O Instituto Plantarum foi fundado em 1981 pelo engenheiro agrônomo e ecologista brasileiro Harri Lorenzi. Além de diversas publicações sobre a flora nativa do território brasileiro, o instituto possui também uma editora, biblioteca especializada em taxonomia, laboratório, um jardim botânico e o Herbário HPL, credenciado ao Index Herbariorum, que conta com 20 mil exsicatas.MONTEIRO, José André Verneck. Conservação ex situ de espécies ameaçadas da flora brasileira: a contribuição do Jardim Botânico Plantarum. 2015. Dissertação (Mestrado em Práticas em Desenvolvimento Sustentável) – Instituto de Florestas, Departamento de Ciências Ambientais, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, RJ, 2015. Entre as mais de 300 famílias de angiospermas, gimnospermas e pteridófitas representadas no acervo herborizado pelo HPL (onde as angiospermas respondem por cerca de 95% dos acessos), destacam-se as coleções de Acanthaceae, Araceae, Arecaceae, Begoniaceae, Gesneriaceae, Marantaceae e Passifloraceae. Sua coleção de tipos nomenclaturais conta com mais de 40 cadastros, com ênfase no gênero de palmeiras Syagrus. Seu patrimônio científico inclui ainda coleções especiais de carpoteca, xiloteca, sementeca e um acervo fotográfico com um milhão de imagens botânicas.
Jardim botânico O jardim botânico do Instituto Plantarum é um centro de referência em pesquisa e conservação da flora brasileira. Está localizado no município de Nova Odessa, interior de São Paulo. Foi idealizado a partir de 1990, por iniciativa do engenheiro agrônomo e botânico brasileiro Harri Lorenzi.
Com objetivo de contribuir para a conservação da flora brasileira, o pesquisador, sua equipe e colaboradores percorreram mais de 1.200.000 quilômetros, por 40 anos, na maior parte dos ecossistemas do Brasil e países limítrofes em expedições científicas, destinadas ao levantamento, catalogação e coleta de plantas nativas, principalmente com potencial econômico e ameaçadas de extinção. No período entre os anos 2000 e 2013, foram realizadas mais de 30 expedições de coleta e resgate botânico em locais como o Parque Nacional das Emas, a Serra da Canastra, o Vale do São Francisco, a Chapada Diamantina, a Amazônia Central e áreas de fronteira (Argentina, Paraguai e Colômbia). A escolha das espécies coletadas baseia-se em critérios de raridade, acessibilidade, tamanho populacional, adaptabilidade ao cultivo e relevância científica. Como resultado sentiu-se motivado a apresentar ao público o acervo botânico vivo, fruto de suas pesquisas.
Em 12 de agosto de 1998 o Instituto Plantarum adquiriu uma área de 10 hectares para abrigar sua coleção viva de plantas e sua futura sede. O terreno passou então a receber tratamento paisagístico e ambiental, sendo estruturado com 80 mil m² de jardins temáticos planos, lagos, bosques e cerca de 5 km de trilhas interpretativas pavimentadas para o desenvolvimento das pesquisas científicas e para o cultivo sistemático das coleções botânicas em formação. Esse processo de tratamento do solo e paisagismo converteu, ao longo de uma década, uma área anteriormente degradada por atividade industrial em um jardim botânico biodiverso de alta representatividade ecológica.MONTEIRO, José André Verneck. Programa de Educação Ambiental para Conservação da Flora Brasileira – A Experiência do Jardim Botânico Plantarum entre 2011 e 2014. Revista Educação Ambiental em Ação, n. 54, ano XIV, dez. 2015 - fev. 2016.
Em 2007 foi fundado o Jardim Botânico no local. Em 2012, foi registrado, enquadrado e reconhecido pela Comissão Nacional de Jardins Botânicos (CNJB), de acordo com a Resolução CONAMA 339/2003, tendo sido inaugurado e aberto para atendimento regular ao público em novembro de 2011.
Em 06 de julho de 2015 o Jardim Botânico Plantarum foi qualificado pelo Ministério da Justiça como "Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP)", com os objetivos principais de estudo e conservação da biodiversidade vegetal brasileira e do meio ambiente, através de ações educacionais e de pesquisa. O JBP passou a utilizar a qualificação de OSCIP para buscar ampliar sua captação de recursos financeiros e estabelecer termos de parceria com o setor público, privado e governos locais.
