáceos.

Na época do crescimento das crias, a busca de alimento faz-se numa base diária, do amanhecer ao anoitecer, por vezes mesmo à noite, quando as crias ficam maiores. Um estudo demonstrou que após a cria estar criada a busca de alimento estende-se quer em tempo quer em território.

O pinguim-macaroni é conhecido por ser o maior consumidor de recursos marinhos de entre todas as aves marinhas, com um consumo de 9,2 milhões de toneladas de krill por ano.

Normalmente procuram comida a uma distância de até 50 km da colónia da Geórgia do Sul e de entre 60 e 300 km das Ilhas do Príncipe Eduardo. As profundidades vão de 15 a 70 m, mas já foram registados mergulhos até aos 100 m. À noite os mergulhos são mais superficiais, entre os 3 e os 6 metros, devido à reduzida visibilidade. Os mergulhos raramente excedem os dois minutos de duração. Todos os mergulhos são efetuados em forma de V e cerca de metade do tempo de mergulho é gasto para mergulhar. Foi calculado que as aves apanhem de 4 a 16 krills e de 40 a 50 anfípodes por mergulho.

Predadores Os predadores do pinguim-macaroni consistem em aves e mamíferos aquáticos, embora não tenham um impacto significativo no número de animais das colónias. A foca-leopardo e a orca são os principais predadores dos pinguins adultos, enquanto que os ovos são atacados pelos mandriões, pelo bico-de-bainha-antárctico e pelo gaivotão. Os petréis por vezes também caçam as crias.Williams (1995) p. 219

Comunicação e percepção Apesar de terem vista curta em terra, no mar têm uma visão excepcional; os seus olhos, como em muitos animais marinhos, estão ajustados para verem debaixo de água. A boa visão é necessária tanto para localizar presas como predadores.

Os pinguins-macaroni comunicam através de um variado conjunto de comportamentos como o abanar da cabeça e das asas, o curvarem-se, e uma gama variada de chamamentos e vocalizações.

Corte e Acasalamento thumb|200px|Pinguins-macaroni adultos a fazerem a corte As fêmeas de pinguim-macaroni atingem a maturidade sexual aos cinco anos de idade e os machos aos seis. Como a população de machos é maior, as fêmeas podem escolher parceiros mais experientes. As exibições sexuais começam alguns dias depois da chegada das fêmeas à colónia. Os machos tentam atrair as fêmeas para o seu território e depois de emparelhados as exibições são feitas pelos dois no sítio do ninho e na hora de trocar os turnos da incubação.

Na exibição estática, um pinguim curva-se para a frente e fazendo sons altos e ritmados, estica a cabeça e o pescoço verticalmente até ficarem alinhados com o tronco. A ave então abana a cabeça para um lado e para o outro e recomeça com os sons estridentes.Williams (1995) p. 191

Ao monitorizar a fidelidade dos pares na Geórgia do Sul verificou-se que três quartos dos pares mantêm o companheiro do ano anterior.

Os pinguins-macaroni adultos normalmente começam o acasalamento no fim de Outubro e põem os ovos no início de Novembro. O ninho não passa de uma depressão no solo, que pode ser delineada por pedras e coberta por erva tussock (somente na Geórgia do Sul). Os ninhos medem perto de 66 cm no centro da colónia, e 86 cm nas suas bordas.Williams (1995) p. 217