Projetos e Estrutura No local são desenvolvidos diversos projetos, como conservação ex situ de espécies de plantas ameaçadas, intercâmbio científico de material vegetativo com outros jardins botânicos e Instituições nacionais e internacionais, publicação de artigos científicos, apoio técnico a entidades congêneres e educação ambiental para crianças, jovens e adultos. Para aclimatação e propagação de plantas exigentes, o JBP dispõe de quatro casas de vegetação especializadas (uma para begônias, uma para amarilidáceas e orquídeas, uma para semeadura e outra com alta taxa de umidade e luminosidade, voltada para espécies da Amazônia e da Mata Atlântica).
Atualmente, como estratégia pedagógica de sensibilização, as palmeiras nativas expostas no acervo em campo possuem placas de identificação que incluem, além do nome científico e popular, a localidade de procedência geográfica e o grau de ameaça segundo a Lista Vermelha. No entanto, a instituição não dispõe de infraestrutura para conservação in vitro e mantém uma coleção de sementes voltada primordialmente a fins didáticos.
Atualmente o acervo botânico vivo é constituído por mais de 6 mil espécies vegetais, representando os principais grupos botânicos da flora nativa do Brasil. Dados de 2015 caracterizavam a divisão do acervo da seguinte forma:
Espécies Nativas: 2.609 espécies nativas do Brasil (70,3% do acervo), o que representa 5,7% de toda a flora nacional. Espécies Ameaçadas: 157 espécies ameaçadas de extinção (6,1% das nativas do acervo) no Livro Vermelho da Flora do Brasil, distribuídas nas categorias "ameaçada" (EN), "vulnerável" (VU) e "criticamente em perigo" (CR). As famílias botânicas ameaçadas mais representadas: Cactaceae (23 spp.), Gesneriaceae (21 spp.), Arecaceae (18 spp.) e Begoniaceae (15 spp.). O principal bioma de ocorrência das espécies ameaçadas é a Mata Atlântica (120 espécies), seguido pelo Cerrado (36 espécies). Espécies de Interesse: 54 espécies nativas não ameaçadas, cultivadas por serem consideradas de interesse científico, socioeconômico e conservacionista. Nesse grupo de interesse científico e conservacionista, a família botânica mais bem representada é a Cactaceae, com 12 espécies presentes no cultivo. Espécies Exóticas: 1.106 espécies exóticas (29,7% do acervo). Deste grupo, 48 espécies na Lista Vermelha da IUCN, incluindo a espécie Dracaena umbraculifera, que é listada como extinta na natureza.
Educação Ambiental O Programa de Educação Ambiental (PEA) do JBP baseia-se em um Projeto Político Pedagógico estruturado originalmente em 2011. No primeiro triênio de funcionamento regular (entre 2012 e 2014), as atividades do programa e a realização de cursos e eventos contemplaram diretamente 24.594 pessoas. A modalidade de visita autônoma foi responsável por 75% dos atendimentos, ao passo que as visitas guiadas com estudantes corresponderam a 18% do público atendido no período.
Ao longo do primeiro triênio (2012–2014) foram oferecidos nove cursos de capacitação, englobando as Jornadas de Paisagismo, Seminários de Árvores Brasileiras, Simpósios de Palmeiras e Simpósios de Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC). As visitas escolares agendadas de escolas municipais e estaduais utilizaram apenas 37% da capacidade máxima de monitoria instalada no jardim, devido principalmente à inexistência de parcerias ou convênios de subvenção com prefeituras locais que pudessem garantir a isenção de ingressos a alunos da rede pública.
Em pesquisa interna de amostragem realizada com 80 visitantes entrevistados pelo JBP em 2012, constatou-se que 72,5% deles estavam visitando um jardim botânico pela primeira vez. A educação ambiental foi indicada por 48,7% dos entrevistados como o principal benefício gerado pelo Plantarum, e a experiência de visitação geral foi classificada como excelente por 77,5% do público pesquisado.
Galeria
Ver também Jardim botânico Harri Lorenzi Nova Odessa
Ligações externas
Instituto Plantarum Página oficial. Jardim Botânico Plantarum Página oficial.
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